Quem? Nós? Antissemitas? Nós!?


Por Dr. Steven Plaut*

      Não temos nada contra os judeus, apenas odiamos o sionismo e os sionistas. Pensamos que Israel não tem direito a existir. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus. Isto seria judeufobia, um preconceito. Marx proíbe. Somos humanistas. Progressistas. Amantes da paz…

      Antisemitismo é o ódio aos judeus. Antisionismo é a oposição ao sionismo e às políticas de Israel. Os dois não têm nada a ver um com o outro. Vênus e Marte, noite e dia. Viu? Coisas diferentes. Confie em nós.

      Estamos convencidos que o único país do mundo que deve ser destruído é Israel. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      Estamos seguros que as únicas crianças deste planeta que podem ser explodidas, se for por uma boa causa, são as crianças judias. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      Estamos convictos que, se os palestinos têm queixas legítimas, isto lhes dá direito de matar os judeus em massa. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      Acreditamos que as únicas pessoas no mundo que jamais deveriam ser autorizadas a exercer o direito de auto-defesa são os judeus. Para que se auto-defender se poderiam resolver melhor as agressões que sofrem através da rendição incondicional? Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      É verdade que só denunciamos o apartheid racista no único país do Oriente Médio que não é racista e nem pratica o apartheid. Mas isto não significa que tenhamos nada contra os judeus.

      Nos recusamos a reconhecer os judeus como um povo, pois acreditamos que sejam apenas membros de uma religião – embora ainda não tenhamos uma resposta do por que diversas pessoas que não praticam o judaismo se consideram judeus! Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      Acreditamos que todos os povos – incluíndo o faz-de-conta “povo palestino” – têm direito a autodeterminaçã, exceto os judeus, exatamente por não ser um povo. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      Odiamos quando vítimas são acusadas, exceto quando culpam os judeus pelas jihads e campanhas terroristas contra eles. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      Acreditamos piamente que o único país do Oriente Médio que é fascista e anti-democrático é aquele que possui eleições livres e regulares. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      Exigimos que o único país do Oriente Médio com liberdades de expressão, de imprensa, poderes independentes…. seja destruído. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.Nos opomos a qualquer agressão militar, exceto aquelas dirigidas contra Israel. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      Compreendemos perfeitamente os homens-bomba que se suicidam explodindo ônibus cheio de crianças judias, e insistimos que todas suas exigências sejam cumpridas integral e incondicionalente. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      Lutamos pelos direitos humanos de todos, exceto dos judeus; especialmente o direito o de não andar de ônibus sem serem assassinados. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      Temos certeza que a única forma do conflito árabe-israelense ser resolvido é a destruição total e definitiva de Israel. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      Humanamente condenamos o assassinato que qualquer assassino – por mais periculoso que seja -, exceto se o assassinato for de judeus. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      Acreditamos que todos os países da Terra (incluíndo os 22 países árabes, com 0,0645 pessoa por Km²) tenham direito à sua própria soberania, exceto Israel (com 362,3188 pessoas por Km²) que, no máximo, deveria submeter-se incondicionalmente a ser uma minoria em um Estado bi-nacional – e, se no futuro a maioria implantarem a Sharia e o Dhimmi, não teremos nada contra, pois em democrácia a vontade da maioria sempre deve prevaleçer. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      É verdade que os atentados terrorístas dendtro de Israel praticamente acabaram depois da construção do “Muro de Proteção”, mas a necessidade de segurança dos judeus não é justificativa suficiente para terem construído aquele muro racista e segregacionista que os separa dos palestinos. Isto prova que os sionistas praticam o apartheid e, por isto, odiamos este muro. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      Acreditamos que o Hezbolah, Hamas e países árabes devem continuarem se armando – com a indispensável ajuda dos camaradas russos, chinese e iranianos – até conseguirem a supremacia bélica para imporem a paz definitiva, de acordo com a lei islãmica, no Oriente Médio. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      O fato de Israel ter uma maioria judaica e uma estrela de David em sua bandeira é prova absoluta que é um Estado de apartheid e racista. Embora acreditamos que qualquer outro país possua o direito de colocar símbolo ou frase religiosa em sua bandeira, e nem por isso deve ser considerado um Estado de apartheid. racista ou merecedor de desmantelamento. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      Inteligentemente condenamos os maus-tratos de mulheres no único país do Oriente Médio em que eles não são maltratados. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      Sabiamente condenamos os maus tratos das minorias no único país do Oriente Médio em que as minorias não são brutalmente reprimidas nem seus membros assassinados em massa. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      Corretamente exigimos igualdade de direitos dos cidadãos, razão pela qual o país do Oriente Médio que deve ser exterminado é o único em que esses direitos existem e são respeitados. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      Naturalmente não temos nada contra não haver liberdade religiosa ou de opinião nos países árabes – Isto são questões culturais deles que devem ser respeitadas. Mas odiamos a política sionista de Israel que pratica e garante liberdades religiosa, de opinião e outras. Mas isto não significa que tenhamos algo contra os judeus.

      A prova de que antisionismo não é antisemitismo é a existência de judeus antisionistas de esquerda – os únicos judeus que deveriam ser reconhecidos e respeitados. Por isto, até aqueles que se alegram quando o maior número possível de judeus são assassinados, tecnicamente não são antisemitas, mas tão somente antisionistas.

      Como vocês podem vêr, ninguém pode dizer – mesmo que eventualmente – que somos antisemitas. Somos simplesmente antisionistas. Trabalhadores e amantes da paz, da igualdade e da justiça para todos. E, logicamente, isto não significa que tenhamos algo contra os judeus. Na verdade, amamos os judeus, Marx é nosso exemplo.

      Una-se a nós. Seja você também um soldado comunista, um guerreiro socialista, construtor de um mundo sem guerras, dores ou sofrimentos; um mundo onde todos os povos – exceto os judeus, pois como já vimos eles não constituem um povo – viverão em absoluta paz, igualdade e felicidade.

      * Dr. Steven Plaut, Ph.D. em economia pela Universidade de Princeton, especializado em Economia e Finanças Internacional, trabalhou para o Federal Reserve Bank (EUA),  foi professor  no Colégio Oberlin (EUA), Technion (Israel), UC Berkeley (EUA), UC Irvine (EUA), Universidade Central Européia (Hungria), Universidade de Tel Aviv (Israel), Universidade de Nantes (França) e do Laboratório de Administração de Negócios (Grécia). Atualmente é escritor (autor de The Scout – O Explorador), jornalista (editorialista de diversos meios de comunicações, entre os quais: Front Page Magazine e The Jewish Press), membro da equipe editorialista do Middle East Quarterly (publicação do Middle East Forum think tank), e professor associado ensinando Administração e Negócios na Escola Graduada de Negócios, Universidade de Haifa (Israel).

       Notas

     1. Artigo original, em inglês – Who Us? Anti-Semites? Us?

     2. Tradução livre e aprovada – Andrea Matos Azevedo

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