Acordo Israel Mercosul é assinado


Por Frank Herles Matos

 

 

O Mercosul – Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, aguardando a aprovação da entrada da Venezuela como quinto membro e contando  com  o Chile, Bolívia, Peru e Colômbia como países associados – assinou no último dia 18 de dezembro um acordo de livre comércio com o Estado de Israel – o primeiro pacto comercial desse bloco com um país fora da América Latina.

O impacto econômico desse acordo é relativamente pequeno, mas suas implicações políticas serão grandes: Apesar de ter apenas 60 anos de fundação o novo Estado de Israel é um país altamente desenvolvido {1}, um dos melhores celeiros de desenvolvimento de novas idéias e um dos melhores parques industriais de tecnologia de ponta no mundo de hoje. E, a conclusão das negociações derrubou a tese de que o Itamaraty consegue firmar somente acordos com países pobres ou politicamente insignificantes e que o Mercosul não tem capacidade de negociar com outros países em conjunto. Além disto, como aliado dos Estados Unidos, Israel é um opositor aos países árabes – pelas seguidas tentativas desses em destruí-lo -, o que poderá criar impecilhos futuros n as relações brasileiras com alguns desses paíse.

Outra ponto a ser abordado é a possível entrada da Venezuela do Mercosul – ainda a ser aprovado pelos congressos do Brasil e Uruguai. Com um presidente tido como “comunista bufão e populista”, segundo os bastidores da diplomacia internacional; com estreitas relações com terroristas do Oriente Médio e América Latina, que se declaram eternos inimigos Israel, a confirmação da entrada da Venezuela nesse bloco pode não só criar problemas para esse acordo como implodir o próprio Mercosul!

Em todo caso, como diz a diplomacia francesal, “países não têm amigos, e sim interesses”. Assim sendo, cada país faz o que pode para defender seus interesses. No caso árabe, o Brasil jamais esqueçeu que, depois que a  Petrobrás, sob contrato de risco, descobriu a maior maior reserva de petróleo do mundo (o campo de Majnoon – em 1976, no Iraque), o governo iraquiano rompeu unilateralmente o contrato com a patrobrás e repassou a exploração à empresa francesa Total-Fina-Elf, em troca do fornecimento de tecnologia nuclear! Que por sinal a base principal acabou sendo destruída pela aviação israelense em 1981.

Esse acordo entre Israel e o Mercosul prevê a liberalização de aproximadamente 95% do comércio entre as duas regiões em até dez anos. Os produtos foram classificados em quatro categórias, com diferentes prazos para o fim das respectivas tarifas de importação.

O último detalhe técnico resolvido foi a demanda do Uruguai para a criação do “certificado de origem derivado”, pela qual um produto, ao chegar de Israel e ser desembarcado em um porto dos países do bloco, poderia ser reembarcado para outros países do mesmo bloco com um certificado de origem do país onde os produtos foram desembarcados; ou seja, como se tivesse sido produzido naquele país. A insistência dos uruguaios neste ponto se deve ao fato dos israelenses, por questões econômicas e estratégicas, preferirem desembarcar a maioria de seus produtos no porto de Montevidéu. E o governo do Uruguai deseja transformar esse porto no corredor natural de importações israelenses para todo o Mercosul. No entanto, outros países do bloco prevêm futuros problemas nas aduanas, como no caso de dúvidas sobre a origem de produto, quem seria questionado: Israel ou o Uruguai?

As indústrias do bloco comemoram esse acordo, “porque aumentará a competitividade de seus produtos em Israel”. Porém, os fornecedores do Mercosul ainda estão em desvantagens porque Israel já possui acordos de livre comércio com Estados Unidos, Canadá, Japão, União Européia e a Turquia. Para reverterem esse quadro terão que aprenderem a serem altamente competitivos, o que implica em reduções ou simplesmente eliminações de impostos sobre produtos de exportações, especialmento de origem agropecuários.

Segundo diversos analistas em política econômica internacional, dos países do bloco, o  Brasil e a Argentina serão os mais beneficiados com um substancial ganho tecnológico, com acesso bem mais barato a sofisticados equipamentos israelenses de irrigação, computação, segurança e militares.

Por outro lado, o mais importante desse acordo, segundo André Nassar, diretor-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), “é que ele será o gatilho natural para destravar uma estratégia de negociação bilateral mais agressiva”. Ele ressalta que o setor deseja também selar acordos com os países do Golfo Pérsico, Índia, África do Sul e União Européia.

 

{1} – Você sabe o que é Israel?

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One Response to Acordo Israel Mercosul é assinado

  1. edina da silva says:

    gostaria de reber monografias de comercio eterior prontas

    obrigada

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