Clitóris, o novo passaporte


Por Janer Cristaldo*

Há passaportes e passaportes, não é verdade? Nas últimas décadas, muitos emigrantes do Terceiro Mundo conseguiram se instalar no Primeiro graças ao golpe da perseguição política. Migrantes econômicos, que fugiam da miséria de seus países, criavam histórias políticas mirabolantes para comover os corações e mentes ingênuas dos europeus, americanos e canadenses. Eu vivia em Paris, em 1979, quando foi decretada a anistia no Brasil. Pânico generalizado entre os brasileiros que viviam encostados em francesas ou auxílios humanitários concedidos a exilados: “só pode ser armadilha da direita”. Não era. Com a anistia, terminou para muitos vivaldinos a boa vida na França.

Mudam os tempos, mudam os macetes. O golpe do exilado político está por demais manjado. No Paquistão, por exemplo, descobriu-se um outro passaporte para a boa vida do Primeiro Mundo. Em entrevista ao jornal Washington Post (setembro de 2005), o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, disse que “muitas pessoas dizem que, se você quer ir para o exterior, conseguir um visto para o Canadá e ficar rica, deixe-se estuprar”. As palavras de Musharraf não desagradaram apenas as mulheres paquistanesas, mas também a Anistia Internacional, que se disse ultrajada com a declaração do ditador. O primeiro-ministro do Canadá, Paul Martin, que também está em Nova York, afirmou ter tratado do assunto com Musharraf. “Eu afirmei com veemência que comentários como esse não são aceitáveis”, disse o premiê.

Pode ser. Mas se um estupro rende um futuro melhor, a tentação de submeter-se à violência – ou simulá-la – é grande. É o outro lado da moeda da generosidade dos hiperbóreos. Há muitas ONGs comprando escravos na África para libertá-los. O que só gera um rendoso comércio de escravos ou supostos escravos. O chefe de uma tribo reúne seu clã, apresenta-os como escravos, vende-os por cabeça. Uma vez libertados, são de novo recrutados como escravos para serem mais uma vez vendidos. Africanos podem ser subdesenvolvidos, mas criatividade não lhes falta.

Não há muita credibilidade nas palavras de um ditador. Mas se estupro é igual a passaporte canadense, sem dúvida o sacrifício vale a pena. As árabes que o digam. Grande parte dos migrantes muçulmanos na Europa praticavem a poligamia e a infibulação da vagina em seus países de origem. E mesmo vivendo na Europa agora, muitos não abandonaram estes costumes nada ocidentais: Pelo menos no que diz respeito às mutilações genitais nas mulheres, só na Itália as vítimas já são mais de 50 mil. Uma bagatela, se as compararmos às 130 milhões de mulheres que têm o clitóris extirpado e a vagina costurada no mundo islâmico. O problema é que se a ablação do clitóris faz parte do jus consuetidinis no mundo árabe, mas na Europa isto constitui crime.

A praga, que há muito já afetava a França, começa a espalhar-se pelos demais países mediterrâneos. Com as novas rotas de entrada de imigrantes árabes na Europa, a infibulação chegou à Espanha. Se na França era comum as famílias árabes receberem um dia a visita de uma sage femme (parteira), vinda expressamente da África para executar o trabalho infame, na Espanha ocorre um fenômeno inverso: mais dia menos dia as meninas árabes são levadas por seus pais aos países de origem, em uma viagem de férias – “para visitar a vovó” -, da qual voltam sexualmente mutiladas. Segundo médicos, algumas dessas mutilações ocorrem na própria Espanha.

Canadá, Suécia e Estados Unidos já estão concedendo asilo a mães e filhas árabes, quando estas últimas sentem-se ameaçadas pela ablação do clitóris em seus países de origem. Segundo o jornal El País, o governo espanhol parece disposto a seguir o mesmo caminho para combater a prática. Enrique Fernández-Miranda, delegado para a Imigração, afirmou no ano passado que estas pessoas devem ser protegidas. “Temos em nossa legislação figuras com suporte jurídico suficiente para dar uma especial proteção e acolhida a estas mulheres”. As medidas se aplicariam não só às mães, mas também às filhas, e a conseqüência seria algo como o direito de asilo, apenas com outro nome.

Até há pouco, os migrantes econômicos alegavam perseguições políticas para entrar no paraíso. A migração árabe está prestes a instituir um novo passaporte, o clitóris. Se hoje são 130 milhões as mulheres mutiladas no mundo muçulmano, a Europa, se persistir em seus pruridos humanitários, já pode ter uma idéia da invasão que a espera na entrada deste milênio. Se Canadá, Suécia e Estados Unidos estão longe do universo das mutiladas, Espanha, França e Itália estão ao lado. Junto com as mulheres que fogem para não ter o clitóris cortado, virão os cortadores de clitóris, afinal integração familiar oblige. O velho continente, que começa a libertar-se dos dogmas de uma religião criada por homens do deserto, cai agora na armadilha de uma outra.

Devido à imigração africana, o islamismo vai lentamente contaminando o continente, com suas mesquitas e práticas, algumas delas inconcebíveis em país que nutra algum respeito pelo ser humano. Na Itália, berço do catolicismo, a segunda religião em número de praticantes já é a muçulmana, com um milhão de fiéis. Fiéis que não se contentam em virar o traseiro pra lua e invocar Alá, mas querem impor modificações na legislação vigente. Entre outras, o Consiglio Islamico d’Italia requer o ensino do Corão nas escolas ou, como alternativa, a criação de escolas muçulmanas; o direito de a mulher ser fotografada com véu nos documentos de identidade; a sexta-feira livre e o direito de participar das preces do meio-dia. Famintos, mas exigentes. E aos poucos, os minaretes e a voz esganiçada dos muezins começa a invadir o continente das torres e dos sinos.

Na Suécia, patriarcas muçulmanos já se arrogam o direito de matar suas filhas, caso estas tenham relações com um sueco. Os países nórdicos vêm sendo assolados, nos últimos anos, por gangues de adolescentes árabes, cujo lazer predileto é estuprar nórdicas. (Só que, no caso, as nórdicas não têm motivação alguma para pedir asilo em algum outro país). Para estes pobres diabos, uma mulher sueca independente não é uma mulher sueca independente. É apenas uma “puta sueca”. E como tal pode ser tranqüilamente estuprada. Se for árabe, não. Pois não é o mesmo violentar uma sueca e uma árabe. “A sueca recebe um monte de ajuda depois, além disso já foi fodida” – afirma um dos participantes de uma gangue -. “Mas a árabe têm problemas com sua família. Para ela, é uma grande vergonha ser violentada. É importante para ela ser virgem quando casar”.

Praga pior que estes árabes na Suécia, só os somalis na Finlândia. A Somália, se o leitor não sabe, é aquele país africano que chegou ao estágio final do comunismo, segundo Marx: o desaparecimento do Estado. O poder é exercido por hordas armadas, comandadas pelos “senhores da guerra”, seja lá o que isto quer dizer. As guerras intestinas na Somália geraram uma legião de famintos que buscam refúgio nas sociais democracias européias.

Famintos, mas arrogantes. Está até hoje atravessado na garganta dos finlandeses um episódio ocorrido há quatro ou cinco anos em uma das escolas do país. Acolhidos com generosidade pela Finlândia, os meninos somalis não nutrem o menor respeito pelas professoras que tentam educá-los. É que são mulheres. Um dos meninos se recusou a falar com sua professora, porque um macho somali não dirige a palavra a uma mulher, e muito menos tem de obedecê-la. Claro que não faltou na Finlândia defensores do multiculturalismo, defendendo a idéia de que a “cultura do outro” deve ser respeitada. Que o Estado providencie um professor macho para educar o macho somali.

Mas falava do Paquistão. Enquanto o Ocidente, com seus laivos de humanismo, premiar as vítimas da violência com asilo – em vez de impor sanções ao país tolerante com tais práticas – é óbvio que um passaporte vale bem um estupro. Ou uma ablação de clitóris.

* Janer Cristaldo, escritor e jornalista brasileiro

Nota

Artigo publicado originalmente no Blog do autor

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