O outro lado da luz


Não é à toa que os melhores escritores da língua inglesa são irlandeses: Yeats, James Joyce e, agora, Colum McCann. Eles parecem compreender a importância da conclusão de uma história. Ao mesmo tempo que sabem, como ninguém, contá-las. Detalhe por detalhe, ação por ação. Vencedor de vários prêmios literários em seu país e dono de uma prosa elegante, McCann conta, em “O Outro Lada da Luz”, a impossibilidade da concretização do sonho americano.

“O Outro Lado da Luz” traz a saga dos construtores dos túneis do metrô de Nova York. A grande ambição de uma vida melhor derrotada pela recessão e pelo preconceito. McCann traça o retrato de uma família cujos sonhos não são suficientes para apagar a crua realidade de suas existências. Sem sentimentalismos, mas com esperança, McCann usa o metrô como o símbolo central do livro e fio condutor da história. Em 1916, a construção dos túneis metroviários é a chance de um trabalho decente para o irlandês Con O’Leary, dificilmente oferecida a seus compatriotas.

Entre seus companheiros de trabalho, o negro Nathan Walker também está atrás de sua fatia do “sonho americano”, depois de abandonar a Georgia natal. Quando Com morre numa explosão dentro de um dos túneis, Nathan se torna responsável por sua viúva e sua jovem filha Eleanor. Ao longo do anos, enquanto constrói os tortuosos caminhos subterrâneos que abrigam os trens do metrô novaiorquino, Nathan tece uma rede de sentimentos que o une cada vez mais a Eleanor. Apesar das diferenças, eles vencem a oposição e acabam se casando.

Por oito décadas, McCann acompanha a vida dos descendentes desse casal. Os párias de uma sociedade desigual. Abandonados e esquecidos. Uma crítica poderosa de como a sociedade americana frustra as tentativas dos estrangeiros – sejam internos ou externos – em constituir um lar. A história de uma cidade e os milhares de sonhos que abriga. A saga culmina com a história de um misterioso morador dos túneis, Treefoog, e tudo que faz para sobreviver: comer ratos, vender latas para reciclagem e lavar-se na neve. Um jovem que perdeu tudo, inclusive a memória e o respeito próprio.

A tragédia aparece forte no trabalho de McCann, mas ele guarda espaço também para a redenção através das inúmeras formas de amor. Numa reviravolta da narrativa, as histórias se fundem, apesar dos quase oitenta anos que as separam, e formam a fábula da união de uma família. “O Outro Lado da Luz” é uma narrativa emocionante, construída de forma espetacular por um contador nato de histórias.

Nascido em Dublin, Colum McCann é autor do aclamado “Songdogs”, uma novela, e “Fishing the sloe-black river”, uma coletânea de histórias que recebeu o Roney Award for Irish Literature e o Hennessey Award for Best First Fiction, a maior honra literária da Irlanda. McCann trabalhou como jornalista, professor, fazendeiro e guia, mas agora concentra suas energias para a literatura, escrevendo trabalhos de ficção e peças. Ele vive em Nova York, com a mulher e uma filha.

“Colum McCann é o mais promissor escritor irlandês.” – The New York Times

“Uma crítica corajosa e convincente sobre como a sociedade americana reiteradas vezes frustrou a tentativa dos excluídos construírem seu lar na América.”Kirkus Reviews

Nota

1. “O Outro Lado da Luz”, romance de Colum McCann traduzido para Português por Beatriz Horta.

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