À Respeitável Maçonaria


 

Por Gen. Valmir Fonseca Azevedo*

A Maçonaria é uma Associação de caráter universal. Por aqui, não a vemos, nem no bojo nem na periferia de escândalos, de maracutaias ou de politicagens. Bom sinal. Dá-se ao respeito.

Não somos maçons. Temos amigos de reconhecido valor, que o são. De longe, aprendemos a respeitá-la. Não sabemos, exatamente, as razões desta deferência.

Seria função do mutismo grave e impenetrável da Associação?

Talvez em razão da névoa de mistério que envolve as suas atividades e as restrições para o ingresso naquela reservada e seletiva Associação?

Como se faz? Como se ingressa?

Sabemos, por ouvir falar, de seus regulamentos, cerimoniais, hierarquias e trajes que denotam antes seriedade do que pompa, antes compromissos e juramentos, do que acordos e acertos entre mal-intencionados.

Propositadamente, quase às escondidas, os maçons primam pelo anonimato, entendamos: não por agirem à sorrelfa ou à margem da lei e das convenções, mas por hábito, pela força de suas tradições. De pronto, num contexto em que a maioria das pessoas disputa a tapas seus quinze minutos de glória, até pela autoria das maiores barbaridades, eles merecem, pelo seu comedimento nas atitudes e pensamentos, no mínimo, a nossa atenção.

Olimpicamente, mas em surdina, cumprem eles suas missões.

Sem alarde, dedicam-se ao que fazem através dos séculos, pois seus membros cultivam a filantropia, a justiça social, o aclassismo, a humanidade, os princípios da liberdade, da democracia e da igualdade, o aperfeiçoamento intelectual e a fraternidade, é, assim, uma associação iniciática, filosófica, filantrópica e educativa.

Os maçons estruturam-se e reúnem-se em células autônomas, designadas por oficinas, ateliers ou (como são mais conhecidas e corretamente designadas) Lojas, “todas iguais em direitos e honras, e independentes entre si”, abrigando empresários, profissionais liberais, militares, cidadãos…

Contudo, ultimamente, para o nosso gaúdio e renovada esperança, mesmo sabedores da independência de suas células, temos recebido contundentes manifestos de algumas Lojas, que,  literalmente, e com clareza, demonstram e externam um repúdio e um desconforto com os rumos  da nossa desgovernança. Tal foi a mega-reunião ocorrida em Brasília, em 30 de março último, em que a Arte Real homenageou as Forças Armadas e firmou com elas, uma indissolúvel aliança, em prol do Brasil! Tal foi a cruzada em defesa da Amazônia brasileira, cobiçada internacionalmente, desde sempre, que vem sendo desenvolvida por todos os maçons, em âmbito nacional, já faz dois anos!

Nada mais natural, conforme reza o bom senso, que prestemos atençã o quando a Maçonaria se pronuncia. Podemos entender que, condenando os rompantes e inverdades que fazem parte do dia-a-dia de alguns líderes nacionais, ao pronunciar–se, prime suas palavras pelo siso e pela irrestrita obediência à verdade.

Comprovamos, pela veemência de seus Manifestos e Campanhas, que seus membros acreditam, como nós, que estamos mergulhando às cegas no caos.

Denunciam que, ao cabresto de aventureiros e inconsequentesrumamos para um regime social – sindicalista, e que não estamos construindo uma grande nação, e sim, somos cobaias de um abjeto projeto de poder.

Acreditam que a construção de uma sociedade que mereça tal denominação, não pode ser edificada sobre allicerces forjados na manipulação e no engodo.

Ressaltando uma unidade de pensamento e uma dignidade incomuns na plagas nativas, repelem com vigor o caminho, que com esmolas e às tontas, segue a nação brasileira.

Não somos, e certamente os maçons também não, a consciência nacional, entretanto, ficaremos roucos de tanto denunciar e vaticinar que o despreocupado povo brasileiro não ficará impune às suas inconsequentes escolhas.

Aos maçons, convidamos, não para o banquete da vitória, mas para a árdua luta de despertar uma sociedade alienada e amorfa.

Uma missão quase impossível.

Que o nosso desconforto, nosso alerta, pouco a pouco conscientize os cidadãos de bem, aos indivíduos responsáveis e que eles despertem de seu marasmo, e não se limitem à cômoda posição de meros espectadores do descalabro, das ignomínias, das corrupções e da falta total de pudor e de vergonha que assolam à Nação.

Conclamamos para a adoção de uma posição proativa, não pela força, mas pela denúncia, pela indignação, pela perseverança, pelo esclarecimento, pela pressão, pelo alerta constante, esperando que o clamor de 16% seja tão ensurdecedor, que mesmo o patife mais surdo, não possa deixar de ouvir.

Fujamos da aquiescência e do comodismo que embotam as mentes, e tenhamos a convicção de que o errado, o ilícito, a mentira e a trapaça não podem ser aceitos, mesmo que praticados, apregoadas e admitidos como naturais pelas mais cretinas autoridades.

Não interessam aos indivíduos de bem, a desvirtuação dos costumes, a deterioração do caráter, práticas que se tornaram a bandeira para o desmantelamento da sociedade brasileira, e que são praticados acintosa e explicitamente pelo desgoverno, que sem oponentes, dominará os corações e as mentes dos acomodados.

Nos manifestos maçons temos encontrado idêntico desprezo às praticas antiéticas adotadas para a tomada total do poder e, por isso, saudamos com vigor e admiração a coragem e a determinação das Lojas desta respeitável Associação.

Ao que bradamos: Felizmente, não estamos sós!

 

 

Brasilia,DF, 23 de julho de 2009

 

 

* Valmir Fonseca Azevedo Pereira, Gen. Bda Refo

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