Desabafo do Major


Por Major Frederico Ramos Pereira *

Companheiros.

Há tempos venho me controlando para não me expressar, dizer o que realmente sinto… Mas basta! Ou escrevo ou tenho um câncer ou um ataque cardíaco.

Estamos vivendo num país onde os ricos são amigos dos poderosos e nunca são lesados ou punidos; os poderosos são ricos e entram na regra anterior. Fazem e acontecem e nada acontece! Poutro lado os pobres e miseráveis, na maioria ignorantes – a verdade seja dita – já estão comprados pelo governo (leia-se PT) com suas bolsas, auxílios, esmolas, etc.  E nessa dança do louco a classe média só se fode. banca os impostos dos ricos e as esmolas dos pobres.

Como um simples majos do exército brasileiro, me descontam em torno de R$ 17 mil por ano só de imposto de renda; sem mencionar iptu, ipva, tac, iof, ipqp…. Alguém paga isto de livre e espontânea vontade ao leão?

Leio os jornais e ouço noticiários e só me informo sobre desgraças, corrupções, falcatruas… e absolutamente nada acontece! Nenhum criminoso graduado é punido neste país!

Será que a coisa tá ruim mesmo ou eu é que sou muito pessimista?

Nossos políticos, incluíndo o presidente, 99% do senado e 99,9% do congresso estão cagando para Hora do Brasil. Querem é se dar bem, fazer caixa e eternizar a curriola; revelando e apadrinhando mais fdp para estuprar a Pátria Amada, embarrigá-la e abandonar os filhos feios e pobres.

E a violência? Todos sabem que em grande parte ela e motivada e sustentata pela corrupção e o tráfico de drogas. Se abafarem as entradas da droga ela não chega aos grandes centros e a criminalidade é asfixiada – é simples assim. Por quê não fazem isso? Porque grande parte dos políticos tem seus tentáculos depositados sobre o tráfico ou vice-versa. Aí um tenente, formado pelo melhor estabelecimento universitário deste país, a AMAN – Academia Militar das Agulhas Negras – na qual tive orgulho em ter se formado em 1989 – é colocado numa favela, devido entre conchaves políticos, com a participação do Exército Brasileiro (meu Deus!), é submetido a horas de patrulha no morro da providência, tendo que liderar seu pelotão e controlar seus homens. Este tenenete deve ter engolido a seco várias e várias provocações de muitos marginais e subprodutos do crime, até que, como todo ser humano, aloprou e fez o que fez.

A forma foi certa? Não… Claro que não; mas aqueles garotos (se é que podemos chama-los assim), mas cedo ou mais tarde iriam morrer, seguindo as estatísticas das vítimas do tráfico – e não deviam ser boa coisa não para provocar o Exército. Eu estive em Providência (em março) com o 25º Batalhão de infantaria pára-quedista (25º BIPQDT) e vi a situação a que eram submetidos meus soldados. É muito fácil para qualquer um, de longe, cheiroso e sob um ar condicionado crucificar esse oficial, mas guerra é guerra.

Sou carioca de Bonsucesso mas reconheço que o Rio está em guerra civil. E estão colocando tropas no olho do furacão. Lembrem-se, o tenente é um acadêmico – outros universitários só vão à favela para participar de ong sem vergonha e fumar maconha. O tenente estava trabalhando. Se eu solto meu filho de 10 anos numa loja de louças chinesas e ele quebra um vaso caro a culpa é só dele?

Foi deprimente ver na televisão aquela visita do Ministro da Defesa à família de uma das “vítimas”, mais deprimente ainda foi ver a cara de algumas ‘autoridades’ que o acompanhavam, cordeirinhos! Enquanto isso cadê o General Heleno que só falou a verdade? Vários medicamentos baseados em substâncias que só encontramos na amazônia são hoje patentes estrangeiras! O açaí, por exemplo, é de patente japonesa! E com isto o Brasil só se ferra…

Gringos compram pedaços da nossa amazônia a preço de banana. Tudo indica que têm político graúdo roubando feio e levando vantagens nessa história, mais uma vez, cagando para Hora do Brasil.

Como militar de tropa e da ativa, sem sangue azul, sem me preocupar em me dar bem com missões “boca boa”, sem ser carreirista, sempre sincero com superiores e leal com subordinados, já sei como agir de agora em diante. Nossa profissão é meio de vida e não meio de morte, cada vez mais serei corporativista, aos militares tudo o resto que se f…

Como subcomandante exijo que o batalhão cumpra horários, mas o libero na hora certa. Estamos acostumados a cumprir missões à qualquer custo – sem meios, sem apoios, sem dinheiro…

Desde que entrei no exército ouço que somos um país pobre! Até quando? Falta-me pouco mais de seis anos para a reserva e nada mudou. Vai mudar? Não creio. Num país onde bilhões são desviados para bolsos de safados e ilhas fiscais, temos que engolir que não há dinheiro para as forças armadas! E tem gente que engole ou finge que engole para não se queimar.

Hoje, meu compromisso é com minha família e com meus amigos, que me respeitam. Com eles não posso me queimar, com o resto? Não estou mais miminamente preocupado.

Me dói ver safados chamar o período de 1964 a 1985 de ditadura; vê-los receber indenizações como vítimas deles mesmos. Vê-los nos achincalhar, pisar, submeter e humilhar… Vê-los no poder nos olhando com soberba. Me enfarta vê-los serem agraciados com medalhas do “pacificador” Quanto disperdício de metal barato!…

Eu tenho quase 20 anos só na tropa; destes, 10 anos na brigada pára-quedista. Durante todo esse período jamais fui punido ou mesmo advertido; sempre fui leal à minha pátria e ao exército brasileiro.

O que também me dói é ver oficiais da nossa força, que vestem pele de amantes da instituição, mas na verdade estão preocupados apenas com seu umbigos, em não se queimar!

A razão de ser,a base de qualquer exército é a tropa. Quanto melhor treinada, disciplinada, motivada e coesa, melhor será sua atuação, pois é exatamente a tropa que na hora do pau vai dar a cara para bater. No entanto, há oficiais em nosso exército que diz que medalha de corpo de tropa é para sargento, que quem é de tropa é burro e ficam aí piruando, fazendo conchaves, paparicando políticos e poderosos para ser instrutor da AMAN, ESAO e ECEME para ganhar pontinhos e pegar “bocadas”; alguns desses “oficiais da vergonha” chegam à coronel e mesmo general sem ter nem 10 anos de tropa! Que país é este meu Deus? A onde, no passado, nos desviamos do nosso destino de ser uma grande nação?

Estou começando a achar que sou otário. Vou ficando por aqui, agradeço a atenção.

Não vou mais engolir sapo, homens têm que ter coragem. Homem não tem medo de homem. Boca é pra falar. Tenho um filho e não quero que ele veja em mim um covarde.

Nunca me vendi e nunca me venderei por conveniência; sigo meus princípios. olho nos olhos das pessoas com que falo. Minha única fortuna é o meu caráter. Minha vida é minha família. Desta vida só levamos a família e os amigos. De toda a vida, apenas aqueles que estiverem ao redor de seu túmulo no dia do seu funeral é que valeram a pena, o resto foi o resto!

Brasil, acima de tudo…

* Frederico Ramos Pereira, major do exército brasileiro – PQDT NR 56.288

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