Internet na tomada


Essa opção está sendo oferecida por companhias elétricas. Vale a pena?

Renan Fagundes

Funcionária da AES Eletropaulo Telecom demonstra o aparelho que transmite internet pela rede elétrica. O serviço deverá ser lançado em breve no Brasil.

Até o final deste ano, os usuários de internet do Brasil poderão contar com uma nova maneira de se conectar: a tomada. No mês de abril, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicou uma regulamentação que libera a internet rápida por meio da eletricidade. A tecnologia é conhecida como PLC, sigla em inglês para comunicação pela linha elétrica. Esse pode ser um grande passo na expansão da banda larga no Brasil, pois a rede elétrica alcança quase todas as regiões do país. E, para quem já tem outra forma de acesso, vale a pena trocar?

A resposta depende de suas necessidades. A principal vantagem da tecnologia pela tomada é a existência de rede elétrica em quase todos os lugares. Por isso, não é necessário que técnicos instalem fiações de telefone ou cabos de TV na casa dos usuários. Depois que o sinal da conexão é liberado, basta conectar um modem específico a qualquer tomada da casa para que aquele ponto de energia se transforme também num ponto de conexão à rede de computadores. O modem é portátil. Parece um desses carregadores de bateria de celular. Pode ser trocado de tomada conforme a necessidade do usuário, uma flexibilidade que não existe na internet a cabo ou por telefone. Em testes fechados que a AES Eletropaulo Telecom está realizando em 150 domicílios de São Paulo, a conexão por rede elétrica tem registrado boas velocidades tanto para baixar quanto para transmitir arquivos (compare no quadro abaixo).

A ideia de usar a rede elétrica para transmitir informações é surpreendentemente antiga. Nos anos 1930, algumas companhias de energia japonesas começaram a pesquisar como usar os próprios fios para levar os dados sobre o consumo de energia a cada residência, para facilitar o monitoramento e a cobrança. Pelas dificuldades técnicas, apenas um volume de dados pequeno podia ser transmitido. A tecnologia avançou nos últimos dez anos, graças a pesquisas feitas principalmente pela companhia estatal de eletricidade da França e pela empresa de comunicação suíça Ascom. Hoje, a tecnologia é mais difundida nos Estados Unidos, na Espanha, na França, na Índia e na China. Só no ano passado, foram vendidos 5 milhões de adaptadores para internet na tomada no mundo.

Para Teresa Vernaglia, diretora-geral da AES Eletropaulo Telecom, essa pode ser uma opção para alcançar uma parte da população brasileira que não é atendida pelos serviços existentes hoje – que vão desde conexão por satélite para lugares remotos até o WiMax, distribuído coletivamente por grandes antenas na rua em alguns centros urbanos. “Apesar de existirem todas essas tecnologias, ainda temos no Brasil, em geral, dificuldade de acesso a banda larga”, afirma Vernaglia. Segundo dados do Ibope Nielsen Online, apenas 15% da população tem internet de alta velocidade em casa. Entre os serviços disponíveis hoje, os principais são a linha telefônica e o cabo, que somam mais de 90% dos usuários. Ambos dependem da instalação de redes próprias para comunicação, o que exige investimento pesado em infraestrutura para expandir a abrangência dos serviços. É com essas opções que a internet pela tomada deverá concorrer.

Por outro lado, a linha elétrica é compartilhada entre os usuários. Isso significa que, quanto mais pessoas estiverem conectadas ao mesmo tempo, menor será a velocidade da internet. Além disso, a conexão também pode sofrer interferência de outros aparelhos ligados na rede elétrica. A velocidade pode cair se você ligar um secador de cabelo, por exemplo. Segundo Vernaglia, a empresa testou filtros que impedem essa interferência. A eficácia do sistema só poderá ser verificada quando um número maior de usuários domésticos comuns optar pela tecnologia. Por enquanto, são apenas testes. Nem a Eletropaulo nem a Copel, companhia elétrica do Paraná, que também vai oferecer o serviço, sabem ainda quais serão as velocidades e os preços para esse tipo de conexão. Se as condições forem competitivas, essa forma de conexão poderá massificar o acesso à internet de banda larga no Brasil.


Fonte

1. UOL

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