Relações danosas – Seres tóxicos


Por Maria Jesus Ribas *

Introdução

Há pessoas em nosso convício familiar, profissional ou social cujos comentários e atitudes nos complicam a existência. Gente perigosa para nossa saúde mental, emocional e até mesmo física. Dessas pessoas devemos manter distância segura ou limites definidos nos casos de sermos obrigados a convivermos com elas, seja na família, no trabalho ou na vida social.

A psicóloga americana Lillian Glass, autora de “Attracting Terrific People“, “I Know Whar Uou’re Thinking: Using the Four Codes of Reading People to Improve You Life” e outros livros de sucesso de vendas nos diz que numa sociedade competitiva e de aparências em que vivemos as relações humanas – inclusive dentro da própria família – acabaram sendo afetadas negativamente em diversos aspectos. “Infelizmente a falsidade mascarada com incontáveis tipos de astúcias açucaradas têm poudado, limitado, arruinado e destruído sonhos, projetos e até mesmo vidas, geralmente de pessoas mais sensíveis, íntegras, leais, justas e honestas”.

Se você tem um chefe, amigo, colega de trabalho ou familiar que o faz sentir inferior ou sempre por baixo. Se um(a) noivo(a), namorado(a) tenha ou está lhe sufocando ao ponto de ser obrigado a mudar todos seus projetos de vida. Se sua mãe, pai ou ambos o relegaram a um segundo plano em toda a sua vida. Se está em contato com um médico, professor ou cliente que o insulta ou simplesmente o deixe negativo, melancólico ou insatisfeito consigo mesmo. Se mantém algumas destas ou outras relações tóxicas, precisa não somente sobreviver como aprender a neutralizar essas ações danosas aos seus interesses e à sua vida.

Neste pequeno artigo vamos analisar de forma resumida essa patologia psicossocial que atinge níveis cada vez maiores nesse século da ‘ciência, tecnologia e desenvolvimento’.

Quem são PT’s – Pessoas Tóxicas?

Quem nos aflija com atitudes que não nos deixa crescer, quem põe barreiras aos nossos esforços para termos sucessos e sermos felizes; quem comenta nossas confidências com estranhos; quem alegra-se falsamente com nossos momentos de felicidades e êxitos; quem em todos os assuntos e de forma persistente buscam nos desagradar ou tentam prejudicar-nos com frases sarcásticas e respostas que desanimam; quem continuamente nos faz críticas destrutivas; quem tentam nos sufocar exigindo ‘amores e atenções’ exclusivas; quem limita nosso desenvolvimento pessoal, profissional e intelectual. quem nos enclausura numa bioma de vidro em nome da ‘proteção’, tradições culturais, religiosas, etc. Enfim, há diversas formas de ações de terceiros do nosso convívio para conosco que psicologicamente pode nos limitar, nos castrar e nos alienar se não lutarmos contra essas ações.

Dependendo do nível das relações e da patologia envolvida as vezes também nos envolvem em jogos maliciosos, palavras cruéis, comportamentos sujos e atos sociais condenáveis cujos propósitos inconfessáveis são lavarmos a nos nivelar a elas mesmas ou fazer com que o maior número possível de pessoas do nosso ciclo de relacionamentos normal nos vejam com reservas.

Estudos e observações desse tipo de patologia nos mostram que na maioria dos casos esses PT’s concentram suas ações – em alguns casos de forma inconsciente, mas na maioria de forma consciente e mesmo planejada – nas pessoas mais intimas e ao mesmo tempo mais sensíveis e bondosas de seus ciclos de relações! Isto ocorre porque, cedo ou tarde, simplesmente são rechaçados pelos ciclos de relações não tão íntimos, importantes ou mesmo necessários.

Curiosamente, a maioria dos que são PT’s para nós são pessoas absolutamente normais e inofensivas para outras, o que nos leva às causas dessas ações, como veremos a seguir.

Tipos do PT’s – Pessoas Tóxicas

Segundo Glass relaciona trinta tipos de ‘terrores tóxicos’. Os mais comuns são: o fofoqueiro, o racista, o mentiroso, o intrometido, o fanático, o pretensioso, o piadista, o cortante, a vítima sombria e condenada, o microfone que sempre fala alto, o apunhalador de duas caras, o brincalhão, o pistoleiro rancoroso e autoritário, o competidor, o maniático do controle, o crítico acusador, o arrogante sabichão e outros. Todas são formas distintas de personalidades que coincidem em intoxicar a vida alheia.

Agreções

As agreções que aqui nos refirimos não consiste somente em agreções pessoais, sejam mentais, psicológicas ou físicas, mas também – em menor escala -, pontos de vistas apregoados com uma insistência tão grande que nos tiram do sério e acabam prejudicando nosso desempenho.

Evidentemente todos têm direitos à suas opiniões e essas devem ser respeitados. No entanto, quando  insistem continuamente nos mesmos pontos de vistas a respeito das mesmas questões sem respeitar as opiniões dos demais, inicia-se monólogos que ao longo do tempo acabam irritando e prejudicando os demais.

Seja como for, é importante não pensar muito na agressão, pois como a mente amplia aquilo que foca isto só contribui para amplificá-la.

Existem momentos em que uma pessoa tóxica parece colapsar nossa mente, convertendo-se na única coisa em que podemos pensar – o que é prejudicial. Se isto ocorrer grite mentalmente para você mesmo ‘parar de pensar’ e apoiar esta expressão com frases positivas, como “eu me amo”, “sou importante para alguém”, “minha vida é valiosa para os que me amam”, “me sinto feliz”…

Causas e Origens

Quando se trata de adultos fora da família a raiz da maioria da toxicidade nas relações humanas é o ciúme e a concomitante inveja. Os PT’s são geralmente pessoas frustradas que vêem outros como vencedores e a si mesmo como perdedoras! Isto as impulsionam – muitas vezes inconscientemente – a machucar mental, verbal ou mesmo físicamente aqueles que eles consideram ‘melhores, com mais sorte, privilégios, regalias’…

Em se tratando de familiares, especialmente se crianças e adolescentes, sentimentos de carência, de insuficiência de seguir tradições culturais de origem religiosa ou social,  podem provocar desejos de super proteção, de amor e companhia exclusiva.

Analisando e identificando

Então, o ideal é rechaçar os PT’s de nossas vidas como fazem esses que estão quase imunes às suas ações? Não. Na maioria dos casos os PT’s são parte de nossas relações mais próximas e muitas vezes queridas como familiares, amigas(os) de infância, do colégio, noivos(as), namorados(as)… A não ser se você deseje romper definitivamente essa ou essas relações, alternativas mais inteligentes e benéficas para todos devem ser implantadas.

Para identificarmos os PT’s em nossas vidas basta avaliarmos nossas reações internas em cada um dos nossos relacionamentos pessoais – seja em família, no trabalho ou na sociedade. Esse exercício mental deve ser realizado pelo menos uma vez por ano, pois além de psicologicamente criarmos defesas contra más influências é uma excelente maneira de nos conhecermos melhor e, no caso das mulheres, oportunidade para exercitarmos o lado direito do cérebro.

Uma pessoa honesta normalmente encontrará algum motivo lógico para detectar ciúmes, inveja – a exemplo de possuir algo que o outro deseja ou lhe falta – desejos de controle, de posses…

A princípio todos nossos PT’s são pessoas boas, e quanto mais importantes foram forem essas pessoas para nós, de forma mais inteligente e sincera devemos agir. Com isto, além de estarmos trabalhando a nosso favor estamos ajudando uma pessoa que por algum motivo é importante para nós a se livrar dessa patologia. E há milhares de casos registrados que nos confirmam que isso possível.

Reação

Devemos reagir com inteligência e não por impulso de autodefesa; o que significa que jamais devemos responder com a violência física para não agravar o problema e não convertê-las em vítimas. E esse agir com inteligência visa não só eliminar ou neutralizar interferências negativas em nossas vidas como permitir que as pessoas tóxicas se vejam como agressoras, dar-lhes condições para reavaliarem suas ações – se adultos – e ajudar as PT’s mais queridas – especialmente se da família e mais especialmente se forem crianças e adolescentes. Neste última caso as reações devem ser mais refletidas, empregando mais atenção e carinho nas avaliações e mais amor e paciência no tratamento, como veremos a seguir.

A ameaça em casa

Quando pessoas tóxicas fazem parte da família o problema é maior em virtude da intimidade da relação e da necessidade da convivência diária em comum. Se estão no trabalho, significa riscos de produção, qualidade do trabalho e até mesmo nossa permanência naquela empresa. No entanto, se a ameaça à nossa saúde mental e física está em nossa própria casa, em nossa própria família, ai as coisas se complicam. O impacto emocional é amplificado ao ponto de poder se tornarem problemas psicológicos ou fazerem alguns tentarem  fugir da realidade recorrendo ao consumo de drogas, tranqüilizantes ou alimentação compulsiva que acabam aprofundamento o problema e gerando outro tão grave que é a autodestruição daqueles que tentam resistir à toxicidade alheia ou fazer com que não as afete dessa equivocada forma.

Sejam nossos pais, filhos ou cônjuges, chefes ou colegas de trabalho, é preciso aprender a tratar as pessoas tóxicas para que não transtornem nosso equilíbrio vital.

Antídotos e Técnicas

Para desintoxicar nossas relações essenciais, neutralizar ações das PT’s e finalmente conseguirmos uma convivência tranqüila e feliz, Glass sugere uma série de antídotos e técnicas. Eis alguns exemplos:

1. Comunique-se com sinceridade com quem o incomoda negativamente, enfrentando-o com objetividade e, dependendo do nível da relação e da necessidade de mantê-la, de forma carinhosa, amorosa, com senso de humor ou de forma

2. Atuar como se fôssemos espelhos. A maioria das PT’s vêm seus comportamentos refletidos no próximo quando propositadamente agimos como eles em suas presenças. Se alguém não pára de falar impedindo que os demais o façam, a resposta pode ser colocar-se a latir. Quando o tóxico se irritar e perguntar “O que há?”, basta explicar que esta é a atitude que ela mantém com os demais.

3. Perguntas a queima roupas, logo após receber agreções ou pontos de vistas que discorda tanto ao ponto de deixa-lo incomodado. São respostas em forma de perguntas diretas e relacionadas ao tema escolhido pela PT’s que devem ser aplicadas com lógica e progressivamente, uma após outra. Isto desbarata os argumentos deles e os fazem verem-se quão inconvenientes, irreais, desagregadoras e muitas vezes intrometidas são suas idéias, comentários e atitudes.

4. Em casos de adultos congele seu relacionamento com os tóxicos que mais lhe incomode pelo tempo que julgar conveniente. Isto os fará refletir o por que desse esfriamento e, em muitos casos esse procedimento fez a PT ir até a pessoa ofendida perguntar ‘o que há.  Se isso ocorrer seja sincero e diga do que lhe incomoda nas atitudes, ações e/ou palavras desse tóxico que lhe faz mal.

5. Crie pequenos teatros reais com pessoas de confiança ou encenações pessoais criando para fazer com que os tóxicos se reconheçam com tal ou reconheçam que alguns dos seus procedimentos causam mal estar nos próximos. Não é fácil, mas com inteligência, paciência e tempo muitas vezes injúrias foram transformadas em amabilidades.

6. Seja um pequeno ator ou atriz, ignore pelo maior tempo possível os tóxicos que comprovadamente lhe prejudica. Não desejando-lhe nem bem nem mal, esqueça-os, apague-os de sua mente por algum tempo. Se esforce para ser cordial. Converter enfados em amabilidades são respostas ideal frente a muitos que são duros.

A maioria dessas técnicas muitas vezes foram usadas por especialistas em comunicações sociais e a maioria dos resultados foram altamente positivos.

Quando o tóxico é você mesmo

O ciúme ou a falta de amor próprio são a razão da maioria dos comportamentos negativos em relação ao próximo, mas também é a causa encoberta de condutas similares de nós para com os demais.

Geralmente a presença de contínuos conflitos internos indica que o ser tóxico é você mesmo, e não o próximo! O que não muda muito as coisas, pois o resultado é similar: um contínuo mal-estar e dificuldades para relacionar-nos. Isto não significa que pessoas com poucas relações sociais sejam tóxicas, até mesmo porque os registros nos mostram que mais de 89% das pessoas tóxicas são exatamente aquelas que possuem amplos ciclos de relações sociais.

Para saber se você é ou não uma pessoa tóxica faça uma auto-análise de suas ações com seus mais próximos, analisando, isoladamente, as reações desses para com você. Seja humilde e sincero com você mesmo. Se ficar em dúvida se é ou não uma PT, abra o seu coração com uma pessoa de confiança, que você sabe ser sincera, e conversa sobre este assunto com ela. Este simples procedimento têm se revelado um espelho para nos conhecermos melhor e, em conseqüências, evoluírmos nos melhorar ainda mais.

Se por fim, identificar-se como uma pessoa tóxica o primeiro passo é assumir-se como é, reconhecer o problema e parar de amargar os demais com seus ciúmes encobertos com máscaras de suas fantasias. A chave como sempre é a comunicação – neste caso, consigo mesmo. Se estuda, descubra as verdadeiras raízes do seu comportamento e faça os esforços possíveis para eliminá-los ou neutralizá-los. Se necessário, consulta um psicólogo para orientá-lo e, se for o caso, medicá-lo.

Boa Sorte…

* Maria Jesus Ribas, jornalista

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2 Responses to Relações danosas – Seres tóxicos

  1. A palavra agressão se escreve com dois esses e não com Ç.
    Abraços!

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