Nunca Mais


Por Joe McCain *

Introdução

Existe muita preocupação na mídia agora mesmo – “Israel poderá sobreviver?”. Não se preocupem com isso. Este fato se relaciona com algo que os palestinos, os árabes, e talvez a maioria dos americanos não conseguem perceber: os judeus nunca mais vão morrer sem lutar. Nunca mais. E se o mundo não consegue entender isto, então milhões de árabes vão morrer. É simples assim.

 

Perseguidos

Ao longo da história mundial, o povo que sofreu mais abusos e perseguições tem sido o judeu. Não somente durante o Holocausto da Segunda Guerra Mundial, mas durante milhares de anos. Os judeus foram verdadeiramente “O Povo Escolhido” em um senso terrível e trágico.

A história de Bíblia sobre a escravização dos judeus no Egito não é só um conto, é história, ainda que adornada com lendas teológicas e epopéias heróicas. Em 70 D.E.C., os romanos, que tinham tolerado os judeus por muito tempo, chegando mesmo a admirá-los como ’superiores’ a outros vassalos, cansados de suas demandas truculentas por independência, decidiram-se por uma “Solução” rápida para o problema judaico. Jerusalém foi saqueada e reduzida a quase entulho, a resistência judaica foi perseguida e esmagada pela implacável Máquina de Guerra romana -ver ‘Masada’. E assim começou A Diaspora, a dispersão dos judeus por todo o resto do mundo.

Com sua pátria destruída, sua cultura esmagada, eles procuraram desesperadamente os poucos nichos onde eles poderiam estar seguros em um mundo hostil. Essa segurança era frágil, e freqüentemente sujeita aos caprichos de anfitriões mal-humorados. As palavras ‘pogrom’, ‘gueto’, e ‘anti-semitismo’ vieram deste tratamento dado ao primeiro povo monoteísta da história. Ao longo da Europa, diferentes épocas significaram às vezes tolerância, às vezes cordialidade com os judeus, mas finalmente significaram hostilidade, e depois malevolência. Não há um país na Europa ou na Ásia Ocidental que, em alguma época, não decidiram lançar-se contra os filhos de Moisés, às vezes por capricho, às vezes por manipulação.

 

Inglaterra

Winston Churchill descreveu Eduardo I como um dos maiores reis de Inglaterra. Foi sob seu reinado, no final do século 13, que o País de Gales e a Cornuália foram anexados à coroa britânica, e a Escócia e a Irlanda foram invadidas e ocupadas. Ele também foi o primeiro monarca europeu a organizar uma burocracia administrativa realmente eficiente, a vigiar e censurar seu reino, e a estabelecer leis e divisões políticas. Mas ele também abraçou os judeus.

De fato, Eduardo não abraçou os judeus tanto quanto ele abraçou seu dinheiro. Pois os judeus ingleses tinham adquirido riquezas, coisa perfeitamente compreensível, uma vez que este povo, que não podia possuir terras nem cargos públicos, não podia aderir à maioria dos comércios e profissões, logo descobriu que o dinheiro era uma coisa muito boa de se acumular. Muito mais difícil de tirar-lhes do que terras ou uma loja, seria uma meia escondida com moedas de ouro e prata. Sempre engenhoso, Eduardo achou um modo – ele pedia emprestado dinheiro aos judeus para financiar suas ambições imperiais na Europa, especialmente na França. Com certeza, os empréstimos não eram feitos alegremente, mas como você recusa algo ao Rei? Especialmente quando ele é ‘Eduardo, o Martelo’? Então, em vez de pagar a dívida, Eduardo simplesmente expulsou os judeus. Eduardo era sobretudo criativo – ele fez isto duas vezes. Depois de um tempo, ele convidou os judeus a voltar à sua pátria inglesa, pediu mais dinheiro emprestado, e depois os expulsou novamente.

 

Espanha, Europa e Estados Unidos

A maioria das pessoas ignora que a Espanha foi uma das primeiras nações a entrar no Renascimento. Pessoas de todas as partes do mundo chegaram à Espanha no fim do período medieval. Todos foram bem-vindos – árabes, judeus, outros europeus. A Universidade de Salamanca era um dos grandes centros do saber no mundo – eruditos de todas as nações, todos os campos, vieram a Salamanca para compartilhar seu conhecimento e suas idéias. Mas em 1492, Fernando e Isabel, havendo expulso os últimos mouros do Escudo Espanhol, foram persuadidos, pelos fundamentalistas justiceiros da época, de que havia chegado a hora de anunciar “O Ato de Purificação”. Uma série de medidas foram tomadas, resultando na expulsão de todos os judeus e árabes e outros não-cristãos do país, ou teriam que enfrentar os instrumentos e as tochas de A Inquisição. Desta ‘limpeza’ se originam os judeus sefarditas – em oposição aos ashkenazis da Europa Oriental. Na Europa Oriental, a violência e a brutalidade esporádicas contra judeus eram de conhecimento geral. ‘O Violinista No Telhado’ sem a música e sem o humor folclórico. Em tempos de fúria, nenhuma acomodação por parte dos judeus era boa o suficiente, nenhum comportamento era discreto o bastante e nenhuma aldeia era pobre ou distante o suficiente.

Daí vem o contínuo fluxo de judeus para os Estados Unidos. E apesar do desprezo dado aos judeus pela maioria dos americanos, eles agarraram o Sonho Americano com ambas as mãos, e contribuíram com tudo, desde idéias novas de empreendimentos no varejo e no ramo de entretenimento, até se tornarem alguns de nossos melhores médicos e advogados. Os Estados Unidos moderno, além de si mesmo, É em parte Os Estados Unidos por causa de seu sangue judeu.

 

Holocausto

Então ocorreu o Holocausto Nazista – o encurralamento, a classificação, a erradicação ordenada de milhões dos membros do povo de Moisés. Por certo, não algo novo, que outros reinos em outros tempos não trataram também de fazer, só que os alemães se organizaram melhor e contavam com uma tecnologia da morte mais desenvolvida.

Há aproximadamente 15 anos atrás, de pé no centro de Dachau por um dia inteiro, estive tentando compreender como isto poderia ter acontecido. Eu tinha ido lá a caminho de uma viagem a Munique, vagamente curioso sobre Dachau. Logo me senti submerso na enormidade do que tinha acontecido ali, em meio a um bairro de classe média trabalhadora.

Como foi possível que seres humanos puderam fazer isto a outros seres humanos, tendo ouvido seus gritos, seus apelos, seu terror, sua dor, e ainda assim continuarem, aparentemente, sem sequer estremecer? Eu já nem desejo saber. Em algumas vezes, alguns lugares, QUALQUER seita da raça humana é capaz de horrores contra seus semelhantes, seja um membro da SS Waffen, um franco atirador sérvio, um policial turco na Armênia de 1920, um membro da Ku Klux Klan em Mississippi. Porque até mesmo nos Estados Unidos nem tudo tem sido um mar de rosas. Por muito tempo judeus tiveram cotas em nossas universidades e escolas de pós-graduação. Somente uma certa quantidade de judeus poderia freqüentar a faculdade de medicina ou direito de cada vez. Os judeus eram amplamente depreciados. Eu me lembro como criança de piadas sobre judeus contadas sem sobressaltos – “Por que os judeus têm narizes tão grandes?”

 

Israel

Bem, agora os judeus têm uma pátria novamente. Um lugar que é deles. E esse é o ponto. Não importa quantas vezes os Estados Unidos ou as potências européias vão tentar colocar rédeas em Israel, se estiver em jogo a sobrevivência de sua nação, de seu povo, eles lutarão como nenhuma leoa jamais lutou para salvar seus filhotes. Eles lutarão com uma ferocidade, uma determinação e uma habilidade que nos surpreenderão.

E muitos morrerão, principalmente aqueles que os atacarem, eu acredito. Se houvesse uma macabra sala de apostas históricas, meu dinheiro seria apostado nos israelenses como vencedores finais. Como nós matamos os kamikazes e os soldados da Wehrmacht na Segunda Guerra Mundial, da mesma forma os israelenses matarão seus atacantes suicidas, até que não hajam suficientes para atormentá-los.

A ironia passa desapercebida – enquanto nos esforçamos assiduamente para castigar aqueles que nos trouxeram os horrores do 11 de setembro aqui, pretendemos impedir os israelenses de fazer a mesma retaliação. Não é a mesma coisa, é claro, Nós somos Nós, Eles são Eles. Enquanto nós nos lamentamos e fazemos agitação em torno do 11 de setembro, nós não notamos que Israel às vezes tem diariamente um 11 de setembro. Nós podemos não notar, mas não faz nenhuma diferença.

 

Conclusão

E não faz nenhuma diferença se você é pró-israelense ou se você pensa que Israel é o tirano do Oriente Médio. Se um novo Holocausto aparecer no horizonte – com ou sem o consentimento dos Estados Unidos e da Europa – Israel vai açoitar sem descanso nem moderação aqueles que tentariam aniquilar seu país.

Os judeus não irão perecer novamente sem lutar…

 

* Joe McCain, irmão do Senador John McCain

 

Notas

1. Artigo publicado em inglês no Jewish Star Times

2. Tradução: Irene Walda Heynemann

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One Response to Nunca Mais

  1. jose says:

    Se os judeus foram tão perseguidos durante milênios certamente não foi de graça. O que não justifica é eles fazerem com outros povos o que um dia aconteceu a eles. Ou seja, ainda não aprenderam a lição, de humildade, respeito e civilidade. Quem se acha ‘eleito’ ou ‘especial’ ou ‘protegido’ por Deus e comete atos de barbárie como vemos hoje executados pelos judeus, já começa errando em seus próprios princípios.
    Se cada terra deve ser devolvida a seu povo de origem então vamos defendê-la em todo o mundo, porque deve ter 40% de judeus nos E.U.A. enquanto, sei lá, 99,9% dos índios foram eliminados.
    Facil é ver somente um lado da história.

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