Histórias de Vida – Judeus de Lincoln


Por Zev Roth *

Quando César Kaskel viu o anúncio, ele provavelmente freccionou seus olhos. Num ofuscar de segundos, ele provavelmente correu para a casa de sua família. Chegando em casa, em um simples olhar para ele sua esposa pode perceber que havia algo terrivelmente errado.

“Por que, o que é? O que aconteceu?” Certamente, ela perguntou.

Ele não deve ter feito rodeios, indo direto ao assunto:Disse-lhe que todos judeus da região deviam deixar suas casas em até vinte e quatro horas!

Deixar a nossa casa? Porquê? O que fizemos?” Ela pode ter perguntado, perplexa.

E ele pode ter respondido: “Por que será que eles nunca dizem o por quê quando expulsam os judeus de suas próprias casas? Pensei que isso nunca iria acontecer na América.”

Quaisquer que tenham sido as palavras exatas dessa conversa, Kaskel disse à sua esposa que o General Ulysses S. Gran, em 17 de dezembro de 1862, havia assinado uma Ordem Geral – a de nº 11. Com Governador Militar do território conquistado na recente guerra civil, tinha emitido essa ordem em Holly Springs, Mississippi, expulsando todos os “Judeus, como uma classe” de uma área correspondente ao que é hoje o Norte de Mississippi, Kentucky e Oeste do Tennessee, dentro “de vinte e quatro horas,” sem julgamento, audiência ou qualquer tipo de apelação.

Em Paducah, Kentucky, muitas famílias judias já havia sido expulsas de suas casas. Eles não podiam acreditar que estavam sendo forçados a abandonarem suas casas de uma forma tão abrupta.

Um certo Sr. Silverman, de Chicago, em visita à cidade, infelizmente veio a compartilhar o destino com seus irmãos dessa região. Em 17 de dezembro foram lhes negado acesso ao transporte ferroviário para fugirem da região, tendo pois que seguirem a pé até Memphis. Nesse ínterim, Silverman fez alguns contatos e enviou um telegrama ao General Grant, indagando o por que dessas expulções. Como respostas a esse desesperado esforço para ajudar a si e ou seus irmãos, foi preso e encarcerado na prisão de Holly Springs.

Enquanto isso, César Kaskel, preocupado e sem entender o por que dessas expulsões em massa, enviou um telegrama urgente ao Presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln, protestando por “essa desumana ordem é uma groseira violação da Constituição e dos nosso direitos como cidadãos, que irá colocar-nos. . . como bandidos diante de todo o mundo.”

Esse telegrama foi a segunda correspondência colocada na mesa de Lincoln, relativas ao povo judeu. Alguns dias antes, uma missiva haviam chegado de um B. Behrend, pai de um religioso judeu, servindo no exército da união. Behrend escreveu a Lincoln pedindo assistência em permitir ao seu filho para observar Sábado judaico. Ele pediu Lincoln “, como seu chará Abraão,” peço sua ajuda nesta matéria. Isto será exatamente lícitos, como a Constituição dos Estados Unidos ordena-lo, e ao mesmo tempo ser exatamente de acordo com os ensinamentos da Bíblia, como registrado em Levítico 19-18 “Tu deverás amor teu próximo como a ti mesmo.”

Devido ao desespero da situação, Kaskel percebeu que tinha a fazer uma viagem a Washington. Com ajuda do congressista Gurley de Ohio, obteve uma audiência com o Presidente Lincoln. Junto com o congressista de Ohio eles foram rapidamente admitidos no escritório de Lincoln, no segundo andar da Casa Branca.

Eles rapidamente perceberam que Lincoln sabiam pouco ou nada sobre a expulsão judaica. Kaskel, no entanto, tinha trazido uma farta documentação comprovando como os judeus haviam sido expulsos de suas casas. Após ouvir atentamente, Lincoln perguntou: “E assim os filhos de Israel foram expulsos da feliz terra de Canaã? “

Kaskel disse: “Sim, e é por isso que tivemos que vim ao coração do Pai Abraão, pedindo proteção.”

Lincoln respondeu “E esta proteção eles devem ter de uma só vez.” Ele então ordenou que a Ordem Geral n°11 fosse imediatamente revogada.

Historiadores debatem hoje se Ulysses S. Grant foi a única responsável pela expulsão, ou se ele estava meramente executando desejos de um maior antisemita de alta posição dentro do governo. O que está claro é que Lincoln foi muito simpático para com o sofrimento dos judeus americanos afetados pela essa ordem.

Talvez, em parte, por causa de uma carta de um pai de um soldado, atento observador do Sábado.

 

 

* Zev Roth, escritor e pesquisador de histórias de vida da comunidade judaica em todo o mundo; vive atualmente em Israel. Seu mais recente Livro é “10:10 and other timely tales beyond the imagination” – Targum Press, 2008.

 

 

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