Intervenção militar internacional na Venezuela deve ser considerada

O Brasil de amanhã pode ser a Venezuela de hoje!
A Venezuela é o primeiro país da América Latina a se adequar aos objetivos do Foro de São Paulo. O Brasil poderá ser o próximo.
Mesmo se o Ex-presidente Lula for condenado em segunda instância e, mesmo se o futuro Presidente for um conservador, toda sociedade brasileira pagará um preço gigantesco por essa aventura socialista, um preço tão alto que serão necessários duas gerações para serem reparados em virtude dos gigantescos estragos sociais, educacionais, econômicos, Infra-estruturais (Se retirarmos os complexo portuário e rodoviário do país privatizados, o restante permanecem praticamente abandonados às décadas), políticos (as maiores e mais numerosas quadrilhas de políticos corruptos e corruptores já registradas na história humana)….
Mas, isto não é tudo. Independente de quem seja eleito será necessário alguns anos para a sociedade brasileira libertar-se das algemas da pobreza e desigualdades sociais em virtude do gigantesco aparelhamento do Estado, das Forças Armadas (?), Universidades, Grandes meios de comunicações (subornados por milionárias verbas publicitárias).
Além de tudo isto, milhões de jovens já foram doutrinados, imbecilizados em liberdades desagregativas a exemplo da ideologia do gênero, desarmamento da sociedade civil, excesso de direitos para marginais…
Que D-us tenha misericórdia do povo brasileiro
Frank Herles Matos

 

Por Ricardo Hausmann *

Em julho, descrevi a natureza sem precedentes da calamidade econômica na Venezuela, comentando o colapso da produção, da renda e dos padrões de vida e saúde.

Provavelmente a estatística mais reveladora que citei foi que o salário mínimo medido pela caloria mais barata disponível caiu de 52.854 calorias por dia em maio de 2012 para apenas 7.005 em maio de 2017 —insuficiente para alimentar uma família de cinco pessoas.

Desde então, as condições se deterioraram drasticamente. No mês passado, o salário mínimo havia caído para apenas 2.740 calorias por dia. E a oferta de proteínas é ainda menor. A carne de qualquer tipo é tão rara que o preço de um quilo no mercado equivale a mais de uma semana de trabalho pelo salário mínimo.

As condições de saúde também pioraram, devido a deficiências nutricionais e à decisão do governo de não fornecer preparado lácteo para bebês, vacinas comuns contra doenças infecciosas, remédios para pacientes soropositivos, transplantados, com câncer e que fazem hemodiálise, além de suprimentos gerais para hospitais.

Desde 1º de agosto, o preço do dólar ganhou mais um zero, e a inflação superou 50% ao mês em setembro.

Segundo a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), a produção de petróleo diminuiu 16% desde maio, ou mais de 350 mil barris por dia. Para conter o declínio, o governo do presidente Nicolás Maduro não teve ideia melhor que prender cerca de 60 gerentes graduados da companhia de petróleo estatal, PDVSA, e nomear para sua direção um general da Guarda Nacional sem experiência no setor – resultado: a produção caiu ainda mais.

Em vez de tomar medidas para pôr fim à crise humanitária, o governo a está usando para reforçar seu controle político. Recusando ofertas de ajuda, ele gasta seus recursos em sistemas militares de controle de multidões, fabricados pela China, para conter os protestos.

Oposição Enfraquecida – Fome, Miséria, Destruição e Morte

Muitos observadores externos acreditam que, conforme a economia piorar, o governo perderá poder. Mas a oposição política organizada está mais fraca do que estava em julho, apesar do maciço apoio diplomático internacional.

Desde então, o governo instalou uma Assembleia Constituinte inconstitucional com plenos poderes, descredenciou os três principais partidos de oposição, removeu prefeitos e deputados eleitos e roubou três eleições.

Com todas as soluções consideradas impraticáveis, infactíveis ou inaceitáveis, a maioria dos    venzuelanos deseja que algum “deus ex machina” os salve da tragédia.

O melhor cenário seria o de eleições livres e justas para escolher um novo governo. Esse é o plano A da oposição venezuelana, organizada em torno da Mesa da Unidade Democrática (MUD), e que está sendo buscado em negociações que transcorrem na República Dominicana.

Mas é um desafio à credulidade pensar que um regime que se dispõe a matar de fome milhões de pessoas para continuar no poder o entregará em eleições livres.

No Leste Europeu nos anos 1940, os regimes stalinistas consolidaram o poder apesar de perderem as eleições. O fato de que o governo Maduro roubou três eleições só em 2017 e bloqueou a participação eleitoral dos partidos mais uma vez, apesar da enorme atenção internacional, sugere que o sucesso é improvável.

Um golpe militar doméstico para restaurar o regime constitucional é menos palatável para muitos políticos democráticos, por temerem que muitos soldados possam não retornar aos quartéis depois.

Mais importante, o regime de Maduro já é uma ditadura militar, com oficiais encarregados de muitos órgãos do governo.

Os oficiais mais graduados das Forças Armadas são corruptos até a alma, tendo-se envolvido há anos em contrabando, crimes monetários e propinas, narcotráfico e mortes extrajudiciais que, em termos per capita, são três vezes mais presentes que nas Filipinas de Rodrigo Duterte. Oficiais decentes estão se demitindo em grande número.

As sanções dos EUA estão prejudicando muitos os mafiosos que governam a Venezuela. Mas, medidas nas dezenas de milhares de mortes evitáveis que ocorrerão e nos milhões de refugiados venezuelanos a mais que criarão até gerar o efeito desejado, elas são, na melhor das hipóteses, lentas demais. Na pior, não funcionarão. Afinal, tais sanções não levaram à mudança de regime na Rússia, na Coreia do Norte ou no Irã.

Intervenção Militar !?

Isso nos deixa a opção de uma intervenção militar internacional, uma solução que assusta a maioria dos governos latino-americanos por causa do histórico de atos agressivos contra seus interesses soberanos, especialmente no México e na América Central.

Mas essas talvez sejam as analogias históricas erradas. Afinal, Simón Bolívar ganhou o título de libertador da Venezuela graças à invasão em 1814 organizada e financiada pela vizinha Nova Granada (atual Colômbia). França, Bélgica e Holanda não conseguiram se libertar do regime opressivo entre 1940 e 1944 sem a ação militar internacional.

A implicação é clara. Conforme a situação na Venezuela se torna inimaginável, as soluções a se considerar se aproximam do antes inconcebível.

A Assembleia Nacional devidamente eleita, onde a oposição detém maioria de dois terços, foi inconstitucionalmente despida de poder por uma Suprema Corte nomeada inconstitucionalmente. E os militares usaram seu poder para suprimir os protestos e forçar ao exílio muitos líderes, incluindo juízes da Suprema Corte eleitos pela Assembleia Nacional em julho.

No que se refere a soluções, por que não considerar a seguinte: a Assembleia Nacional poderia declarar o impedimento de Maduro e do vice-presidente – o narcotraficante Tareck El Aissami,  e sancionado pelos EUA.

A Assembleia poderia indicar constitucionalmente um novo governo, que por sua vez poderia pedir ajuda militar a uma coalizão de países dispostos, incluindo latino-americanos, norte-americanos e europeus.

Essa força libertaria a Venezuela, assim como canadenses, australianos, britânicos e americanos libertaram a Europa em 1944-45. Mais perto de nós, seria como quando os EUA libertaram o Panamá da opressão de Manuel Noriega, instalando a democracia e o mais rápido crescimento econômico da América Latina.

Segundo o direito internacional, nada disso exigiria a aprovação do Conselho de Segurança da ONU (já que a Rússia e a China poderiam vetar), porque a força militar seria convidada por um governo legítimo buscando apoio para o cumprimento da Constituição do país. A existência dessa opção poderia até melhorar as perspectivas das atuais negociações na República Dominicana.

Uma implosão na Venezuela não é do interesse da maioria dos países. E as condições lá constituem um crime contra a humanidade que deve ser detido por razões morais.

O fracasso da Operação Market Garden em setembro de 1944, imortalizada no livro e no filme “Uma Ponte Longe Demais”, levou à penúria nos Países Baixos no inverno de 1944-45. A fome na Venezuela hoje já é pior. Quantas vidas devem ser destruídas antes que chegue a salvação?

* Ricardo Hausmann, ex-ministro do Planejamento da Venezuela (1992-1993) e ex-economista-chefe do Banco Interamericano de Desenvolvimento, é diretor do Centro para Desenvolvimento Internacional da Universidade Harvard – Project Syndicate, Cambridge USA

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Bate-boca entre diretores de Institutos de Pesquisas Eleitorais

Por Rafael Moro Martins

Um debate entre figuras-chave de três dos principais institutos do Brasil expôs algumas das entranhas do universo das pesquisas eleitorais. Mauro Paulino, desde o final dos anos 1990 diretor do Datafolha, Márcia Cavallari, do Ibope, e Fernando Rodrigues, do Data Poder360, trocaram farpas – embaladas em generosas doses de ironia – para defender os próprios métodos de trabalho. Na plateia, jornalistas que foram a São Paulo participar do 13º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji. Inclusive do Intercept Brasil.

Cavallari e Paulino uniram forças para bombardear o sistema de trabalho do Data Poder360, o instituto fundado há pouco mais de um ano por Rodrigues para realizar pesquisas para o portal que ele comanda em Brasília. O Data Poder360 faz pesquisas apenas por telefone, usando um sistema automatizado – algo inédito no país. Rodrigues defende que a dele é “a que menos errou em 2016 na eleição de Donald Trump”.

Nas sondagens do Data Poder360, Jair Bolsonaro tem, sistematicamente, registrado índices de intenção de voto maiores do que em outras sondagens. Segundo Rodrigues, seu instituto tem uma base de dados com 200 milhões de números de telefone, fixos e celulares, para a qual são disparadas ligações aleatórias pelo sistema automatizado de pesquisa.

“O que o Data Poder360 faz é enquete, não pesquisa”, disparou Cavallari. Para quem não é do ramo, as pesquisas eleitorais costumam utilizar uma amostra da população selecionada a partir de critérios (renda, região do país, entre tantos outros) que refletem um corte fiel do eleitorado – pelo menos em teoria. Na enquete, ao contrário, a participação é aleatória e definida por quem escolhe responder, não pelo pesquisador.

“Eu acho, com todo o respeito a vocês dois: século 21, gente. O que a gente faz se chama pesquisa, nos EUA só se faz esse tipo de pesquisa. Lá se chama pesquisa, e aqui é assim também”, replicou Rodrigues. Pouco antes, ele – que durante anos foi o principal repórter da Folha de S. Paulo em Brasília – fizera troça do Datafolha, que se orgulha de realizar apenas pesquisas presenciais, ou seja, realizadas pessoalmente por um entrevistador.

“O Datafolha faz pesquisas no Largo do Batata”, zombou o jornalista, fazendo referência a um tradicional ponto de partida da manifestações políticas em São Paulo – boa parte das marchas de junho de 2013, na cidade, partiu dali. Paulino reagiu irritado: “Não é verdade. Você escreveu sobre nossas pesquisas durante 20 anos e sabe disso.”

Gangorra de percentuais

Para Paulino e Cavallari, a metodologia usada pelo Data Poder360 é responsável pela alta pontuação que Bolsonaro registra nos levantamentos do instituto. “[No Brasil] Quem não tem telefone é 9% da população. Se pegar a pesquisa do Fernando e ponderar com isso, vai baixar de 2 a 3 pontos o Bolsonaro, e aumentar de 2 a 3 pontos candidatos como a Marina. Essa é a diferença”, sugeriu a diretora do Ibope.

“Sessenta por cento dos eleitores do Bolsonaro são brancos, têm menos de 34 anos, moram em grandes cidades e têm acesso costumeiro à internet. Ele vai estar mais motivado a atender uma ligação automática [como a do Data Poder360] e responder porque também é o eleitor mais engajado nesse momento”, acrescentou Paulino.

Rodrigues reagiu: “O Bolsonaro, ao contrário do que o Mauro disse, é o voto mais duro. As pessoas respondem com vontade. Sobretudo quando não têm que olhar no olho de alguém. [Senão] Ficam com vergonha. E no telefone, não”, disse, para protestos dos concorrentes. Ele continuou: “Então, existe viés de todos os tipos. O que está na cabeça das pessoas é que no mundo democrático todos podem ser transparentes como estamos sendo, demonstrando qual a nossa metodologia de pesquisa”, falou, frisando a palavra pesquisa. “A não ser que nos EUA só se faça enquete”, completou, sobre boa parte das pesquisas eleitorais americanas serem feitas por telefone.

“Recebo muitas ligações de jornalistas [perguntando]: você não acha estranha a pesquisa do Data Poder360? Eu respondo não sei, pergunta pra ele”, ironizou Cavallari.

O chefe do Datafolha foi além: colocou em dúvida levantamentos como os realizados por uma corretora de investimentos financeiros, a XP. “Pesquisas influenciam o mercado financeiro. Quando uma empresa de investimentos faz uma pesquisa colocando o [ex-prefeito de São Paulo] Fernando Haddad como candidato do Lula, é completamente errado, a não ser que dissesse que o Alckmin é o candidato do Fernando Henrique Cardoso”, criticou, antes de disparar: “Tá faltando a imprensa pensar um pouco mais, ser mais crítica em relação a pesquisas, e dar a devida divulgação a algumas coisas muito estranhas que estão acontecendo”.

“Eu gostaria de ter tantas certezas quanto o Mauro quando ele fala que alguma coisa está errada”, ironizou Rodrigues. “Quem aqui nesta sala gostaria de saber como reagiriam os eleitores no dia da eleição se votassem no Duílio e ele fosse apontado como candidato do Lula? Alguém não teria curiosidade de saber? É uma pesquisa. Qual o problema de fazer essa pergunta? Nenhum.”

Perto do fim do debate, Paulino voltou a provocar Rodrigues, desta vez pelo acesso do jornalista à elite do Judiciário. “Quero fazer um pedido ao Fernando: marque uma audiência do presidente da Abep [entidade que reúne os principais institutos de pesquisas do país] e dos diretores do Datafolha e do Ibope – e você mesmo, se quiser participar – com os 11 ministros do Supremo. Nem precisa ser os 11; só o Fux [também presidente do Tribunal Superior Eleitoral]. A gente está tentando isso desde o ano passado…” A provocação foi uma resposta à afirmação de Rodrigues de que a metodologia do Data Poder360 foi aprovada por todos os integrantes da corte suprema, em audiências presenciais dos ministros com pessoas do site.

“Isso aqui tá pior que debate de candidato. Vocês criticam os candidatos, mas estão piores do que eles”, ironizou, já perto do final do encontro, o mediador José Roberto de Toledo, editor do site da revista piauí. “Acho que é uma riqueza que a gente possa ter essa discussão. Acho que todos fazem um trabalho excepcional, e nós fazemos um trabalho absolutamente correto, transparente ao extremo”, contemporizou Rodrigues.

No meio da troca de farpas, sobressaiu-se uma concordância: os diretores de Ibope e Datafolha disseram que uma pesquisa de intenção de votos nacional, com 2 mil entrevistas, custa pelo menos R$ 270 mil. Os preços praticados pelo Poder360 são bem inferiores a isso [em virtude do baixo custo para realizar pesquisas por telefone].

Ao final, quando todos já estavam em pé para ir embora, Rodrigues protagonizou um gran finale: subiu numa cadeira para chamar a atenção. “Uma última informação”, gritou. “Eu gostaria de falar de sintaxe. Eu não sou um instituto de pesquisa. Sou uma empresa que faz pesquisa”, disse. Mas era tarde: o barulho das cadeiras e das conversas da plateia e abafou o esclarecimento.

Foto em destaque: Fernando Rodrigues, do Data Poder360, foi criticado por Ibope e Datafolha por pesquisas eleitorais feitas por telefone [método de pesquisa mais utilizado hoje em dia nos Estados Unidos, Europa e Japão].

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Fonte: The Intercept Brasil

 

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