O tio Boris e o camarada Stalin

 

Na década de sessenta, após muitos sonhos e trabalho, graças à uma nova lei criada na ex-União Soviética, tio Boris, judeu russo, conseguiu permissão para emigrar para Israel, como estavam fazendo outros camaradas russos.

Ele se queixara muito da demora em virtude da quase interminável burocracia.

Por fim, concordaram com sua saída da ex-União Soviética.

 

No dia da partida, na alfândega, um oficial russo revistava as bagagens de tio Boris quando, de repente, ao abrir uma delas, encontrou um algo que lhe chamou a atenção, e imediatamente perguntou:

- Que é isso?

- Perdão – disse Boris – o senhor deve perguntar ‘Quem é este?’. Este é um busto do camarada Stalin, nosso querido timoneiro e grande dirigente do partido. Eu o levo para jamais esquecê-lo.

- É verdade – disse o oficial – ele pensava diferente dos judeus. Lhe felicito e lhe confesso que pela primeira vez me simpatizo com um judeu. Passe e se desejar voltar será muitto bem vindo.

 

Tio Boris chega a Tel Aviv e, quando revistado, o oficial israelense abre sua bagagem e pergunta:

- Que é isso?

- Perdão – disse Boris – o senhor deve perguntar ‘Quem é este?’. Este é o maldito ditador antissemita Stalin, por quem sofremos tantas desgraças e misérias. Trago este busto para não esquecer e ensinar aos jovens quem nos fez sofrer tanto. Blá-blá-blá-blá…

- Bem senhor, acalme-se – disse-lhe o oficial – você já está em Israel, aqui é sua casa. Pode passar. Sua família o espera.

 

Tio Boris foi recebido com grande alegria e festa por seus irmãos e toda a família.

Ao lá chegar, outro sobrinho o acompanha ao quarto e ajuda-o com suas coisas.

Quando tio Boris abre a valise e coloca o busto sobre sua cama, o sobrinho, espantado, pergunta:

-Tio Boris, quem é este?

-Perdão – disse Boris – você deve perguntar ‘Que é isso?’. Isso, querido sobrinho, são doze quilos de ouro puro.

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O que podemos aprender com Israel

 

Artigo bem escrito e atual; conteúdo oportuno que pode servir de motivos para reflexões por parte de autoridades e formadores de opiniões sobre a qualidade educacional dos seus respectivos países. Sim, qualidade em vez de quantidade, competências avaliadas por bancas eximinadoras em vez de meros diplomas, proficiência em vez de cotas…

Diante disto e, tendo em vista que a educação é um processo social dependente da trajetória histórico-cultural de cada país, compete aos governos, especialmente dos países menos desenvolvidos, impor (sim, impor, pois educação de qualidade, assim com outras áreas de excelência, depende de competências individuais e não de opiniões ou votos de todos dos envolvidos nos respectivos processos) programas educacionais visando a qualificação progressiva de todo sistema de ensino, criando sistemas de incentivos (a exemplo de bolsas de estudos) para os melhores qualificados (independente de raça ou origem social), firmando intercâmbios internacionais que permitam rápidas atualizações dos melhores graduados nas últimas fronteiras do conhecimento de suas respectivas áreas…

Pensem a respeito dessa questão, especialmente sobre a qualidade de ensino que voces desejam para seus filhos.

Por José Pio Martins*

Há algo que me intriga há algum tempo: o que leva um país com apenas 7,9 milhões de habitantes (o Paraná tem 10,4 milhões), um território minúsculo (menor que o estado de Sergipe), terras ruins, sem recursos naturais, com apenas 64 anos de existência, e em constantes conflitos militares… a ser um dos maiores centros de inovação do mundo; ter 63 empresas de tecnologia listadas na bolsa Nasdaq (mais que Europa, Japão, China e Índia somados), ter registrado 7.652 patentes no exterior entre 2002 e 2005, e ter ganho 31% dos prêmios Nobel de Medicina e 27% dos Nobel de Física?

Em resumo: o que explica o extraordinário desenvolvimento econômico e tecnológico de Israel? Pela lista de carências e problemas citados no parágrafo anterior, Israel tinha tudo para ser apenas mais um país atrasado e miserável. Mas, além de não ser, o país transformou-se em um caso único de inovação, tecnologia e desenvolvimento. Muitas das maravilhas que usamos hoje vêm de lá. O pen-drive, a memória flash de computador e muitos medicamentos que salvam vidas estão na lista de patentes de Israel.

Qualquer explicação rápida é leviana. Muitos dirão que é o dinheiro dos norte-americanos e dos judeus espalhados pelo mundo que faz o sucesso de Israel. Não é. Primeiro, porque nenhuma montanha de dinheiro transforma uma nação de atrasados e ignorantes em gênios da inovação e ganhadores de prêmios Nobel. Segundo, grande parte do dinheiro recebido por Israel foi gasta em defesa e conflitos militares. Terceiro, o apadrinhamento militar de Israel nos primeiros anos de sua fundação não foi dado pelos Estados Unidos, mas pela França, cujo apoio cessou somente em 1967, após a Guerra dos Seis Dias.

Nos artigos e livros que pesquisei, não há explicação simplista para o sucesso de Israel. Pelo espaço limitado deste artigo, destaco apenas quatro pontos:

Em primeiro lugar, a história e a cultura. A religião judaica dá ênfase à leitura e à aprendizagem, mais que aos ritos. A perseguição aos judeus e a proibição, durante a Idade Média, de possuírem terras os levou a estudar e se tornarem médicos, banqueiros ou outras profissões que pudessem ser exercidas em qualquer lugar.

Depois vem o apreço pela tecnologia e pela inovação. Israel gasta 4,5% de seu produto bruto em pesquisa e desenvolvimento, contra 2,61% dos Estados Unidos e 1,2% do Brasil. Na ausência de recursos naturais e premido pela necessidade, Israel entrou de cabeça numa cultura de pesquisar, descobrir e inovar.

Em terceiro lugar, a estrutura educacional. A crença de que a única saída para o desenvolvimento – mais que os recursos naturais – é a educação de qualidade está na raiz da cultura de Israel. Do ensino básico até a universidade, Israel desfruta de uma educação de nível e acessível a todos. Se você pensa encontrar um judeu analfabeto, desista. É uma questão cultural: para eles, povo e governo, a educação é o bem maior.

E, por fim, o respeito pelo empreendedor e pelo fracasso. Em Israel, valoriza-se muito aquele que se dispõe a inventar, inovar ou empreender. Quem tenta e fracassa é respeitado e apoiado, pois eles acreditam que a falência é um aprendizado e a chance de acertar da próxima vez aumenta. Isso leva a uma ausência de medo do fracasso e é um elemento-chave da cultura da inovação. No Brasil, o desgraçado que falir uma microempresa nunca mais consegue uma certidão negativa e jamais volta a ser empreendedor.

Não se consegue transpor a cultura de um país para outro, mas há muito que aprender com Israel.

 

* José Pio Martins, economista, professor, comentarista econômico da Rádio CBN Curitiba, articulista do Jornal Gazeta, autor do livro “Educação Financeira ao Alcance de Todos” (Editora Fundamento, 2004) e reitor da Universidade Positivo/Paraná.

 

Fonte

Gazeta do Povo – 24/08/2012

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