Teorias Conspiratórias Muçulmanas


Por Ibrahim Raymond*

As teorias de conspirações oriundas do mundo muçulmano diferem um pouco das que conheçemos. Apesar de algumas delas serem ocidentalizadas, a exemplo das que afirmam que Israel foi o responsável pelo ataques de 11/9 em Nova Iorque e da igreja copta no Egito, a maioria envolve aspectos psicosociais próprio das sociedades onde se originaram.

Um dos temas prediletos desses teorias conspiratorias são animais subversivos! Isto não é piada ou brincadeira, é real. Confiram os links.

Irã prende pombos espionando usina nuclea: As forças de segurança iraniana prenderem dois pombos espiões israelenses perto da usina nuclear de Natanz. Os pombos possuiam alguns anéis e cordas invisíveis, sugerindo que de alguma forma poderiam ser equipamentos secretos de comunicação.”

Israel usa ratos e porcos contra árabes de Jerusalém: De acordo com a Agênca de Notícias oficial da Autoridade Palestina – WAFA, Israel está “…usando ratos e porcos selvagens para forçar os palestinos a abandonarem suas casas. Notícias anteriores já davam conta que os israelenses usam esses animais como armas para retirar de suas casas os residentes árabes da Cidade Velha de Jerusalém.”

Israel é responsável por ataques letais de tubarão e medusas no mar vermelho: Segundo o governador do Sul do Sinai, Mohamed Abdel, “O Mossad colocou [no mar] um tubarão e um número indeterminado de medusas fatais para reduzir o turismo no Egito. Isto não está fora de questão, mas precisa de tempo para ser confirmado pelos nossos serviços de segurança.”

Arábia Saudita prende urubu e o acusa de ser parte de um complô sionista: De acordo com uma reportagem da BBC, o urubu possui placa metálica de identificação da Universidade de Tel Aviv [usado na verdade para estudar padrões de migração], mesmo assim, segundo autoridades sauditas, “o pássaro poderá encontrar um castigo horrível de acordo com as leis do país se for comprovado que era um espião israelense.”

Os judeus de Guátanamo usam bruxaria contra prisioneiros: Walid Muhammad Hajj, ex-detento de Guatánamo, em entrevista à Al-Jazeera, quando perguntado sobre os métodos de ‘tortura’, disse: ”O método mais comum para desgastar os irmãos [muçulmanos presos] foi bruxaria …. Não vi nenhum, mas certamente havia judeus entre aqueles [funcionários da Base em Guantánamo], que montaram armadilhas para nós [os muçulmanos]…. Lembro-me de um incidente onde um irmão sentou ao meu lado numa manhã. Quando trouxeram o leite do nosso café, ele urinou no leite dele e eu, surpreso, lhe perguntei ‘por que estava urinando no leite. Foi quando soubemos que ele estava enfeitiçado. Depois de ler versículos do Corão ele se recuperado um pouco e me disse: “As aves do arame farpado falavam comigo, e me disse para urinar no leite” …. Em outra ocasião, eu estava dormindo e de repente, senti que um gato estava tentando me penetrar. Ele tentou me penetrar novamente e novamente. Eu recitei o versículo kursi [Alcorão 2:255] vários vezes até que o gato dessapareçeu.

Considerando que o Alcorão descreve as formigas conversando e aves, atesta o poder da magia, e tem um capítulo inteiro dedicado aos Gênios e Espíritos (Sura 72), que o Hamas prendeu 150 “bruxas” na Faixa de Gaza no ano passado, que o profeta Muhammad decretou que cães negros deve morrer, pois eles são demônios”, que existe uma “fatwa” para matar o Mickey Mouse (personagem de desenho da Walt Disney), uma vez que os roedores são “corruptores, dirigido por Satanás”, considerando tudo isso, não deve ser nenhuma surpresa que os animais estão sendo retratados como agentes infieis.

A surpresa são essas histórias estarem sendo divulgadas amplamente nos meios de comunicações árabes. É claro que teorias conspiratórias não são de origem exclusivo do mundo islâmico, o ocidente e o resto do mundo também possui suas teorias malucas. No entanto, diferente do ocidente a maioria das teorias conspiratórias islâmicas foram feitas e/ou divulgadas por “autoridades”, a exemplo dos esquilos, pombos e urubus espiões (Irá e Autoridade Palestina), ratos e porcos sendo usado como arma (Autoridade Palestina), ataques letais de tubarão e medusas (Egito), as estorias de Walid divulgadas pela Al-Jazeera, etc…

Um exame atento dessas teorias nos revelam tendências patológicas que precisam ser reconhecidas, especialmente pelos líderes ocidentais que teimosamente interagem com o mundo muçulmano supondo que todos os muçulmanos “pensar como nós.”

                              

* Ibrahim Raymond, diretor associado do Fórum do Oriente Médio, autor de A Al Qaeda Reader e professor convidado da National Defense Intelligence College.

                   

Nota

Tradução livre para Português – Natalia A. Santos

 

Fonte

Hudson Org. – 26 de janeiro de 2011.

 

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