“A Europa está submetida ao Islã”


Por Maria Antonietta Calabrò

O Oriente Médio está se esvaziando de cristãos e a Europa está se enchendo de muçulmanos. Outros 50 milhões são esperados(segundo estimativas oficiais da Comissão Europeia) dentro de 50 anos, em 2060, para “substituir” os 15% da população europeia trabalhadora, já envelhecida. Isso irá ocorrer por meio da Hijra, o conceito islâmico de migração.

Em um sentido ou no outro, no Oriente e no Ocidente, o cristianismo deve enfrentar o seu declínio, enquanto o Islã prossegue no seu avanço. O jornal Le Monde Diplomatique de algumas semanas atrás publicou um amplo artigo de Patrick Haenni e Samir Amghar, com o título “O Islã conquistador, o mito que retorna”. A última edição da revista Newsweek dedicou sua capa ao conceito de Eurábia, negando-o, na onda de otimismo gerado pela nova política de Obama com relação aos muçulmanos.

Mas o atentado fracassado contra os “cruzados”, que deveria ter feito um avião, que decolou da Europa em direção aos EUA, ter explodido pelos ares, exatamente no dia de Natal, atenuou os ânimos e repropôs perguntas e interrogações. E assim também os homicídios de cristãos no Oriente Médio e na África (que são quase notícia diária), as polêmicas sobre os minaretes na Suíça e sobre o véu na França, para não falar do avanço xenófobo na Holanda, notícia dos últimos dias.

Bat Ye’or é estudiosa do Islã à qual se deve a elaboração do conceito de Eurábia, tornado célebre na Itália pelos escritos de Oriana Fallaci. É o Islã – defende ela – a causa do declínio do cristianismo, começando pelo Oriente Médio. Depois, lança um apelo a cristãos e judeus para que não lutem uns contra os outros, fazendo assim o jogo jihadista.

Entrevista

Corriere della Sera – Por que a população cristã no Oriente Médio está reduzindo ano a ano?

Bat Ye’or – O declínio das populações cristã e judia indígena são consequências de muitos fatores, como demonstram claramente os fatos ocorridos e registrados nos últimos 30 anos. Sem ordem no peso de fatores, listamos: a total expropriação dos vencidos e a islamização das suas terras conquistadas pela jihad, em conformidade aos ditames da sharia; a conversão forçada; os massacres nas zonas rurais e urbanas; a escravidão; a deportação em massa; a exploração fiscal; a desumanização; a vulnerabilidade. Mas também as constantes guerras tribais entre muçulmanos, como ocorre hoje no Iraque.

Podemos definir o conjunto desses fatores ligados à política muçulmana com relação aos não muçulmanos com a palavra “dhimmitude”. Esse conceito representa uma condição religiosa e legal inscrita na lei da jihad, válida e exaltada ainda hoje. A pirataria aérea e marítima, o sequestro de reféns, as ameaças terroristas estão na tradição de mais de 13 séculos de jihad, desde quando os cristãos e os judeus europeus eram constantemente vítimas de agressões, assassinatos ou capturas, nas costas do Mediterrâneo, por causa dos mercados de escravos. A jihad constituiu-se em uma ideologia que une religião, lei e política. Regula todo comportamento dos muçulmanos com os não muçulmanos, seja em tempo de guerra, de trégua ou de submissão (justamente “dhimmitudine”).

Corriere della Sera  – Qual é a diferença entre a jihad islâmica e o extremismo e a violência em outras religiões, incluindo as praticadas ao longo da história pelos cristãos?

Bat Ye’or – A jihad contra os infiéis é uma guerra constante e permanente – jamais cessa – que pode ser desenvolvida por meios militares (guerras convencionais ou assimétricas como atentados terroristas) ou pacíficos (proselitismo, propaganda, corrupção). Porém, na visão muçulmana, a trégua sempre deverá ser um estado de não guerra para capacitar o contra-ataque dos mulçumanos, e jamais uma verdadeira paz como entendemos no Ocidente. Exemplo disso é o terrorismo internacional que hoje impõe ao Ocidente um estado de medo constante e a desorganização da vida normal. O mundo, para o Islã, se divide de fato entre “dar al-islam” e “dar al-harb”.

Corriere della Sera  – O que significam?

Bat Ye’or – Os territórios (regiões, países, continentes) do “dar alislam” são aqueles regidos pela lei islâmica, enquanto os não muçulmanos são os “harbos”, os “cidadãos do dar al-harb” ou “território da guerra”, designado desse modo porque está destinado a passar para a jurisdição islâmica ou com a guerra (“harb”) ou por meio da conversão expontânea ou forçada dos seus habitantes. Há ainda a estratégia da longa e indefinida trégua onde um determinado território é deixado em uma paz, com a condição de que o Islã possa cresçer e se desenvolver, seja através de migrações (como corre na europa) ou crescimento natural (nascimentos e conversões). Para o Islã a verdadeira paz só é alcançada com a submissão ou a conversão majoritária da população. Desconheço qualquer religião do planeta que possua essa visão imperialista.

Corriere della Sera  – A opinião pública vê a jihad como uma versão muçulmana das cruzadas cristãs. Está interpretação é correta?

Bat Ye’or – A história demonsta que essa visão é equivocada, fruto de publicidades dirigidas aos ocidentais, especialmente, e à disciplina escolar básica em países islâmicos. Na verdade, a jihad e as cruzadas são não somente ideologias radicalmente diferentes como até mesmo opostas, emergentes de duas visões do mundo. Como sabemos, infelizmente a maioria das nações já experimentaram as dores das guerras, mas jamais as guerras ocidentais tiveram caráter de obrigações eternas, conduzidas segundo leis teológicas rígidas e imodificáveis, consideradas como palavra final de Deus.
Guerra, crueldade e violência existem em todas as sociedades, mas podem ser criticadas e rejeitadas como erradas justamente com base nos vários credos religiosos. Não é assim com a jihad, onde a guerra contra tudo que não é islãmico deve ser constante e eterna até que todo o planeta seja islamizado.

Corriere della Sera  – Que gênero de atitude os judeus deveriam ter diante dessa situação?

Bat Ye’or –  Israel é a primeira defesa do Ocidente e dos valores ocidentais. Se caír o Ocidente caírá em seguida. Mas, mesmo nesta questão crucial os judeus estão isolados em uma Europa cultural e politicamente palestinizada, que defende a ideologia jihadista contra Israel e que faz reviver a aliança nazista-palestina entre Hitler e o Grão-Mufti de Jerusalém. Infelizmente, imagino que, no futuro, judeus e cristãos irão se combater, porque ambos serão instrumentalizados pelas forças jihadistas que os manipulam através da contínua publicidade para destruir ambos. Isso irá significará o fim da nossa civilização e irá facilitar a islamização da Europa, favorecendo os herdeiros espirituais das ideologias totalitárias opostas às liberdades e às dignidades humanas. Antissemitas que odeiam a Igreja por causa das suas raízes judaicas, a maioria alojada em partidos de esquerdas autoproclamados de progbressistas estão se elegendo aos montes na Europa de hoje, trabalhando para neutralizar reações das igrejas cristãns com bandeiras do “politicamente correto”, “integração cultural”, “vitimização dos migrantes muçulmanos”, etc.
Por fim, acredito que atingirão – sem parecer excessivo – o objetivo de Terceiro Reich. Somente depois disse se darão conta do imenso equívoco que cometeram, mais aí já será tarde demais, pois serão eles exatamente as primeiras vítimas!

Corriere della Sera  – Qual deve ser a posição da Igreja em sua opinião?

Bat Ye’or – Vejo como central a relação da Igreja com Israel pela sua própria espiritualidade: a Igreja deve decidir se está fundada sobre valores bíblicos ou corânicos. É uma escolha política difícil, quando as cimitarras islâmicas pensam sobre as cabeças cristãs. A pergunta é até quando os cristãos poderão permitir a demonização de Israel e a invocação da sua destruição sem que eles mesmos sejam destruídos pelo verdadeiro inimigo que apoiam. Quanto mais os cristãos negarem a jihad e a dhimmitudine, mais a cristandade será dominada. Bento XVI, de modo muito moderado e diplomático, buscou aludir a essa longa história de agonia cristã, que o Islã nega, no seu discurso de Regensburg, em um nível altamente filosófico e histórico.

 

Fonte

1. Jornal Corriere della Sera – 06/03/2010

 

Nota

1. Tradução – Moisés Sbardelotto.

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