Sociedade Manipulada


Por Ben Dror Yemini *

Fatos

1. Desde a criação do Estado de Israel, “um genocídio cruel é perpetrado contra muçulmanos e/ou árabes”.

2. O conflito no Oriente Oriente entre israelenses e árabes no seu todo, e contra os palestinos em particular, é considerado o conflito central do mundo atual.

3. Segundo pesquisa realizada na europa, Israel é considerada “a maior ameaça à paz mundial”. Na Holanda, por exemplo, 74% da população defende este ponto de vista. Não o Irã. Não a Coréia do Norte. Israel.

A ligação entre estes fatos criou a maior fraude dos nossos tempos: Israel é encarado como o país responsável por todas as calamidades, desgraças e sofrimentos. Representa um perigo à paz mundial, e não apenas para o mundo árabe ou islâmico!


Como funciona a fraude

O dedo é habilmente apontado. É difícil culpabilizar Israel pelo genocídio no Sudão ou pela guerra civil na Argélia. Como é que isto é feito?

Articulados por ditas “esquerdas progressistas” dezenas de publicações, artigos, livros, jornais e websites dedicam-se a transformar Israel num Estado que incessantemente comete crimes de guerra. Em Jacarta e Khartoum queimam-se bandeiras israelenses e em Londres, Oslo e Zurique publicam-se artigos carregados de ódio apoiando a destruição de Israel. Qualquer pesquisa na Internet com as palavras “genocídio” contra “muçulmanos”, “árabes” ou “palestinos” – com “sionista” ou “Israel” como contexto – inevitavelmente resultará em condenação à Israel! Mesmo filtrado o lixo, restam milhões de publicações escritas com a maior das seriedades!

Esta abundância dá resultado. Funciona como uma lavagem cérebral, método já esboçado por Maquiavel e descrito em detalhes por Paul Joseph Goebbls. Então, nada de novo no horizonte, a não ser a intensidade das ações que mesmo de formas diferentes visam um único alvo: Israel. Isto é uma posição aceita, e não um simples opinião.

Há cinco anos testemunhamos um espetáculo anti-israelense na Convenção de Durban – ver “Terrorism and Racism: The Aftermath of Durban,” by Anne F. Bayefsky. Há dois anos sentimo-nos chocados quando um membro da nossa comunidade acadêmica acusou Israel de ‘genocídio simbólico’ contra o povo palestino. Mas isso não foi nada. Há milhares de publicações que acusam Israel de praticar um genocídio nada ‘simbólico’!

Sob a capa acadêmica e/ou jornalística, Israel é hoje comparada à infame Alemanha nazista. Em conclusão, há aqueles que apelam para o fim do “projeto sionista”, argumentando que Israel “não têm direito de existir” por ser “um país que comete tantos crimes de guerra, limpeza étnica e genocídio”; por ser “um Estado artificial criado pelos Estados Unidos“; por ser “um Estado apartheid, nazista, fascista“; por ser “o câncer do mundo”… O escritor norueguês Jostein Gaarder, por exemplo, entre outras coisas, escreveu: “chamemos os assassinos de crianças pelo seu próprio nome” – ver Heretics’ almanac: A literary critique of Jostein Gaarder’s infamous piece, por Leif Knutsen). O Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, entre tantas ameaças à única nação judaica do mundo, disse: “vamos varrer israel do mapa“. A conclusão é uma só: Israel não tem direito a existir.


A tragédia real

A verdadeira tragédia de tudo isso é que os verdadeiros massacres acontecem em países árabes e islâmicos. Um genocídio protegido pelo silêncio do mundo cego pela desfocalização das informações. Um genocídio perpetrado por uma fraude que provavelmente não terá paralelo na história da humanidade. Um genocídio que não tem qualquer ligação a Israel, a sionistas ou judeus. Um genocídio majoritariamente contra árabes e muçulmanos, perpetrado majoritariamente por árabes e muçulmanos!

Esta não é uma questão de opinião ou ponto de vista. Isto é o resultado de uma avaliação factual, tão precisa quanto possível, do número de vítimas de várias guerras e conflitos que tiveram lugar desde o estabelecimento do Estado de Israel até hoje. É um morticínio de larga escala. Um massacre. É o extermínio integral de aldeias, cidades e de populações inteiras. E o mundo permanece em silêncio. Os muçulmanos estão, de fato, abandonados. São chacinados e o mundo cala-se; e o que é pior, eles mesmos se calam ou põem a culpa em não muçulmanos! E se abre a boca, não se queixa dos morticínios. Não se queixa destes crimes contra a humanidade. Queixa-se de Israel!


A fraude

A grande fraude, aquela que encobre os fatos reais, continua a crescer por uma razão simples: A mídia, os meios acadêmicos, as esquerdas ditas “progressistas” e milhões de alienados do Ocidente participam dela. Em inúmeras publicações Israel é retratado como um Estado que pratica “crimes de guerra”, “limpeza étnica” e “matanças sistemáticas”. Por vezes é por ser moda, outras por engano ou por acreditar em tudo que é divulgado pela mídia, outras vezes ainda é o resultado de hipocrisia e dualidade de critérios. Por vezes é o novo e o velho antisemitismo, da esquerda e da direita, encoberto ou descarado.


O conflito Árabe-Israelense

O estabelecimento sionista deste país (Israel), que começou nos finais do século 19, criou, de fato, um conflito entre judeus e árabes. O número de mortos resultantes dos diversos confrontos até estabelecimento do Estado de Israel não foi mais de uns poucos milhares, tanto judeus como árabes. A maior parte dos árabes mortos durante esses anos foram-no em lutas armadas entre os próprios árabes, a exemplo da Grande Insurreição Árabe de 1936-1939 – era como um sinal do que iria ocorrer. Muitos outros foram mortos em resultado da mão pesada do Mandato Britânico. Os dados demonstram, como veremos a seguir, que Israel nunca fez nada comparável.

A guerra de Independência de Israel, também conhecida com a Guerra de 48, fez entre 5.000 a 15.000 mortos entre palestinos e cidadãos de países árabes. Nesta guerra, tal como em qualquer outra guerra, houve atrocidades. Os agressores declararam o seu objetivo de forma clara, e caso tivessem vencido o mundo teria assistido ao extermínio em massa de judeus. Do lado de Israel houve também atos de barbárie, mas estes situaram-se sempre na margem das exceções. Menos, muito menos do que em qualquer outra guerra dos tempos modernos. Muito menos do que continua a ser perpetrado diariamente, por muçulmanos majoritariamente contra outros muçulmanos, no Iraque e no Sudão.

O evento seguinte foi a Guerra do Sinai de 1956. Cerca de 1.650 egípcios foram mortos, cerca de 1.000 por tropas de Israel e cerca de 650 por forças da França e Reino Unido. Depois veio a Guerra dos Seis Dias  em 1967. As mais elevadas estimativas apontam para 21 mil árabes mortos nas três frentes – Egito, Síria e Jordânia. A Guerra do Yom Kippur em 1973, resultou em 8.500 árabes mortos, desta vez em duas frentes – Egito e Síria.

Houve também guerras “menores”: a primeira Guerra do Líbano, que inicialmente for a apenas contra a OLP e não contra o Líbano. Esta foi uma guerra dentro de outra guerra. Estes foram os anos da sangrenta guerra civil libanesa, uma guerra que discutiremos mais à frente. Tal como a segunda guerra do Líbano, na qual cerca de mil libaneses perderam a vida.

Milhares de palestinos foram mortos durante a ocupação israelita dos territórios, que foi iniciada no final da Guerra dos Seis Dias. A maioria das baixas registaram-se durante as duas intifadas. A de 1987 resultou na morte de 1.800 palestinos e a iniciada em 2000, na morte de 3.700 palestinos. Depois dessas intifadas houve outras ações militares de Israel – em resposta à ataques palestinos à territórios israelense – que causaram fatalidades entre a população árabe. Se exagerarmos podemos dizer que mais umas poucas centenas de pessoas foram mortas. Não centenas de milhares e nem muito menos milhões.

A contagem total dá cerca de 60 mil árabes mortos no quadro de todos os conflito árabe-israelense. Entre eles, alguns milhares de palestinos, apesar da argumentação mundial afirmar que é “por causa deles, e só por eles, que Israel é o alvo da ira mundial”. Todas as mortes são absolutamente lamentáveis. É perfeitamente aceitável e perfeitamente normal criticar Israel. Mas a censura obsessiva enfatiza um fato ainda mais espantoso: o silêncio do mundo, ou pelo menos o seu silêncio relativo, face ao extermínio sistemático de milhões – eu disse MILHÕES e não milhares – de outros perpetrados por regimes árabes e muçulmanos.


O preço do sangue muçulmano

Daqui para a frente colocamos outra questão: Quantos árabes e muçulmanos foram mortos durante os mesmos anos por outros países, pela França e pela Rússia, por exemplo, e quantos árabes, muçulmanos e outros foram mortos durante esses mesmos anos por árabes e muçulmanos? A informação aqui coligida é baseada em várias fontes, de institutos e instituições acadêmicas a organizações internacionais (como a Anistia Internacional e outras dedicadas à salvaguarda dos direitos humanos), das Nações Unidas e de organizações governamentais.

Em alguns casos várias organizações apresentam números diferentes e contraditórios. As diferenças por vezes chegam a milhares e mesmo milhões. Provavelmente nunca saberemos os números exatos. Mas mesmos os mais baixos números aceites e estabelecidos, que são a base dos parágrafos que se seguem, apresentam um quadro simultaneamente chocante e assustador.

1. Argélia: Poucos anos depois do estabelecimento do Estado de Israel, deflagrou outra guerra de independência. Desta vez foi a Argélia contra a França, entre os anos de 1954 e 1962. O número de vítimas do lado muçulmano é ainda tema de uma acesa controvérsia. Segundo as fontes oficiais argelinas é superior a um milhão. Há investigadores no Ocidente que aceitam este número. Fontes francesas afirmaram no passado que morreram apenas 250 mil muçulmanos, com baixas adicionais de mais 100 mil entre os muçulmanos que colaboravam com os franceses. Mas estas estimativas são consideradas tendenciosas e baixas. Hoje em dia poucos questionam que os franceses mataram perto de 600 mil muçulmanos. E estes são os mesmos franceses que não cessam de pregar contra Israel; Israel que durante toda a história do conflito com os árabes nem chegou a um décimo desse número e, mesmo assim, apenas contando com as estimativas mais severas.

O massacre na Argélia continua. A Frente Islâmica de Salvação (FIS) venceu as eleições de 1991. Os resultados eleitorais foram cancelados pelo exército. Desde então o país tem vivido uma sangrenta guerra civil, entre o governo central, apoiado pelas forças armadas, e movimentos islâmicos. Segundo várias estimativas, a guerra civil argelina fez mais de 100 mil vítimas mortais. A maioria das quais têm sido civis inocentes. Grande parte das mortes têm ocorrido em massacres horrendos de aldeia inteiras, incluindo mulheres, crianças e velhos.

Sumário – 500.000 a um milhão de mortos durante a guerra de independência; 100.000 na guerra civil desde 1992.

2. Sudão: Um país destroçado por campanhas de destruição, quase todas entre os árabes muçulmanos do norte, que controlam o país, e o sul, onde a população é negra. Este país teve duas guerras civis, e nos últimos anos tem-se assistido a um massacre continuado, com o patrocínio do governo, na província de Darfur. A primeira guerra civil estendeu-se de 1955 a 1972. Estimativas moderadas apontam para 500.000 vítimas mortais. Em 1983 começou a chamada segunda guerra civil. Não foi bem uma guerra civil, mas sim o massacre sistemático definido como genocídio. Os objetivos eram a islamização, a arabização e a deportação em massa que ocasionalmente se tornou massacre, também pela necessidade de controlar enormes campos de petróleo. Estamos falando de quase dois milhões de mortos.

A divisão entre vítimas muçulmanas e não-muçulmanas não é clara. A região de Noba, povoada majoritariamente por muçulmanos negros, foi um dos principais palcos dos horrores. Os negros, mesmo que sejam muçulmanos, não têm a vida nada facilitada. Desde a ascensão ao poder dos radicais islâmicos, sob a liderança do Dr. Hassan Thorabi, a situação tem piorado. Esta é provavelmente a pior serie de crimes contra a humanidade desde a Segunda Guerra Mundial – limpeza étnica, deportações, massacres em massa, escravatura, violação sistemática de mulheres, aplicação forçada das leis islâmicas, crianças retiradas aos seus pais. Milhões de sudaneses tornaram-se refugiados. Tanto quanto saiba, não há milhões de publicações exigindo o “direito de retorno” dos sudaneses e não há nenhuma petição de intelectuais negando o direito do Sudão existir.

Nos últimos anos começou-se a falar de Darfur. Muçulmanos árabes têm massacrado muçulmanos e animistas. Os números são pouco claros. Estimativas moderadas falam em 500 mil mortes do conflito, outras apontam para 1 milhão. Ninguém sabe ao certo. E os massacres prosseguem.

Sumário entre 2.600.00 a 3.000.000 de mortos.

3. Afeganistão: Este país é uma teia de massacres domésticos e externos. A invasão soviética, que começou a 24 de Dezembro de 1979 e terminou a 2 de Fevereiro de 1989, deixou pelo caminho cerca de um milhão de mortos. Outras estimativas falam em milhão e meio de civis mortos, mais 90 mil soldados.

Depois da retirada das forças soviéticas, o Afeganistão enfrentou uma série de guerras civis entre apoiantes soviéticos, os mojahidin e os taliban. Cada um dos grupos defendia e praticava uma doutrina de extermínio do adversário. A soma das fatalidades da guerra civil, até à invasão das forças da coligação internacional lideradas pelos Estados Unidos em 2001, é de cerca de um milhão.

Há quem lamente, e com razão, a carnificina que teve lugar em resultado da ofensiva para derrubar o regime taliban e como parte da luta armada contra a al-Qaeda. Bem, a invasão do Afeganistão provocou um número relativamente limitado de vítimas, menos de 10 mil. Se esta não tivesse ocorrido assistiríamos à continuação do auto-imposto genocídio, à razão de 100 mil mortos por ano.

Sumário De 1.000.000 a 1.500.000 mortos durante a invasão soviética; cerca 1.000.000 mortos na guerra civil.

4. Somália: Desde 1977 que este Estado muçulmano da África Oriental tem permanecido submerso numa interminável guerra civil. O número de vítimas é estimado em 550 mil. São muçulmanos matando muçulmanos. As Nações Unidas tentaram intervir com missões de manutenção de paz que redundaram em fracasso, tal como fracassaram tentativas posteriores das forças americanas.

A maioria das vítimas não morre em campos de batalha, mas em resultado de privação deliberada de alimentos, massacres de civis, bombardeios intencionais de populações civis, a exemplo dos bombardeios de Somaliland, que provocaram mais de 50 mil mortos.

Sumário – 400.000 a 550.000 mortos.

5. Bangladesh: Este país aspirou tornar-se independente do Paquistão. O Paquistão reagiu com uma invasão militar que provocou uma destruição em massa. Não foi uma guerra, foi um massacre. Entre um a dois milhões de pessoas foram sistematicamente liquidadas em 1971. Alguns investigadores definem os eventos desse ano no Bangladesh como um dos três grandes genocídios da história – depois do Holocausto e do Ruanda.

Uma comissão de inquérito nomeada pelo governo do Bangladesh contou 1.247.000 fatalidades como resultado do massacre sistemático de civis pelo exército paquistanês. Há igualmente inúmeros relatos de “esquadrões da morte”, onde “soldados muçulmanos eram enviados para executar assassinatos em massa de agricultores muçulmanos”.

O exército paquistanês cessou as hostilidades apenas depois da intervenção da Índia, que sofrera um influxo de milhões de refugiados do Bangladesh. Mais de 150.000 mil pessoas foram mortas em atos de retaliação após a retirada do Paquistão.

Sumário – 1.400.000 a 2.000.000 mortos.

6. Indonésia: O maior Estado muçulmano do mundo compete com o Bangladesh e o Ruanda para o questionável título de “maior genocídio desde o Holocausto”. O massacre teve início com a revolta comunista de 1965. Há diferentes estimativas em relação ao número de mortes também neste caso. As mais aceites apontam para 400.000 indonésios mortos entre 1965 e 1966, apesar de estimativas mais rígidas falarem em números muito mais elevados.

Os massacres foram perpetrados pelo exército, liderado por Hag’i Mohammed Soharto, que subiu ao poder e controlaria o país durante os 32 anos seguintes. Um investigador escreveu que o encarregue de reprimir a rebelião, o general Srv Adei, admitiu: “Matamos 2 milhões, não um milhão, e fizemos um bom trabalho.” Mas para esta discussão vamos limitar-nos às estimativas mais baixas.

Em 1975, depois do fim do domínio português, Timor Leste declarou a independência. Pouco tempo depois, Timor foi invadido pela Indonésia, que dominou o território com mão de ferro até 1999. Durante este período, entre 100.000 a 200.000 pessoas foram mortas.

Sumário – 400.000 mortos; e, mais de 100.000 a 200.000 em Timor Leste.

7. Iraque: A esmagadora maioria da destruição ocorrida nas últimas duas décadas foi obra de Saddam Hussein. Este é outro exemplo de um regime que matou milhões de pessoas. Um dos seus pontos altos foi durante a guerra Iran-Iraque, no conflito sobre o Shat El Arab, o rio criado pela convergência do Tigre e do Eufrates. Este foi um conflito que não levou a mais nada além da destruição em larga escala e mortes em massa. As estimativas apontam entre 450.000 e 650.000 mortos do lado iraquiano, e entre 450.000 a 950.000 mortos iranianos.

Ondas “de purificação”, algumas motivadas politicamente (contra a oposição), outras étnicas (contra a minoria curda) e algumas motivadas pela religião (a minoria sunita no poder contra a maioria xiita), provocaram um número impressionante de vítimas. Estimativas variam entre um milhão – segundo fontes locais – e 250.000, segundo a Human Rights Watch. Outras organizações internacionais apontam para 500.000 mortos.

Em 1991 e 1992 houve uma rebelião xiita no Iraque. Há, também aqui, estimativas contraditórias quanto ao número de vítimas, variando entre 40.000 e 200.000. Aos iraquianos mortos devem juntar-se também os curdos. Durante o consulado de Saddam Hussein, entre 200.000 a 300.000 curdos foram mortos num genocídio que prosseguiu nos anos 80 e 90.

Com as sanções econômicas impostas ao Iraque depois da 1ª Guerra do Golfo, mais de meio milhão de iraquianos morreram de diversas doenças resultantes da falta de medicamentos! Muitos meios de comunicações da época chegaram a afirmar que essas mortes eram em decorrência do boicote econômico, apesar do item medicamentos jamais ter sido pauta desse boicote. Hoje é claro que esta foi uma continuação do genocídio perpetrado por Saddam contra o seu próprio povo. Ele podia ter suprido as necessidades de medicamentos, comprado alimentos e construído hospitais par todas as crianças do Iraque, mas preferiu construir palácios e comprar influências no Ocidente e no mundo árabe. Tudo isto tem vindo a público na seqüência das investigações à corrupção no programa “Oil for Food” da ONU.

Os iraquianos continuam a sofrer. A guerra civil devasta hoje o país – ainda que alguns recusem dar este nome ao massacre mútuo de sunitas e xiitas –, custando dezenas de milhares de vidas.

Estima-se que cerca de 100.000 pessoas tenham morrido desde que as forças de calisão assumiram o controle no Iraque.

Sumário Iraque – entre 1.540.000 a 2.000.000 de mortos.

Sumário Irã – entre 450.000 a 970.000.

8. Líbano: A guerra civil libanesa aconteceu entre 1975 e 1990. Israel esteve envolvido em algumas das suas fases, naquela que é agora conhecida como a primeira Guerra do Líbano, em 1982. Os especialistas concordam que a grande maioria das vítimas foram mortas durante os primeiros dois anos da guerra civil – 1975/1976.

As estimativas geralmente aceites apontam para cerca de 130.000 mortos. Libaneses matando outros libaneses por razões étnicas e religiosas, e em ligação com o envolvimento da Síria. Damasco transferiu apoios entre as várias facções beligerantes. As mais elevadas projeções defendem que Israel foi responsável pela morte de 18.000 pessoas, a maioria das quais combatentes.

Sumário – 130.000 mortos.

9. Yémen: Na guerra civil yemanita, entre 1962 e 1970, com envolvimento do Egito e da Arábia Saudita, entre 100.000 a 150.000 foram mortos. O Egito cometeu crimes de guerra ao utilizar armas químicas no conflito.

Motins no país entre 1984 e 1986 provocaram a morte a outros milhares de pessoas.

Sumário – entre 100.000 a 150.000 mortos.

10. Chechenya: A rejeição russa das pretensões independentistas da República Chechena, conduziram à primeira Guerra da Chechenya, entre 1994 e 1996. Nesta guerra perderam a vida entre 50 mil a 200 mil chechenos.

A Rússia investiu bastante neste conflito, mas falhou miseravelmente. Isto não ajudou os chechenos – alcançaram a autonomia, mas a república estava completamente em ruínas.

A segunda Guerra da Chechenya começa em 1999 e acaba oficialmente em 2001, apesar de na realidade não ter ainda terminado, gerando entre 30 mil a 100 mil vítimas mortais.

Sumário – entre 80.000 a 300.000 mortos.

11. Da Jordânia ao Zanzibar: Juntando todas estas guerras e massacres houve ainda confrontos de menor dimensão que custaram a vida a dezenas de milhares de pessoas – árabes e muçulmanos mortos por árabes e muçulmanos. Estes conflitos não entram nas tabelas destas páginas porque o número de vítimas é pequeno, em termos relativos, ainda que seja significativamente mais elevado que o número de vítimas do conflito árabe-israelense. Aqui ficam alguns deles:

11.1. Jordânia: Em 1970 e 1971 ocorrem no reino Hashemita da Jordânia os confrontos que ficariam conhecidos como Setembro Negro. O confronto foi desencadeado pelo rei Hussein, farto da forma como os palestinos usavam o país e ameaçavam tomar o poder pela força das armas. Nos confrontos, essencialmente massacres em campos de refugiados, milhares de pessoas perderam a vida. Segundo os próprios palestinos morreram entre 10.000 a 25.000.

11.2. Chade: Metade da população do Chade é muçulmana; mais de 30.000 civis perderam a vida em várias guerras internas pelo controle do poder.

11.3. Kosovo: Nesta região majoritariamente muçulmana da Iugoslávia cerca de 10.000 pessoas foram mortas entre 1998 e 2000.

11.4. Tadjiquistão: A guerra civil, ocorrida entre 1992 e 1996, deixou sem vida cerca de 50.000 pessoas.

11.5. Síria: A perseguição sistemática da Irmandade Muçulmana pelo regime de Hafez Assad terminou com o massacre da cidade de Hama, em 1982, custando a vida a 20.000 pessoas.

11.6. Irã: Milhares de pessoas foram mortas no início da Revolução do Ayatollah Ruhollah Khomeini. O número exato é desconhecido, mas analistas independentes calculam entre milhares à dezenas de milhar. Os curdos sofreram também a sua quota parte de morticínio às mãos do regime saído da revolução de 1979, com mais de 10.000 pessoas assasinadas.

11.7. Turquia: Cerca de 20.000 curdos foram mortos na Turquia na seqüência de um conflito que ainda hoje se mantém.

11.8. Zanzibar: No início da década de 1960 a ilha ganhou independência da Tanzânia, mas apenas por um curto período. Inicialmente, os árabes tomaram o poder, mas um grupo de muçulmanos negros massacrou os árabes em 1964. As estimativas apontam entre 5.000 a 17.000 mortos como resultado deste conflito.

Mesmo assim, esta lista não termina aqui. Houve mais conflitos com um número desconhecido de vítimas nas antigas repúblicas soviéticas onde a população muçulmana era a maioria (como a guerra entre o Azerbaijão e a Armênia por causa de Nagurno Karabach), e um número discutível de muçulmanos mortos em países com populações mistas na África, tal como a Nigéria, a Mauritânia ou o Uganda – nos anos em que Idi Amin Dada dominou o Uganda, na década de 70, cerca de 300.000 pessoas foram assasinadas. Idi Amin era muçulmano mas, em contraste com o Sudão, é difícil afirmar que o enquadramento dos massacres tinha algo a ver com a religião.


Números que chocam

A tudo o que está acima podem juntar-se mais estes dados: a esmagadora maioria dos árabes mortos no quadro do conflito árabe-israelense foram-no em resultado de guerras instigadas pelos árabes em virtude da sua recusa em reconhecer a decisão da ONU quanto ao estabelecimento do Estado de Israel, e da sua recusa em reconhecer o direito dos judeus à autodeterminação.

O número de israelenses mortos pelos árabes tem sido relativamente menor do que o número de árabes mortos pelos israelenses. Na Guerra da Independência, por exemplo, 6.000 israelitas foram mortos entre uma população total de 600.000. Isto representa um porcento da população. Em comparação, as baixas árabes da guerra contra Israel vieram de sete países, com uma população global de largas dezenas de milhões de pessoas. Israel nunca sonhou, não pensou nem nunca quis destruir nenhum estado árabe. Mas o objetivo declarado dos exércitos atacantes era “aniquilar a entidade judaica”.

Obviamente, nos últimos tempos, as vítimas palestinas têm recebido uma grande atenção da mídia, dos meios acadêmicos e das correntes políticas de diversas matizes, especialmente a esquerda dita “progressista”. Mas, na verdade, como vimos, a quantidade dessas mortes é apenas uma pequena percentagem da soma total das vítimas.

Vou fazer uma pequena comparação do número de palestinos mortes por diferentes “adversários”, não para justificar os que foram mortos pelos israelenses – já que a vida é sagrada e uma única morte é lamentável -, mas para tentar abrir os olhos de alguns sobre realidades “escondidas” da sociedade. O total de palestinos mortos por Israel nos territórios ocupados foi de 5.078: 1.378 na primeira intifada e 3.700 na segunda intifada. Se somarmos 2 ou 3 dezenas de mortos em retaliações a atos terroristas em Israel, o total de mortes palestinas não chega a 5.500. Menos, por exemplo, do que as 20.000 vítimas muçulmanas massacradas pelo então presidente sírio Hafez Assad, em Hama em 1982; menos do que os 10.000 palestinos massacrados pelo rei Hussein na Jordânia em 1971; menos do que as 8.000 pessoas mortas pelos sérvios num único massacre de muçulmanos bósnios em Srebrenica, em 1991.

Como já disse, a morte de uma única pessoa é absolutamente lamentável, mas não há libelo fraudulento maior do que chamar “genocídio” os atos de Israel. Mesmo assim, fazendo uma busca das palavras “Israel” e “genocídio” no Google encontram-se 13.6 milhões de referências. Experimentem escrever “Sudão” e “genocídio” e terão menos de 9 milhões de resultados. Estes números, se quiserem, são a essência da grande fraude.


A ocupação não é iluminada, mas não é brutal

Outro fato, desta feita, curioso: Mesmo o conflito árabe-israelense sendo, comprovadamente, o conflito nacional com o menor número de vítimas desde a Segunda Guerra Mundial, curiosamente é o recordista mundial na quantidade de publicações hostis à Israel na mídia, nos meios acadêmicos, nas agremiações políticas ocidentais, em escolas, músicas e instituições muçulmanos de todos os níveis, em mesquitas, igrejas e meios de comunicações, especialmente TVs e  internet.

Pelo menos meio milhão de argelinos morreram durante a ocupação francesa. Um milhão de afegãos perderam a vida no decurso da ocupação soviética. Milhões de muçulmanos e árabes foram assassinados nas mãos de outros muçulmanos e árabes. Mas a única história que o mundo reconhece é a de Mohammed al-Dura – cuja morte é perfeitamente lamentável; e, diferente do que disse a imprensa, não foi morto por soldados israelenses.

É possível e perfeitamente aceitável criticar o governo de Israel ou de qualquer país. Mas a obsessiva crítica não a governos israelenses, mas ao próprio Estado de Israel é um desfoque da realidade global cujos resultados só poderão ser mais injustiças e mortes de inocentes.

As informações contidas neste artigo, não só podem como devem ser checadas por quem interessar possa, pois assim conhecerão mais detalhes desses crimes e genocídios contra a humanidade que são pouquíssimo divulgados e até mesmo encobertos do grande público. E ainda têm pessoas que acreditam que os judeus controlam a imprensa mundial! Isto seria hilário se não fosse trágico…

A ocupação não é iluminada e nunca a poderá ser. Mas se tentarmos criar uma escala de “ocupações brutais”, Israel ficará em último. Isto é um fato. Não é uma opinião.

O que aconteceria aos palestinos se, em vez de estarem sob ocupação israelense, fossem ocupados pelos iraquianos? Ou pelos sudaneses? Ou mesmo pelos franceses ou pelos russos? É muito provável que tivessem sido vítimas de genocídio, na pior das hipóteses, ou de massacres em massa, purgas e deportações, na melhor das hipóteses.

Mesmo que, repito, não existam ocupações iluminadas, e se é aceitável e possível, e por vezes absolutamente necessário, criticar Israel, não há nem nunca houve uma ocupação com tão poucas baixas (na verdade há outras questões que não se manifestam no número de baixas, como o problema dos refugiados, que discutirei em outro artigo.


A ética e moralidade da Mídia

Então por que razão é a percepção do mundo exatamente o oposto? Porque razão não existe uma ligação entre os fatos e os números e insistente demonização de Israel no mundo?

Há muitas respostas possíveis. Uma delas é que a ética e a moral do Ocidente tornou-se a ética e a moral da mídia, especialmente das câmaras de TV. Se um terrorista palestino ou do Hezbollah lançar um míssil por entre habitações civis, e Israel retaliar – causando, imagine-se, a morte de duas crianças –, haverá inúmeras manchetes e artigos por todo o mundo clamando que “Israel assassina crianças”. Mas se aldeias inteiras são destruídas no Sudão, ou se cidades inteiras forem arrasadas na Síria, não haverá câmaras de televisão na zona.

E assim, de acordo com a ética e moralidade da mídia, especialmente a televisiva, José Saramago e Harold Pinter assinarão uma petição protestando contra o “genocídio” e os “crimes de guerra” ou, na melhor das hipóteses na “resposta desproporcional” perpetrados por Israel! E assim – como no Matrix – assim caminha a humanidade, teatralizando, ato por ato, uma realidade difocada dos principais cenários.

Mesmo nesse pequeno cenário tão ampliado, provavelmente eles não sabem que, com algumas excções, os atos de Israel contra alvos militares que atingem civis são permitidos de acordo com as Convenções de Genebra (protocolo 1, parágrafo 52.2). E porque estão tão submersos na moralidade da mídia e/ou na falsidade de “pacifistas” que por interesses próprios ou alienação da realidade fazem questão de enfocar esse pequeno cenário e esquecer dos demais. Estes, com certeza, jamais assinarão uma petição de protesto contra o genocídio de muçulmanos perpetrado por muçulmanos.

A ” moralidade” da mídia é uma tragédia para toda a humanidade, e nesta questão especialmente para os árabes e muçulmanos. Israel paga caro por causa dela, mas os árabes e muçulmanos são as suas vítimas reais. E enquanto prosseguir esse moralidade os árabes e muçulmanos continuarão a pagar o preço mais alto.


Conclusão

Há aqueles que defendem que os estados árabes e muçulmanos são imunes a críticas porque “não são democráticos” ou possuirem “uma outra cultura“, mas Israel é merecedora de críticas porque tem pretensões democráticas e possui uma cultura ocidentalizada!

Argumentos destes revelam um orientalismo paternalista da pior espécie. A suposição encoberta é que os árabes e muçulmanos são as crianças com mentes  atrasadas, que precisam de tempo para acompanhar as evoluções do mundo. Eles podem fazê-lo.

Isto não é só orientalismo paternalista, é racismo e acima de tudo, um erro gigantesco.

Os árabes e muçulmanos não são crianças e nem muito menos atrasados mentais. Muitos árabes e muçulmanos reconhecem este fenômeno e escrevem sobre ele. Eles sabem que só o fim da auto-ilusão e o assumir de responsabilidades pode provocar mudanças. Eles sabem que enquanto o Ocidente os tratar como desiguais e irresponsáveis estará perpetuando não só uma atitude racista, mas também a continuação das chacinas em massa.

O genocídio que Israel não está cometendo, aquele que é um libelo fraudulento, esconde o verdadeiro genocídio, o genocídio silenciado que árabes e muçulmanos estão cometendo contra eles mesmos. A fraude tem de acabar para que se possa olhar a realidade. Para o bem dos árabes e não árabes, dos muçulmanos e não muçulmanos. Enquanto isto Israel paga essa conta com uma imagem negativas, mas os árabes e muçulmanos estão pagando esta mesma conta com sangue. Se restar no mundo alguma moralidade, isto deveria ser do interesse de quem ainda tem dela alguma gota. Se isto vier a acontecer, certamente será uma pequena notícia para Israel, mas um imensa boa nova para os árabes e muçulmanos de todo o mundo, especialmente para os que vivem na Palestina.

 

* Ben Dror Yemini, jornalista e analista político de centro-esquerda, editor das páginas de opinião do jornal Ma’ariv.


Notas

1. Artigo publicado originalmente no jornal israelense Ma’ariv, em hebraico e em inglês, em 22/09/2006, com o título A Homemade Genocide.

2. Tradução para Português: Nuno Guerreiro Josue

3. Adaptação do Português PT para BR: Tânia Albuqueque Alencar

4. Artigo publicado originalmente em Português pelo site  Rua da Judiaria, Portugal

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