Israel bate recordes de cresimento


Por Henrique Cymerman *

Israel registrou nos últimos meses o maior crescimento dos países ocidentais. Segundo transcendeu na reunião realizada em Jerusalém do chamado Grupo dos 30, que inclui importantes economistas, políticos e presidentes de bancos centrais de todo o mundo, no primeiro trimestre a economia israelense cresceu 5,4% e as exportações, 12,6%.

“Israel tem provavelmente a economia de maior êxito do mundo na atualidade”, disse o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, em uma conversa com seu homólogo israelense, Stanley Fisher. Trichet acrescentou: “A economia de Israel colhe os frutos positivos da globalização sem ser prejudicada pela crise”.

A verdade é que o crescimento de Israel em 2008 é inferior ao do ano anterior, que cruzou a barreira de 6%. No entanto, surpreendentemente, os últimos dados indicam que a economia israelense está longe da crise e que o país produz mais, exporta mais e se compra mais que nunca.

O boom econômico israelense se destaca ainda mais diante dos sintomas de recessão de alguns países ocidentais.

O economista israelense Gad Lior disse que “a potência da economia israelense se baseia na alta tecnologia, o que faz que alguns falem do Estado israelense como o novo tigre semita”, e acrescentou que “além das estatísticas nota-se um aumento drástico na construção e na compra de carros, de geladeiras, lavadoras e ar-condicionado”.

Talvez o dado mais significativo é que em três meses houve um aumento do consumo privado de 18,8%. As duas principais sombras da economia israelense são que um quinto da população (mais de um milhão de pessoas) vive abaixo do nível de pobreza e que a inflação aumentou 4% ao ano.

“O crescimento econômico superou a estabilidade de preços e é necessário voltar a reduzir a inflação para menos de 3%”, afirma o renomado economista Sever Plotzker, do jornal “Yediot Ajronot”.

O presidente de Israel, Shimon Peres, declarou que com esses resultados dos últimos anos “Israel demonstra solidez”. Peres acrescenta que “é necessário também um desenvolvimento econômico paralelo da Autoridade Nacional Palestina, já que esta é uma das bases para a construção da paz”.

O turismo também está voltando de forma maciça à região. Este ano o número de turistas previstos chega a quase 3 milhões, uma cifra sem precedentes. O aumento em relação a 2007 é de 43%. Muitos deles, especialmente os cristãos, prevêem visitar também a parte palestina, especialmente Belém. De fato, é muito difícil encontrar hospedagem até o fim do verão em um hotel de Tel Aviv, Jerusalém ou do litoral israelense.

Peres salienta que “basta um atentado suicida ou uma operação militar israelense para frear essa nova torre de babel de turistas de todo o mundo”.

O advogado israelense David Oren reconhece que os israelenses não estão acostumados a tantas boas notícias em tão pouco tempo. “O primeiro-ministro, o ex-presidente e o ministro das Finanças estão sendo interrogados pela polícia por corrupção ou por abuso sexual, e, no entanto a atividade econômica continua crescendo como se nada acontecesse”, afirmou.

A futura Palestina, “terra promissora”

Gigi Zaharan, um jovem economista de Nablus, diz que nunca viu tanta atividade econômica na cidade, a capital da rebelião palestina. “Pela primeira vez vejo dezenas de edifícios, centros comerciais e casas em construção, e os mercados estão cheios de gente. Pela primeira vez há segurança nas ruas, com a presença da polícia palestina, e não tenho medo de que meus filhos de 9 e 11 anos brinquem lá fora”, diz.

Seu pai, o importante jornalista palestino Ziad Darwish, diz que é um fenômeno visível em toda a Cisjordânia. “As pessoas que tinham dinheiro escondido começam a acreditar no futuro da Palestina e o tiram para investir”.

Há alguns dias se realizou em Belém uma reunião com investidores de todo o mundo. O primeiro-ministro palestino, Salam Fayad, revelou que foram fechados investimentos no valor de US$ 1,4 bilhão (892 milhões de euros). “Nossos vizinhos israelenses dizem que vivem na terra prometida. Nós, o futuro Estado palestino, somos a terra promissora”, acrescentou.

* Henrique Cymerman, jornalista, escritor e sociologo português formado e ex-professor da Universidade de Tel Aviv.  É atualmente correspondente de diversos veículos de comunicações – em Português, Espanhol e Inglês – no Oriente Médio.

Notas

1. Fonte – La Vanguardia

2. Tradução – Luiz Roberto Mendes Gonçalves


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