Plano Estratégico das FARC frente à geopolítica hemisférica


Cel. Luis Alberto Villamarín Pulido* 

Integrado aos projetos expansionistas do século XXI, delineados pela esquerda latino-americana no Foro de São Paulo, o Plano Estratégico das FARC situa este grupo terrorista não só como uma ameaça local contra a estabilidade interna da Colômbia, mas também como uma séria interferência à segurança continental dada a sua estreita aproximação com o narcotráfico, o terrorismo internacional, o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro. Em que pese as mudanças geopolíticas e geoestratégicas na nova ordem mundial a partir da queda do Muro de Berlim, as quais desembocaram na demonstração fidedigna da inoperância do comunismo e seu marcado distanciamento do trem da história, o Foro de São Paulo, orientado por Fidel Castro e Luis Inácio Lula da Silva, mantém vigente o arcaico conceito da suposta bondade estatal e ditatorial da esquerda extremista.

Nessa ordem de idéias, as FARC, cujo Plano Estratégico prevê aglutinar a esquerda revolucionária armada e desarmada em torno de um projeto socialista continental, encontraram reconhecimento e se converteram em referência para os partidos comunistas latino-americanos, que de uma forma ou de outra exteriorizam simpatias pelas ações violentas dos terroristas colombianos.

Porém, a situação se complicou mais para a Colômbia, Peru, México e os Estados Unidos com a ascensão de diferentes governantes provenientes do Foro de São Paulo às presidências da Nicarágua, Brasil, Equador, Venezuela, Argentina, El Salvador e Bolívia, somada à linha branda frente a estes governantes assumida pela administração norte-americana de Barack Obama.

Os conteúdos dos três computadores encontrados na guarida de Raúl Reyes, autorizada pelo presidente Rafael Correa em território equatoriano, confirmam que as FARC não atuam sós em seu propósito de tomar o poder pela força para instaurar uma tirânica ditadura comunista na Colômbia similar à cubana, senão que, pelo contrário, fazem parte de uma engrenagem internacional urdida para implantar governos esquerdistas em todo o continente, articulados à projeção geopolítica do Foro de São Paulo e à ressurreição do fantasma totalitário do marxismo-leninismo.

A altaneira diplomacia da Venezuela, Equador, Nicarágua e Bolívia, somada à calculada política exterior de Lula da Silva, são fatos sincronizados pela esquerda latino-americana com interesse em posicionar o Brasil socialista como líder regional em lugar dos Estados Unidos, legitimar as FARC e instaurar na Colômbia um governo títere que seja afim aos postulados do Foro de São Paulo.

A explicação é simples e busca o efeito dominó. Derrubada a Colômbia, o resto da América do Sul cai nas mãos dos novos comunistas, apadrinhados por Fidel Castro, Hugo Chávez e Luis Inácio Lula da Silva.

 

Efeitos geopolíticos hemisféricos do socialismo do século XXI 

A ascensão à presidência de vários mandatários latino-americanos filiados ao Foro de São Paulo, alinhados no campo ideológico com a ditadura cubana e com dependência econômica dos petrodólares venezuelanos, assinala um enorme desafio para a consolidação da democracia na América Latina e uma séria interferência à segurança interna dos demais países do continente, ameaçados pela ação subversiva pró-terrorista encabeçada pela ditadura cubana, e secundada pelo populismo venezuelano.

O auto-convencimento messiânico de Hugo Chávez, fiel reflexo do egocentrismo de Fidel Castro, a expensas de pisotear seus próprios compatriotas, ultrapassou os limites fronteiriços venezuelanos e penetrou na estrutura de poder em todos os governos regionais aos quais Chávez tem facilitado dinheiro para financiar as respectivas campanhas presidenciais.

Desse cordão umbilical dependem Rafael Correa do Equador, Funes em El Salvador, Cristina de Kirchner na Argentina, o bispo Lugo no Paraguai, Daniel Ortega na Nicarágua, Evo Morales na Bolívia e o deposto Zelaya de Honduras.

A esta situação se somou com coincidência negativa o isolamento paulatino para com a região por parte da política exterior dos Estados Unidos durante a década dos noventa, após a queda do Muro de Berlim e da administração de Bill Clinton.

De maneira incompreensível a Casa Branca deixou a América Latina só e se dedicou à guerra contra o terrorismo islâmico, porém esqueceu que Fidel Castro, Chávez e Lula poderiam recompor o anquilosado sonho totalitário de ver a América Latina inteira regida por uma ditadura marxista-leninista.

Finalmente, o presidente Obama e sua Secretária de Estado Hillary Clinton, assumiram uma atitude ambígua frente ao evidente crescimento dos regimes marxistas e sua sinistra intenção de desestabilizar a institucionalidade e as democracias no hemisfério.

Mediante atitudes tolerantes e indiferentes a Casa Branca minimizou o alcance da agressão, questionou o mais firme aliado no hemisfério e deu a sensação de indolência frente ao drama e à sangria padecida pela Colômbia na luta contra o narco-terrorismo.

 

Outros componentes do narco-terrorismo fariano

Aos elevados ingressos pelo narco-tráfico apoiados pelos governos marxistas do Equador e da Venezuela, as FARC agregam uma dose importante de propaganda difundida pela chamada Frente Internacional, a qual tem estruturas assentadas no Velho Continente, Austrália, Canadá e América Latina, todas elas coincidentes com a plataforma ideológica do Movimento Bolivariano que Hugo Chávez financia.

Para o efeito desenvolveram uma guerra midiática calculada, na qual os propagandistas farianos aproveitam as vantagens da tecnologia, a amplitude de difusão da Internet e, sobretudo, os contatos políticos com os dirigentes dos partidos comunistas de quase todo o planeta.

Assim, se infiltraram em universidades do México, Brasil, Equador, Venezuela e Argentina; em sindicatos no Canadá, Bolívia, Chile, Argentina, Brasil, Espanha e Suíça; além de obter simpatias abertas dos comunistas da Itália, Espanha, México, América Central e Turquia.

Ao mesmo tempo, integraram suas estruturas terroristas aos planos de radicalização ideológica de comunidades fronteiriças da Colômbia com o Equador e a Venezuela, atividade para a qual a ONG Associação Latino-Americana de Direitos Humanos (ALDHU), presidida pelo ex-ministro equatoriano Gustavo Larrea, serviu de trampolim para conseguir documentos de identidade equatorianos ou venezuelanos para muitos terroristas das FARC que se exilam em inúmeros países como “perseguidos políticos”, do mesmo modo que têm feito no Canadá.

Para conseguir os significativos alcances publicitários e políticos, as FARC têm contado com a cumplicidade dos governos enunciados e diversas organizações de esquerda como a Coordenadora Continental Bolivariana, as Casas da Alba na América Latina, as Mães da Praça de Maio, os Comitês de Defesa da Revolução na Venezuela, Equador e Bolívia, e o partido comunista dominicano. Do mesmo modo como a evidente tentativa de reconhecimento político encabeçado pela senadora colombiana Piedad Córdoba e seu etéreo grupo autodenominado Colombianos pela Paz.

Nessa ordem de idéias, o seqüestro de militares e policiais se converteu em um sinistro mecanismo de busca da legitimação política consentida pelos cúmplices nacionais e internacionais das FARC. Os computadores de Raúl Reyes demonstraram a existência de um grupo de dirigentes políticos de esquerda colombianos, integrados ao Plano Estratégico do grupo terrorista e ao qual os meios de comunicação intitularam “FARCpolítica”, com a coincidência de que todos os nomeados nos computadores de Reyes fazem parte de Colombianos pela Paz e, portanto, são fiéis defensores do acordo humanitário.

É tal a dimensão publicitária do acordo humanitário que, do mesmo modo que no caso de Ingrid Betancourt, a proposta guerrilheira da libertação do cabo Moncayo por quem seu pai, financiado pelas FARC, tem feito uma enorme campanha de desprestígio contra o presidente Uribe, é no fundo uma manobra obscura e uma habilidosa empulhação tendente a legitimar às FARC, tirar-lhes o rótulo de terroristas, e outorgar-lhes status de beligerância com embaixadas inclusive em Brasília, La Paz, Manágua, Caracas, Buenos Aires e Quito.

Não obstante a desinformação, a manipulação é grande. Em que pese os reveladores achados nos documentos eletrônicos confiscados de Raúl Reyes, há funcionários estultos e organizações esquerdistas interessadas em deslegitimar seu valor probatório, atitude que cai como anel no dedo para Chávez, Correa e os demais conjurados contra a Colômbia.

Conclusões

1. As FARC estão integradas ao projeto totalitário continental promovido pelo Foro de São Paulo, tendente a reviver a Guerra Fria, isolar os Estados Unidos da política latino-americana e posicionar o Brasil como o novo líder regional.

2. Os partidos comunistas da América Latina fazem parte do complô subversivo das FARC e seus cúmplices, com vistas a derrocar o governo colombiano para causar o efeito dominó na América Latina.

3. As Casas da Alba e outras organizações de esquerda afins a Hugo Chávez são parte ativa do Foro de São Paulo, da Coordenadora Continental Bolivariana e, portanto, pontais do socialismo do século XXI, promulgado pela ditadura cubana e seus súditos de Caracas, Quito, La Paz, Manágua e Buenos Aires.

4. Em que pese a morte de Raúl Reyes na guarida que tinha no Equador, consentida pelo presidente Rafael Correa, a denominada Frente Internacional das FARC continua muito ativa atrás da legitimação política do grupo terrorista, após um manhoso acordo humanitário que permita o reconhecimento do status de beligerância com a conseqüente instalação de embaixadas farianas no Equador, Venezuela, Bolívia, Nicarágua, Argentina e Havana, situação que desataria uma guerra sem precedentes no hemisfério.

*Cel. Luis Alberto Villamarín Pulido, coronel da reserva do Exército da Colômbia, sociol[ogo, escritor e ex-professor das escolas militares da Colômbia, especialista em operações de contra-guerrilha, tendo sido condecorado diversas vezes por ações de combate. Atualmente é analista e consultor em assuntos estratégicos.

 

Fonte

1. Mídia Sem Máscara

 

Notas

1. Artigo escrito especialmente para a Revista do Estado-Maior das Forças Armadas do Peru.

2. Traduzido pela jornalista Graça Salgueiro, estudiosa do Foro de São Paulo, do regime castro-comunista e de seus avanços na América Latina, especialmente em Cuba, Venezuela, Argentina e Brasil. É articulista do Mídia Sem Máscara, onde também colabora como tradutora e revisora, e proprietária do blog Notalatina. Atualmente colabora com o site argentino La Historia Paralela.

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