Sobrevivência ocidental depende da sua própria determinação


Por David J. Rusin*

Claude Gueant, ministro do Interior francês [1], provocou uma tempestade quando elogiou os valores ocidentais, classificando-os como “superiores” à valores opressores encontrados no mundo islâmico. No entanto, essa controvérsia fez mais para destacar uma área em que o Ocidente estar claramente perdendo para seus rivais: a autoconfiança. Se um funcionário do governo não pode exaltar virtudes como liberdade e igualdade que definem a vida ocidental sem ser classificado como um fanático pelo politicamente correto, como pode se proteger contra as forças altamente motivados do islamismo, que sem dúvida alguma usam a automotivação para promover a “superioridade de seus próprios princípios para impô-los aos outros?”

“Ao contrário do que a ideologia relativista da esquerda afirma as civilizações não são idênticas e não possuem valores iguais”. Gueant, em encontro com jovens socialistas conservadores – realizado em 4 de fevereiro deste ano – disse que “…aqueles que defendem a humanidade parece-nos ser mais avançados do que os que não o fazem”. “Aqueles que defendem a liberdade, igualdade e fraternidade nos parecem superiores aos que aceitam a tirania, a subserviência da mulher, o ódio social e étnico”, asseverou. Uma verdade que seria amplamente comentado um mês e meio mais tarde, quando um jihadista [Mohammed Merah, 23 anos] assassinou à sangue frio três crianças e um rabino judeus em Toulouse. Assim, Gueant ressaltou a necessidade de “proteger a nossa civilização”.

A resposta dos relativistas de esquerda foi rápida e hostil. Pierre Moscovici, chefe da campanha de François Hollande do Partido Socialista francês que acabaria ganhando as eleições, classificou as observações de Gueant como “um gesto premeditado, intencional e consciente” para garantir votos de direita para Sarkozy, acrescentando que era “…um ataque aos muçulmanos”. O proeminente socialista Harlem Désir [2] condenou as palavras de Gueant afirmando serem “…uma provocação lamentável que reflete um provável declínio moral da UNP [Partido de Sarkozy]“. Bernard Cazeneuve, porta-voz de Hollande, acusou Gueant de tentar “hierarquizar a humanidade,” enquanto o Movimento Jovem Socialista denunciou seu discurso como “xenófoba e racista”. Serge Letchimy, representando a Martinica [Antilhas francesas] na Assembleia Nacional da França, foi o mais longe do que todos quando, dirigindo-se a Gueant no parlamento, disse: “Você nos traz de volta, dia após dia, ideologias europeias que deram origem aos campos de concentração…”

Para crédito de Gueant ficou a aprovação pública de Sarkozy, afirmando que “…as óbvias palavras de Gueant só nos mostra que nem todas as civilizações dão o mesmo valor humanista à direitos inalienáveis dos seres humanos”. Mais tarde, em entrevista ao Le Figaro, Gueant indagou: “Quem pode contestar que existe uma diferença de valores entre uma civilização que privilegia a democracia, protege as liberdades individuais, promove os direitos das mulheres… e de outra que aceita a tirania, não atribui nenhuma importância as liberdades e não respeita a igualdade de direitos entre homens e mulheres?” Muitas pessoas, ao que parece.

Gueant não foi o primeiro [e nem será o último] político a ser jogado no caldeirão com água fervendo da esquerda [e seus aliados jihadistas]. Outros que também ousaram elogiar características positivas da cultural ocidental, contrastando de forma direta ou indireta com aspectos medievais do Islã, sempre acabaram sendo violentamente atacados. Essa linha de ataques verbais lembra o que ocorreu alguns dias depois do ataque ao World Trade Center, em Nova York, quando Silvio Berlusconi, primeiro-ministro italiano disse que “…devemos estar conscientes da superioridade da nossa civilização que possui um sistema que tem garantido o bem-estar social, direitos dos cidadãos e o respeito aos direitos humanos, religiosos e políticos, em contraste com a maioria dos países islâmicos.” A reação foi violenta. O primeiro-ministro belga afirmou que “…essa linguagem perigosa pode alimentar um sentimento de humilhação” entre os muçulmanos; um líder da oposição italiana criticou Berlusconi afirmando que ele “…usou termos que nenhum estadista digno desse nome usou” e, outro, comparou-o a Osama bin Laden. Berlusconi rapidamente voltou atrás em nota publicada pela imprensa, afirmando possuir “…profundo respeito pelo islã, uma grande religião que prega a tolerância …” e “respeito aos direitos humanos.”

Certamente a figura política mais conhecida por falar publicamente sobre essa questão [sem a doença do politicamente correto] é o parlamentar holandês Geert Wilders [3] que, mesmo sob a ira [insultos, provocações, processos judiciais e ameaças de morte] de islamistas e esquerdistas faz comparações entre os mundos ocidental e islâmico, defendendo os valores das liberdades e direitos humanos [entre outros] das democracias… Ano passado, em Roma, disse que “devemos acabar com o relativismo cultural” e, dirigindo-se aos multiculturalistas afirmou que “devemos orgulhosamente proclamar que a cultura ocidental é muito superior à cultura islâmica. E somente quando estivermos convencidos disto é que estaremos dispostos a lutar pela nossa própria identidade”.

Sun Tzu, antigo pensador e militar chinês ensinou que a vitória em qualquer conflito é alcançada através da compreensão não apenas do adversário, mas também a si mesmo. Devemos aplicar essa máxima na luta contra o islamismo [radical], e isto deve começar com os ocidentais conhecendo e aprendendo mais sobre [a cultura dos jihadistas], compreendendo do que estão sendo acusados de preservar: um patrimônio cultural único – nascido em Atenas, Roma e Jerusalém, e alimentado pela Renascença, Iluminismo e a Revolução Americana – que sustenta a mais livre e próspera civilização humana já registrada pela história.

No entanto, como as respostas epitetadas e estereotipadas à Gueant demonstram, a apreciação deste “eu” ocidental está fraca em muitos círculos. Como argumenta Ibn Warraq [4], autor do livro “Por que o Ocidente é o melhor” [Why de West is Best: A Muslim Apostate's Defende os Liberal Democracy]: “O pós-modernismo [5], o relativismo,  o politicamente correto e o multiculturalismo estão minando a autoconfiança dos ocidentais em seus próprios valores e, ao que parece, já estão incapazes e sem vontade de defenderem seus próprios valores”. Por outro lado, o Islã ressurgente, em todas as suas formas, é extremamente confiante e capaz de explorar a fraqueza moral e confusão cultural do Ocidente para exigir concessões cada vez maiores.”

Warraq declara que, se seu sistema [sociopolítico] é de suportar, os ocidentais devem reconhecer que “as grandes ideias do Ocidente – o racionalismo, a autocrítica, a busca desinteressada pela verdade, a separação entre Igreja e Estado, o primado da lei e da igualdade perante a lei, a liberdade de pensamento e de expressão, direitos humanos, democracia liberal… – são superiores a quaisquer outros concebidos pela humanidade”. Da mesma forma, é fundamental comparar ideais ocidentais com os dos islamistas, que são só a antítese da liberdade como a estão ameaçando-a cada vez mais. Um olhar sobre como as mulheres e as minorias são tratadas pela estrita lei islâmica é suficiente para expor a mentira do multiculturalismo que “nivela todas culturas humanas, afirmando serem todas elas dignas de igual respeito e idêntica liberdade individual e democrática”, como afirma o reformista muçulmano Salim Mansur.

O avanço do islamismo só poderá ser contido se o Ocidente reafirma seus valores centrais com determinação. Como disse a ícone feminista Phyllis Chesler, na apresentação revisada do livro de Warraq, “…a liberalização do mundo islâmico jamais ocorrerá espontaneamente; a única forma dessa liberalização ocorrer será com o engajamento dos ocidentais na defesa determinada de suas liberdades em seus próprios paises”. E, acreditem, “esta é a melhor maneira de fortalecer e ajudar milhões de pessoas que estão aprisionados teologicamente em paises muçulmanos fundamentalistas. “O mesmo vigor é necessário em casa para reverter políticas multiculturais deletérias que estão favorecido o extremismo e não a integração das sociedades humanas. David Cameron, ex-primeiro primeiro-ministro britânico, já afirmou que a solução dessa questão envolve “… menos tolerância passiva demonstrada nas últimas décadas e muito mais os músculos ativos do liberalismo que não só acredita como promove ativamente os grandes valores ocidentais. A soma desses valores é um retrato da nossa civilização e definem a sociedade que pertencemos”.

No mínimo, os governos precisam traçar uma linha divisória clara entre os princípios ocidentais que não poderão ser alterados e aqueles islâmicos que não serão tolerados. Neste sentido alguns países já tomaram providências legais, a exemplo do guia de cidadania do Canadá que afirma: “… Os amplos direitos individuais deste país não se estendem à bárbaras práticas culturais como violência em nome honra, mutilação genital feminina e outras contrárias às nossas leis” – [inferiorização da mulher, casamentos com crianças, casamentos forçados, poligamia, obrigatoriedade de seguir uma determinada religião...] E, mais recentemente, os comentários do ministro do interior alemão afirmando que “…aqueles que rejeitam a liberdade e a democracia não têm futuro aqui.”

O sucesso ou o fracasso dos jihadistas em “eliminar e destruir a civilização ocidental a partir de dentro e, institucionalizar o Islã em seu lugar,” um objetivo enunciado pela Irmandade Muçulmana, depende mais do Ocidente do que dos islamitas. Isto só ocorrerá se houver um suicídio cultural em câmara lenta, incentivado pelos esquerdistas que insistem em afirmar que “…nenhuma sociedade é melhor ou possui valores superiores à outra” Mais uma frase danosa da insanidade intelectual do relativismo, do politicamente correto que iguala sociedades que estão na fronteira do conhecimento humano com outras em diferentes estágios de evolução.

Será que as próximas décadas serão moldadas pelo orgulho sem remorso no sistema objetivamente superior do Ocidente, como a voz de Claude Gueant? Ou será que a mentalidade de seus críticos prevalecerá, minando nossa moral, projetando nossas fraquezas e encorajando os islamistas a acelerar nossa decadência? Na primeira hipótese o Ocidente sobreviverá porque terá escolhido sobreviver, mas na segunda os novos bárbaros não precisarão passar por cima dos portões como ocorreu no passado, eles simplesmente passearão pelas largas avenidas abertas para eles pela apatia ocidental. 

* David J. Rusin, pesquisador do Islamist Watch, com artigos publicados em diversos meios de comunicações, entre os quais: Middle East Forum, FrontPage Magazine, National Review, TCS Daily, National Review, American Thinker e outros.

 

Notas

- Fonte: Front Page Magazine  - publicado em 28 de janeiro de 2012

- Tradução livre autorizada: Anna G. Figueiredo

- Informações entre [ ] são notas da tradutora – baseadas em referências no texto original – com o objetivo de melhor compreensão do texto. Quem desejar aprofundar informações abordadas neste artigo, sugerimos acessar links inseridos no texto.

 

Notas Complementares

[1] No governo de Nicolas Sarkozy

[2] O segundo em comando do Partido Socialista Francês]

[3] Líder do Partido Popular para a Liberdade e Democracia (Volkspartij voor Vrijheid en Democratie – VVD). Partido liberal de centro-direita epitetado como sendo de extrema-direita por esquerdistas e simpatizantes da imprensa ocidental.

[4] Ibn Warraq é um pseudônimo (que em árabe “filho de um fabricante de papel”) que tem sido adotado por autores dissidentes (em virtude de constantes ameaças de morte) ao longo da história do Islã. Warraq adotou esse pseudônimo em 1995, quando publicou seu primeiro livro, intitulado Why I Am Not a Muslim. Desde então têm pesquisado e escrito diversos livros, entre os quais: Em 1998 publicou The Origins of the Koran (1998), The Quest for the Historical Muhammad (2000), What the Koran Really Says: Language, Text and Commentary (2002), Defending the West: A Critique of Edward Said’s Orientalism (2007)…

[5] Caracter[isticass do p[os-modernismo: Ceticismos social, econômico e político, anseios coletivos por novas formas de sobrevivência, convivência e acumulo de capital, subjetividade na forma de pensar, desconfianças em relação à própria razão…

Direitos Autorais de David J. Rusin - Proibida reprodução parcial ou total deste artigo sem prévia autorização do escrito do autor.

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