Evolução – uma teoria em crise (1)


Por John W. Oller, Jr.*

O livro “Evolution: A Theory in Crisis” (Evolução – Uma Teoria em Crise?), de Michael Denton, é uma crítica secular do darwinismo ortodoxo. É uma leitura reflexiva, lógica, empírica e muito bem escrita. Denton é inteligente, respeitoso e equilibrado, mostrando um profundo conhecimento a respeito do que escreve e simpatias a Charles Darwin.

Tipos de Evolução

Começa distinguindo microevolução de macroevolução. O primeiro ocorre dentro dos genótipos. Os tentilhões dos Galápagos estudados por Darwin ilustram a microevolução, o mesmo que o suplantamento circunpolar entre espécies de gaviotas, e as muitas variedades de moscas da fruta nas ilhas Havaí. No entanto, a criação seletiva das galinhas, pavões, gado, cavalos, cães, gatos e muitos outros animais domésticos dão resultados similares em menos tempo.

A macroevolução, o segundo conceito, é o que deveria ter ocorrido se a evolução tivesse chegado a primeira célula, ou saltasse através dos genótipos, digamos, que de um réptil a uma ave. Enquanto e microevolução é evidente na distribuição geográfica de muitas espécies vivas (2) e na criação seletiva, ele sustenta só a teoria especial de Darwin, a da variação dentro dos genótipos. No entanto, na teoria geral, a  mudança através dos tipos (ou macroevolução) exige a mudança a outro e não somente um movimiento lateral.

Macroevolução

Para a macroevolução, o problema é como puderam surgir formas de vida viáveis totalmente desenvolvidas por acaso.  Denton cita a Monod, que disse: “O puro acaso está na origem de cada inovação, de toda criação na biosfera. O puro acaso, absolutamente livre, mas cego” (3). Supõe-se que o acaso deu origem ao primeiro organismo – talvez uma bactéria, uma alga ou protozoário. Posteriormente, segundo propõe a teoria, a mudança se desenvolveu em complexos invertebrados e plantas, seguidos pelos peixes, anfíbios, répteis, aves e, por último, os mamíferos.

Segundo Denton, a prova de uma seqüência assim exige ao menos um dos dois tipos de evidência: ou uma cadeia ininterrupta de fósseis de transição, de intermediários sobreviventes ou reconstruções plausíveis de tais séries juntos com seus respectivos nichos ecológicos. A dificuldade está em mostrar como cada elo da cadeia poderia ser viável no tempo suficiente para que pudesse estabeler-se a segunda. Só através do estabelecimento de séries completas de transição pode tornar plausível a hipotetizada continuidade da hierarquia – desde já, a prova empírica é uma exigência muito mais difícil de suprir. Aqui, o que se trata é de mera plausibilidade. Se estas transições jamais ocorreram, deveria existir formas intermediárias nos fósseis e nos organismos vivos. Os limites claramente marcados deveriam ser mais exceção do que a regra.

Ainda que Darwin esperasse que chegariam a aparecer transições fósseis, não foi assim. Só apareciam casos triviais de microevolução, dificilmente rivalizando com a criação seletiva. E não foi possível nenhuma medição precisa da distância entre as classes existentes mesmo já passados mais de cem anos.

Celacanto

Na base da evidência fóssil, os evolucionistas criam que se tratava de um intermediário entre os peixes e os anfíbios. As reconstruções mostravam o Celacanto com características anfíbias e ictíneas. Posteriormente se descobriram Celacantos vivos no Oceano Índico perto da cidade do Cabo, África do Sul. Eram peixes. As reconstruções haviam sido erradas. O que demonsra que os fósseis constituem uma pobre base para inferências detalhadas sobre os elos propostos entre as classes.

Microbiologia

No entanto, Denton observa que os avanços na microbiologia possibilitam chegar a um novo tipo de evidência. Agora é possível comparar diretamente os blocos básicos de construção – as proteínas – dos seres vivos. Denton observa que as proteínas determinam “toda a biologia de um organismo, todas suas características anatômicas, suas funções fisiológicas e metabólicas….” (4) É difícil crer que a estrutura proteínica e a evolução puderam carecer de relação. Denton escreve:

A sequência aminoácida de uma proteína de dois organismos diferentes pode ser facilmente comparada alinhando as duas seqüências e contando a quantidade de posições em que difierem as cadeias. (5) E estas diferenças podem ser quantificadas de uma maneira exata e provem um enfoque inteiramente novo para a medição das diferenças entre espécies

Ao prosseguir o trabalho neste campo, se tornou claro que cada proteína particular tinha uma seqüência ligeiramente diferente nas espécies diferentes e que espécies estreitamente relacionadas tinham seqüências estreitamente relacionadas. Quando se comparam as seqüências de hemoglobina de mamíferos diferentes, como o homem e o cão, a divergência sequencial era ao redor de vinte por cento, enquanto que ao comparar-se a hemoglobina de dois espécies dissimilares como o homem e a carpa, se encontrou que a divergência seqüencial era ao redor de cinqüenta por cento. (6)

Estas comparações possibilitam a comprovação de hipóteses sugeridas pela ortodoxia neodarwinista. Por exemplo, suponhamos que as bactérias tenham estado presentes por muito mais tempo que as espécies multicelulares, p.e., os mamíferos. Suponhamos  que as bactérias estejam mais estreitamente relacionadas com as plantas que com os peixes, anfibios e mamíferos, nesta ordem. Se é assim, deveríamos ver evidência destes fatos nas seqüências de aminoácidos das proteínas comuns. Por exemplo, todos os grupos mencionados empregam citocromo C – uma proteína empregada na produção de energia. As diferenças nesta proteína deveriam concordar com uma seqüência evolutiva. No entanto, a comparação do citocromo C bacteriano as proteínas correspondentes no cavalo, atum, bicho da seda, trigo e levedura mostram que estas últimas são todas eqüidistantes do da bactéria. A diferença entre a bactéria e a levadura não é menor que entre a bactéria e o mamífero, ou entre quaisquer das outras classes.

Tampouco muda a coisa se escolhemos outras classes ou proteínas diferentes. As classes tradicionais de organismos são identificáveis através da hierarquia tipológica e as distâncias relativas entre as mesmas resultam similares, com independência das hipotéticas seqüências evolutivas. Por exemplo, Denton observa que os anfíbios não se encontram entre os peixes e os vertebrados terrestres. Ao contrário da teoria ortodoxa, os anfibios estão a mesma distância dos peixes que os répteis e os mamíferos (7).

Em todas as comparações, as hipóteses do evolucionismo geral resultam falsas. Escreve Denton: A descoberta realmente significativa que vem à luz ao comparar as seqüências aminoácidas das proteínas é que é impossível dispô-las em nenhuma classe de série evolutiva (8).

O resultado disto é que todo o conceito da teoria da macroevolução se desmonta, vira pó do passado (9). [devido a que] a pauta de diversidade ao nível molecular se conforma a um sistema hierárquico sumamente ordenado. Cada classe é, ao nível molecular, singular, isolada e carente de relação mediante intermediários (10).

Além disso, os ajustes acidentais do desenho que exige o evolucionismo geral são desastres lógicos que estão se transformando em desastres ilógicos – quase como uma ‘religião’ – em virtude da persistência de defesas que contrariam a ciência atual, especialmente as oriundas da microbiologia. As mutações aleatórias devidas a radiação, a erros de cópia ou  outras fontes propostas, raramente resultam em ajustes viáveis de design e nunca em designs perfeitos mais avançados.

A evidência a favor de uma evolução geral está totalmente ausente e as predições em base da teoria resultam falsas. Darwin chegou a confessar isto ao afirmar “… que o sinal das formas específicas e o fato de que não estejam amalgamadas entre si mediante inumeráveis formas de transição é uma dificuldade muito evidente” (11). Contudo, ele insiste em uma mudança gradual devido a seleção natural que, ao seu entender, não poderia produzir modificações grandes ou repentinas; só pode atuar mediante passos curtos e lentos (12).

Mais de um século depois, o registro fóssil segue sem ajustar-se a ortodoxia darwinista. Ironicamente, foi ao admitir este “segredo profissional da paleontologia(13) que o professor Stephen Jay Gould, de Harvard, adquiriu fama e glória. A partir de Darwin, os investigadores chegavam a abismos intransponíveis por todas partes da hierarquia biológica. No entanto, pretendiam a afirmavam que estes abismos não existiam. Isto preparou a cena para a teoria dos saltos de Gould – idéia esta que Darwin havia negado de modo expresso.

Teoria dos saltos de Gould

A idéia de Gould é semelhante às fantasias de Fred Hoyle (14) e de Francis Crick (15) sobre as civilizações extraterrestres. Enquanto Gould, junto com seu colega Niles Eldredge, propõe milagrosos saltos repentinos no progresso evolutivo, (16) Hoyle e Crick propõe a panspermia – sementes de vida procedentes de alguma civilização extraterrestre. Todas estas teorias servem só para se desviar do problema real. Denton as nega, e conclui que um design perfeito implica uma suprema inteligência. Mas, ao contrário de Gould, Eldredge, Hoyle e Crick, não alcança sua própria proposta a partir de uma imaginação desbocada, mas por uma implacável aplicação da lógica.

Ele observa que o problema do desígnio e sua solução encontram uma analogia quase perfeita na dificultade de gerar textos em um idioma determinado. Enquanto que a quantidade de textos possíveis é grande, a quantidade de cadeias de letras carentes de sentido e muito maior nas ordens de infinitude. É tirar muito por baixo dizer que a probabilidade de gerar por acaso inclui um texto gramatical de só uns poucos centos de palavras é desprezivelmente pequena. Qualquer cadeia de linguagem com sentido implica inteligência.

Da mesma maneira, as seqüências viáveis do material da vida estão em uma proporção infinitesimal frente a todas as possíveis seqüências. A questão é como poderia surgir por acidente uma seqüência viável. Denton considera as probabilidades. Cita a Hoyle e Wickramasinghe, que estimam que a probabilidade de que uma só célula vivente surgisse espontaneamente a existência seria de 1 entre 1.040.000 chances – “uma probabilidade impossivelmente pequena… mesmo se todo o Universo consistisse de sopa orgânica”. (17) Referindo-se logo a “elegância e gênio de uma qualidade absolutamente trascendente, que de tal maneira milita contra a idéia do acaso…” ele pregunta: “É verdadeiramente crível que uns processos do acaso tenham podido construir uma realidade, cujo mais mínimo elemento da mesma – uma proteína ou gene funcional – é complexa até mais além… de qualquer coisa produzida pela inteligência do homem?” (18)

Ao final, sugere Denton, os defensores da ortodoxia evolucionista são como a rainha Vermelha de Alice no País das Maravilhas. Quando Alice protestou que de nada servia crer em coisas impossíveis, a rainha lhe disse: “Vejo que não tens muita prática… quando eu tinha sua idade, o fazia meia hora por dia. Vá! às vezes eu acreditava em até seis coisas impossíveis antes do café da manhã!” (19).

*  John W. Oller, Jr., Ph.D, linguísta da Universidade de New Mexico.

Referências

1. Este artigo é uma resenha do livro de Michael Denton, “Evolution: A Theory in Crisis” – Bethesda, Maryland: Adler and Adler, 1986, 368 págs. Doutor Denton é biólogo molecular e doutor em medicina. Não é criacionista, e nenhum de seus argumentos nem evidências se relaciona com considerações religiosas.

2. A distribução geográfica dos organismos foi, afirma Denton, a principal inspiração de Darwin: “A origem de toda minha linha de pensamento”. Véase Charles Darwin, The Origin of Species, 6(a) edição, 1872, reeditada em New York: Collier, 1962, pág. 25 (citado por Denton, op. cit., pág. 45).

3. Jacques Monod, Chance and Necessity (Azar e Necessidade), Londres: Collins, 1972, pág. 110 (citado por Denton, op. cit., pág. 43).

4. Denton, op. cit., pág. 303.

5. Ibid., pág. 275.

6. Ibid., pág. 276.

7. Ibid., pág. 285.

8. Ibid., pág. 289.

9. Ibid., pág. 291.

10. Ibid., pág. 290.

11. Veja Charles Darwin, op. cit., pág. 307 (citado por Denton, op. cit., pág. 56).

12. Veja Charles Darwin, op. cit., pág. 468 (citado por Denton, op. cit., pág. 57).

13. Stephen Jay Gould, The Panda’s Thumb, New York: Norton, 1980, pág. 181 (citado por Denton, op. cit., pág. 194).

14. Fred Hoyle, The Intelligent Universe, Londres: Michael Joseph, 1983. Veja também Fred Hoyle y Chandra Wickramasinghe, Evolution from Space, Londres, Dent, 1981.

15. Francis Crick y L. E. Orgel, “Directed Panspermia“, Icarus 19, 341-346; Veja também Francis Crick, Life Itself, New York: Simon and Schuster, 1981.

16. Niles Eldredge y Stephen Jay Gould, “Punctuated equilibria: an alternative to phyletic gradualism“, in T.J.M. Schopf, ed., Models in Palaeobiology, San Francisco: Freeman, 1973, págs. 82-115.

17. Hoyle, F. y Wickramasinghe, C. 1981. Evolution from Space. Londres: Dent and Sons, pág. 24 (citado por Denton, op. cit., pág. 323).

18. Denton, op. cit., pág. 342.

19. Lewis Carroll, Alice Through the Looking Glass, Londres: Macmillan, 1880, pág. 100 (citado por Denton, op. cit., pág. 342).

Notas

1. Este artigo foi publicado originalmente pelo Institute for Creation Research – Junho, 1988.

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3. Tradução para Português – Emerson H. de Oliveira

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