Filmes da Mostra revelam dura realidade de imigrantes


Por Fávio Amaral

Argelinos em Paris, nigerianos na Inglaterra, mexicanos nos Estados Unidos, africanos na Itália, asiáticos Israel, poloneses na Áustria, transexuais brasileiros na França e prostitutas brasileiras na Espanha. A programação da 27ª Mostra Internacional de São Paulo, realizada ano passado em que São Paulo, apresentou vários filmes que tratam da dura realidade de imigrantes em vários locais do mundo e os esquemas de exploração e tráfico que se alimentam dos que sonham em buscar uma vida melhor em um país estrangeiro.

O diretor inglês Stephen Frears volta ao tema da imigração após “Minha Adorável Lavanderia” (1985). Desta vez, em “Coisas Sujas e Belas” (Dirty Pretty Things). O filme conta a história de um nigeriano que vive em Londres e divide um apartamento com uma turca ilegal. Quando encontra um coração humano dentro do banheiro de um hotel, descobre que muitos imigrantes sacrificam órgãos em troca da cidadania britânica. O filme de Frears mergulha no submundo que cerca os imigrantes ilegais na Inglaterra.

A exploração dos imigrantes também está presente em “Neste Mundo” (In This World), ganhador do Festival de Berlim. Dirigido por Michael Winterbottom, o filme narra a saga de dois afegãos que tentam chegar à Inglaterra. A viagem, planejada por traficantes de ópio e cigarros, é feita por caminhões, barcos e a pé. Rodado com câmeras digitais em locações originais, o filme mostra os perigos e os desafios da imigração ilegal.

O mesmo tema está presente em “Partes Trocadas” (Rezer Vni Delli), dirigido por Damjam Kozole. A produção eslovena tem como personagens principais dois transportadores de imigrantes da Croácia para a Itália. Conhecidos como ‘spare’ (escambo), pois sacrificam órgãos para pagar o transporte, os imigrantes são vítimas de abusos dos aviadores.

Europa

Dois filmes franceses também têm a imigração como tema. “Chouchou” conta a história de um argelino que se passa por chileno para ter abrigo em Paris. Dirigido pelo argelino Merzak Allouache, o filme também mergulha no universo dos travestis parisienses, assim como “Tiresia”, que tem uma transexual brasileira como personagem principal.

A vida de imigrantes na Áustria também é tema de dois filmes da programação. “Combate” (Struggle) acompanha a difícil vida de uma mãe polonesa e sua filha de oito anos tentando sobreviver com empregos precários e duras condições sociais. “Mexa-se” (Move!) mostra o cotidiano de músicos imigrantes em um país governado por líderes com inspiração neonazista.

EUA e Israel

“Dirt” é uma produção norte-americana que conta a história de uma salvadorenha que trabalha como faixineira nas regiões ricas de Manhattan. Com o desemprego do marido e a perda de um cliente, ela não pode mais mandar dinheiro para El Salvador, onde o casal está construindo uma casa. Dirigido por Nancy Savoca, o filme também aborda as dificuldades culturais dos imigrantes, através dos conflitos do casal com o filho, cada vez mais rebelde e americanizado.

A pouco conhecida realidade dos imigrantes em Israel é enfocada em “A Jornada de James para Jerusalém” (Massa’ot James Be’eretz Hakodesh). O filme do israelense Ra’anan Alexandrowicz relata a missão religiosa de um jovem africano que é preso ao entrar em Israel e acaba escravizado por um empresário.

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