O significado espiritual e correspondência dos Sacrifícios Mosaicos


Por Louis Calude de Saint Martin *

O primeiro Homem, em seu estado de glória, é apresentado nas Escrituras como sendo investido com total autoridade sobre a Natureza, particularmente sobre os animais, já que lhe foi concedido o poder de aplicar a eles seus nomes essenciais e constituintes; com a queda a Terra foi amaldiçoada, e animosidade se colocou entre a mulher e a serpente; contudo dificilmente vemos o homem sendo enviado para cultivar a terra, antes encontramos o uso dos sacrifícios de animais em sua família, uma forte indicação de que ele próprio os praticou, e que transmitiu esta prática a seus filhos que a espalharam por toda a Terra.

É fácil verificar o quão vantajosa esta instituição tão salutar em seu princípio e em seus objetivos, teria sido para o Homem se ele a tivesse observado em seu verdadeiro espírito; basta olharmos os sacrifícios restaurados na época de Moisés, para reconhecer que, se o povo os tivessem observado sinceramente, nunca teria sido abandonado, ao contrário lhe teria sido oferecido todas as boas coisas que era capaz de receber, uma vez que a luz e o poder divino os teria envolvido constantemente.

A primeira coisa a se notar, nas regras relacionadas a estes sacrifícios, é que eram, de longe, mais numerosas e importantes na ocasião dos três grandes festivais Hebraicos: a Páscoa, a Festa das Semanas, e a Festa dos Tabernáculos.

Estas três épocas solenes, tão instrutivas pelos fatos que relembram, os períodos fixos em que ocorriam, e a conecção que possuíam com a história espiritual e a regeneração do homem, mostra claramente como eram importantes os sacrifícios então praticados, uma vez que é natural supor que aconteciam para o desenvolvimento daqueles grandes objetivos.

A melhor coisa para se verificar a conecção destes três principais festivais com a história espiritual da regeneração do Homem é olhar continuamente a nossa própria natureza, e observar que, como somos caracterizados espiritualmente por três reinos ou eminentes faculdades constituintes, que requerem o máximo de desenvolvimento em cada um dos três planos, terrestre, espiritual e divino, através das quais passamos, é certo que todos os meios e leis que cooperem com nossa regeneração, deva seguir um curso correspondente a este número, e análogo ao tipo de assistência que solicitamos, de acordo com nossos estados de desenvolvimento e o trabalho de suas respectivas épocas.

Digressão sobre os números

A fim de que a palavra número não alarme o leitor, irei parar por um instante para mostrar-lhe que os números, embora fixos na ordem natural, não são nada, e só servem para expressar as propriedades das coisas, da mesma forma que em nossas línguas, as palavras só servem para expressar idéias, e não possuem, essencialmente, valor algum.

Contudo alguns pensaram que como os números expressavam as propriedades das coisas, eles realmente continham em si estas propriedades: esta tem sido a causa de tantas ilusões e descrédito com relação à ciência dos números, na qual, assim como em milhares de outros exemplos, a forma tem tragado a substância; enquanto que os números não podem mais ter valor ou existência, sem as propriedades que representam, assim como uma palavra não vale nada sem a idéia da qual é o símbolo.

Mas, há aqui uma diferença, a saber, que nossas idéias, sendo variáveis, as palavras que empregamos para expressá-las também podem variar; enquanto que, sendo fixas as propriedades das coisas, os números ou os algarismos que as representam não pode ser suscetível a mudanças.

Os matemáticos, embora longe do reconhecimento e emprego destes números fixos, dão uma idéia deles através dos números arbitrários ou livres de que fazem uso; pois eles aplicam, continuamente, estes números arbitrários à valores especulativos e quando os números são desta forma aplicados, nada mais são do que seus próprios representantes e símbolos, se separados não são nada, e os matemáticos puro, separados de qualquer aplicação, nada mais são do que uma invenção de si próprios.

A Natureza nada sabe deste tipo de matemáticos. A Natureza é a contínua união de leis geométricas, com fixos, embora desconhecidos, números. O Homem pode, em sua mente, considerar estas leis de forma independente de seus números fixos; mas a Natureza é a execução efetiva destas leis e não conhece abstração alguma.

Ora, os matemáticos se preocupam somente com os movimentos externos e com as dimensões das coisas, e não com suas propriedades internas, é certo que eles não precisam se preocupar com os números fixos, que são unicamente os símbolos destas propriedades. E, de fato, eles só tem haver com as dimensões visíveis das coisas, ou no máximo, com seu peso aproximado, velocidade e atração; fica claro que, para cumprir seus objetivos, a numeração ordinária é suficiente.

O que acabo de dizer sobre os números basta para acabar com o preconceito que geralmente resulta desta ordem de conhecimento, agora retorno ao nosso assunto, o sacrifício.

O Êxodo, uma correspondência da regeneração do Homem

O primeiro passo de nossa regeneração é a nossa evocação fora da terra do esquecimento, do reino das trevas e da morte. Este primeiro passo é tão indispensável, que depois dele podemos caminhar na estrada da vida, já que ele é como um grão que deve primeiramente fermentar na terra, para depois seguir seu curso de vegetação e de produção de frutos. Da mesma forma, vemos que a regeneração do povo Hebreu teve início com o poderoso trabalho que o trouxe fora do Egito, e o colocou no caminho da terra prometida. O mais notável é que, a própria época traz seu tributo de correspondência a esta obra maravilhosa, já que ocorreu no primeiro mês do ano santo hebraico, que tem início na primavera, o que expressou, temporariamente, a passagem em que a Natureza sai do langor e da morte do inverno, para a vida e a fertilidade.

É verdade que os Hebreus, naquela época, não ofereceram sacrifícios; isto porque, assim como o homem, no primeiro ato de sua libertação, eles ainda estavam em um estado de impotência, e desconheciam a lei que atuava sobre eles, como ocorre a uma criança quando é recém nascida no mundo.

No entanto, eles mataram um cordeiro em cada casa; e embora isto não tenha sido feito de acordo com a forma de sacrifício instituída mais na frente, houve nesta cerimônia uma virtude eficaz daquilo que estava por vir; assim, naquela grande época, verificamos o surgimento de quatro coisas importantes, ou seja, a evocação do Homem pela vida terrestre, a libertação do povo escolhido, o nascimento da natureza na primavera e o derramar do sangue de animais; e tudo isto não podia ter ocorrido de forma mais notável sem que tivesse uma correspondência íntima.

O Cordeiro

É preciso observar que o abatimento de um cordeiro era o ato preparatório, anterior à libertação dos Hebreus; disto podemos presumir o quão puras e regulares eram as influências ligadas a esta espécie de animal, quando liberadas através de seu abatimento, uma vez que eram respeitadas pelo anjo da destruição, e haviam se tornado o meio de proteção, ordenado por Deus, a fim de preservar os Hebreus da espada da justiça. Isto nos leva, com suficiente evidência, ao que dissemos anteriormente, que o sangue é o sepulcro do homem, do qual ele precisa, necessariamente, ser liberado, para dar o primeiro passo na grande senda da Vida. Isto mostra, da mesma forma, que de todos os animais, o cordeiro tem a maior e mais útil harmonia para a libertação e regeneração do homem, e que o seu sacrifício gera a ele grandes vantagens, já que dispõe ao homem, através das virtudes secretas do sacrifício, o mais seguro e glorioso meio de sair de seu próprio sangue.

Podemos encontrar algumas evidências desta verdade, até mesmo na ordem material, onde observamos que a espécie de rebanho a que pertence os cordeiros é o mais útil aos nossos corpos, e é suficiente a todas as nossas necessidades primárias, já que nos provê de alimento, roupa e luz. E não será supérfluo acrescentar, que esta espécie de rebanho, não obstante, só provê nossas necessidades passivas, necessidades que podem ser comparadas àquelas de nossa infância, ou do homem em privação; ele não nos proporciona nenhum daqueles suprimentos ativos que necessitamos numa idade mais avançada e que são fornecidas por outro tipo de animais.

Verificamos aqui o porquê dos cordeiros terem sido sacrificados somente na partida do Egito, que era o lugar em que, naquela época, o povo escolhido tinha acabado de nascer e representava, temporariamente a infância corporal e espiritual do homem, assim como a estação da primavera representava o nascimento e a infância da Natureza.

A Páscoa, seu caráter triplo: o primeiro período

O primeiro período da Páscoa apresentava três características de uma só vez: a comemoração da chamada do primeiro homem para a vida terrestre; a chamada atual do povo escolhido para a lei espiritual, e um sinal profético de nosso futuro renascimento na lei de Deus; este caráter triplo será encontrado nos outros períodos que examinaremos a seguir, pois todas estão conectadas pela realização de seus respectivos números, e assim se tornam, sucessivamente, o primeiro, comemorativo; o segundo, atual ou efetivo; o terceiro, figurativo ou profético.

A Lei, sua correspondência espiritual: o segundo período

Após o primeiro período, segue-se o segundo, no qual os Hebreus receberam a Lei no Monte Sinai. Todas as relações mencionadas acima também serão encontradas neste período.

Após termos sido chamados para a vida terrestre, há um período em que o espírito se junta a nós pela primeira vez, e nos comunica seus primeiros raios. Depois que o primeiro homem foi retirado do abismo em que o crime o havia mergulhado, e obteve através da morte de Abel e do arrependimento, uma porta para os caminhos da justiça, ele foi consolado, isto é comprovado pelo nascimento de seu filho Seth, que lançou sobre sua família a primeira sedimentação daqueles presentes, que a Misericórdia Suprema, ainda digna-se a oferecer à humanidade.

Mesmo supondo que nada sabemos sobre o período em que o primeiro homem, que nunca foi uma criança, recebeu, pela primeira vez, os auxílios da graça, sabemos que para o homem individual os primeiros gérmens do espírito se apresentam por volta de seus sete anos, e os frutos destes gérmens serão naturalmente desenvolvidos nas épocas correspondentes aos múltiplos deste número.

Sabemos que a Lei foi dada ao povo Hebreu quarenta e nove dias após a passagem do mar vermelho; sabemos que este período coincide com o tempo dos primeiros frutos, e que a festa instituída com referência a este fato foi chamada de a Festa das Semanas e dos Primeiros Frutos.

Finalmente, sabemos que esta lei foi salpicada com o sangue dos sacrifícios e das oferendas de paz, tirado do grande rebanho ou bezerros (Êxodo XXIV.5). É fácil levar a cabo as comparações que resultam de tudo isto, de acordo com os princípios que temos delineado.

As sete formas ou poderes espirituais: o segundo período continuou

Recordando aqui o campo universal das sete formas da Natureza Eterna, o número sete contido no quarenta e nove mostrará a atuação e operação dos sete poderes espirituais, abrindo o caminho dos trabalhos ativos ao povo escolhido, uma vez que este processo é também demonstrado nesta época, através da produção dos primeiros frutos da terra; não se pode duvidar que esta lei atuou, pelos poderes do mesmo número, no primeiro Homem, como ainda ocorre no homem individual, e com certeza seria muito mais positivo e significativo se não nos enchêssemos diariamente com falsas substâncias, que nos mantém sob falsas proporções, e impedem aquelas que são verdadeiras de atuarem sobre nós.

Neste período, o sangue dos bezerros foi derramado, enquanto que no primeiro período só o sangue do cordeiro é que foi derramado; isto porque este foi unicamente o período da libação, e o sangue do cordeiro serviu como órgão na obra de misericórdia, realizada sobre o povo, e indicada pela doçura, cujo cordeiro é o símbolo; nas características aparentes dos animais, podemos entrever suas influências predominantes, assim como das obras em que tomam parte, nos desígnios da Sabedoria.

O segundo período, estando o povo na selvajaria, no caminho oposto à sua terra, requereu mais energia para resistir a seus inimigos; e tudo nos leva a crer que o sangue de um grande rebanho, foi derramado nesta ocasião, o que indica que este era o objetivo do sacrifício desta classe de vítimas.

No primeiro período, o povo não tinha nada a fazer; apenas seguir o espírito que fez todas as coisas para ele, como uma mãe ou uma babá faz por uma criança em sua tenra idade: logo, não havia lei.

No segundo período, o povo é considerado capaz de agir por si mesmo; assim, a lei lhe foi dada e os preceitos da lei lhe foram ensinados a fim de que controlasse sua conduta através das árduas jornadas que havia à frente.

Portanto era natural que a mesma sabedoria que ditou as leis, comunicasse a força necessária para a sua observação, o sacrifício dos rebanhos apontam para isto; sem falar da força espiritual derivada do testemunho das maravilhas realizadas diante dele na montanha, não aquelas que esperavam da ordenação de seus sacerdotes, que foi subseqüente à promulgação da lei, e da emancipação do povo, e que pode ser considerada como o complemento e a consolidação deste segundo período: Moisés foi ordenado diretamente, sem a intervenção de qualquer ministério do Homem, pois ele era para ser como Deus para o Faraó, e tomar Aaron como seu profeta.(Ex.VII).

É certo que este segundo período era ao mesmo tempo comemorativo, real e figurativo, como o primeiro; mas devemos observar que cada uma destas relações ascende um grau, já que o segundo período tem início num grau mais elevado que o primeiro; é preciso ter em mente, quando considerarmos os períodos seguintes, que eles sempre avançam por graus e elevam suas operações continuamente, sem perderem suas características.

A Festa dos Tabernáculos: O Terceiro Período

Este terceiro período, no sentido restrito a que nos limitamos por enquanto, não é marcado por nenhum evento histórico nas escrituras sagradas. Foi indicado apenas pela solenidade do festival consagrado para esta celebração, a festa dos tabernáculos. Esta festa, não tendo qualquer evento atual a consagrar, aparece nas Escrituras (Lev. XXII.43) somente como uma comemoração de um fato anterior, ou seja, fazer com que o povo se lembre de que Deus o havia feito para habitar em tendas, após Ele o ter libertado da escravidão Egípcia.

Não será importuno acrescentar que o processo de regeneração não estava tão desenvolvido naquela época a ponto de oferecer à mente do povo tudo aquilo que expressava, particularmente com relação à via que o Homem é obrigado a construir nas regiões intermediárias entre seu primeiro e seu atual domicílio para que quando se despir de seu envoltório corporal, de sua terra do Egito, o seu sangue faça com que um verdadeiro faraó o domine.
A Festa dos Tabernáculos, presságio do futuro advento do Reino Espiritual.

Ora, este festival, o mais importante de todos, pelo número de vítimas oferecido, era a expressão figurativa e profética dos benefícios que aguardam o povo em tempos vindouros, mas dos quais ele não poderia ter idéia alguma, pois seu tempo ainda não havia chegado.

Podemos julgar quão enormes podiam ser estes benefícios, pela época do ano em que ocorria o festival; era no sétimo mês, após o recolhimento de todas as colheitas; era na renovação do ano civil, embora na metade do ano santo.

Podemos, então, certamente, ver neste festival o fim do círculo das coisas temporais, o advento do reino do Espírito e os inefáveis presentes e riquezas que se seguem ao desenvolvimento de seus poderes através de todos os períodos consecutivos e intermediários, desde a primeira instituição do festival, ao complemento do grande círculo.

Não preciso relembrar as propriedades características do setenário, para confirmar esta visão; basta nos convencermos de que este festival era mais profético do que comemorativo e se designava aos homens iluminados daquela época; embora, para o povo, este festival possa ter sido mais comemorativo do que profético. Iremos acrescentar apenas, para informação daqueles que estão familiarizados com os princípios dos quais os números são os símbolos, que estes atos setenários, neste terceiro período, são mais amplos do que no segundo período que era apenas uma iniciação à lei, enquanto que aqui se trata do cumprimento da lei.

No segundo período, o setenário ainda agia somente, por assim dizer, consigo mesmo e em seu próprio círculo; enquanto que no terceiro ele penetrou todo o círculo das coisas, por intermédio dos seis meses lunares através dos quais estendeu e desenvolveu seus poderes; isto aponta para as seis operações primitivas da criação, que terminou no sabath, e para a grande Época sabática, pela qual o grande círculo da duração do Universo chegará a seu fim e restaurará a liberdade a todas as criaturas.

A Lei dos Sacrifícios continuou

Uma segunda verdade fundamental, ligada ao que mencionamos acima, pode ser expressa aqui: sob a lei dos sacrifícios, tudo foi feito através das transposições, pois o Homem estava longe demais da verdade para que esta se unisse a ele diretamente.

A serpente de bronze, as obrigações, os sacrifícios, até mesmo as jornadas do povo Hebreu são evidências suficientes de que tal era o caráter da lei; isto se manifestou quando se percebeu que o Homem estando conectado, através do crime, com influências (ações) divididas, embora análogas, poderia ser liberado desta dolorosa divisão, somente através da reunião destas analogias.

Mas esta lei, à medida em que se desenvolveu, se tornou cada vez mais benéfica para o povo escolhido, que deve ser reconhecida como o símbolo do Homem. Da mesma forma, como já observamos anteriormente, vemos uma progressão de benefícios, atividade e graça que se seguia à progressão festivais e períodos; o sacrifício perpétuo, enquanto servia como comemoração da libertação do Egito, mostrava, ao mesmo tempo, a contínua vigilância do Amor Supremo sobre Seu povo, o qual Ele nunca irá desamparar.

O extraordinário holocausto, adicionado aos três grandes festivais, era para trazer ao povo aquelas virtudes ativas, de acordo com os planos reservados a cada diferente período; pois podemos ver touros, carneiros e sete cordeiros – independentemente de todas as outras oferendas que sempre eram acrescentadas aos sacrifícios importantes.

Assim, os gérmens foram plantados no povo, eles começariam a dar seus primeiros frutos no período seguinte; estes gérmens não poderiam ter sido plantados no Egito, pois era necessário que o povo fosse primeiramente purificado; a morada da morte não é capaz de receber a semente da vida.

Os nomes primitivos dos animais podiam revelar, nos Sacrifícios

sua natureza e influência.

Sem dúvida, se não havia nenhum véu estendido sobre a Natureza e sobre as propriedades dos animais, vemos claramente o real motivo pelo qual touros, carneiros e cordeiros eram preferencialmente empregados com relação a outros animais, em todos estes sacrifícios. Poderíamos justificar, com minuciosos detalhes, o princípio geral e fundamental, já que estas vítimas sendo conectadas às influências externas, e tendo seu sangue derramado, eram forçadas a trazer ao povo as influências das quais eram, respectivamente, os emblemas ou símbolos; se fazia com que os poderes se aproximassem do Homem, embora fossem somente os representantes daquele de quem um dia receberiam o espírito propriamente dito, e do qual ainda estavam muito longe.

Contudo nós perdemos os nomes primitivos dos animais, e nada com pouco conhecimento poderia verter uma luz viva e clara, nas diferentes espécies de animais, incluídos na classe de vítimas, assim como nas diferentes espécies de vegetais que serviam de oferendas nos sacrifícios; pois, se os números verdadeiros expressam as propriedades das coisas, seus nomes reais as expressam de forma ainda mais eficaz, pois são seus órgãos ativos. Isto é o que uma vez caracterizou a preeminência do primeiro Homem, e ainda deve caracterizar, de qualquer forma, em parte, o verdadeiro sábio, e o real ministro das coisas divinas, pois ele cumpre o Ministério do Senhor de forma útil e eficiente.

Os nomes hebraicos não ajudam muito a esclarecer esta grande questão. Estes nomes são ativos somente quando aplicados aos homens, às gerações do povo escolhido e aos seus ministros, como vemos pelos nomes característicos dos profetas e patriarcas, porque o homem era o objetivo principal deste processo de eleição e restauração; enquanto que, não tendo chegado ainda a grande época da restauração da Natureza, os nomes das plantas e animais não vão mais além em hebraico do que em outras línguas, e seus verdadeiros nomes ainda estão ocultos no que Jacob Boehme chama de “a língua da Natureza”, até que os selos sejam abertos.

Podemos nos estender a respeito da idéia geral que expressamos acima, ou seja, que na assustadora destruição da natureza, na ocasião do lapso criminoso do Homem, algumas substâncias, minerais, vegetais ou animais foram melhor preservadas do que outras; isto quer dizer, que elas retiveram uma grande proporção das propriedades vivificantes e poderosas de seu estado primitivo; e que, sem dúvida, estas tem sido as preferencialmente usadas nos sacrifícios e em outras cerimônias de veneração, como sendo mais capazes de prestarem serviço ao Homem, uma vez que permaneceram mais próximas do pacto primitivo: mas isto requer um conhecimento mais extenso de nossa parte, sobre o estado primitivo das coisas, e nós apenas fizemos uma alusão a seu respeito.

Circuncisão, sua razão e efeito

Vamos considerar agora uma questão que pode ser considerada a chave para a explicação dos sacrifícios.

Se os sacrifícios operados para o Homem, através de suas correspondências, se o derramar do sangue das vítimas era o meio estabelecido para efetivar este objetivo, podemos nos perguntar como que a circuncisão não podia ocorrer no lugar dos sacrifício? Pois poderíamos supor que sendo derramado o próprio sangue do Homem, ele poderia operar com mais eficácia do que aquele de outras vítimas, devido à superioridade de suas correspondências. A esta questão responderíamos da forma que se segue.

A virtude dos sacrifícios derivam da convicção

Se os sacrifícios de sangue atuavam através de suas correspondências, eles derivavam suas virtudes, radicalmente, pelo desejo do ministro e do desejo daquele que crê e que o acompanhava; desta forma, o desejo divino propriamente dito se unia a eles. Ora, como este desejo, que é a fé real ou convicção, não pode, sob circunstância alguma, ocorrer sem uma base ou campo; o sangue dos animais servia para auxiliar este desejo a alcançar um campo ainda maior, até repousar em bases perfeitas, no Coração Divino, que governava, em segredo, todos os sacrifícios, e que por fim os iria coroar.
A convicção; a diversidade das formas.

Podemos notar, que a necessidade de uma base para apoiar a verdadeira convicção ou desejo é a chave para todas as diversidades de sacrifícios, sejam de sangue ou não, assim como a adoração de ídolos e qualquer outro tipo de adoração praticada sobre a Terra, além de tudo aquilo em que as nações têm a mesma fé, e erram somente em relação a esta base; a escolha desta base é muito importante já que deveria ter correspondências fixas com um verdadeiro centro, natural, espiritual ou divino, – e as nações cometeram um enorme erro a este respeito, e não é de se surpreender que suas trevas sejam tão universais.
A circuncisão, não como base da convicção, apenas uma iniciação.

Ora, a circuncisão não poderia servir como base para a convicção ou desejo, já que era praticada a poucos dias após o nascimento; e se, em Abraão ela foi praticada na maturidade, foi somente porque este patriarca não havia sido escolhido enquanto criança para ser o chefe da raça eleita, e ele tinha que participar livremente da aliança. Além do mais, ele representava somente os primeiros degraus da reconciliação.

Contudo, embora uma criança não possa ter uma verdadeira convicção ou desejo, o sangue do Homem, derramado durante a circuncisão das crianças tem, sem dúvida, um efeito; contudo, tal efeito era limitado, por assim dizer, a realizar uma espécie de purificação religiosa, como se, de alguma forma, os apartassem deste sistema sangüíneo em que o crime do Homem nos submeteu, e os iniciassem num trabalho ativo e eficaz no qual a convicção ou desejo de cada um pudesse algum dia os empregar voluntariamente. Este era, mais que nada, um efeito figurativo da grande circuncisão e da libertação corporal, do que a realização de algum poder regenerativo vivificante, como o holocausto, quando a convicção tinha ao menos alguma influência, uma vítima pura era sacrificada, e o completo desenvolvimento de todas as correspondências das influências regulares atuavam na restauração do Homem, ainda que parcialmente, aos seus direitos e alegrias.

Além do mais, vimos que a morte do Homem foi o único sacrifício de sangue capaz de restaurá-lo à plenitude de suas relações, e ao perfeito caminho de retorno ao seu Princípio. Portanto, como o princípio da vida animal não era eliminado através da circuncisão, a observação desta lei não poderia, por si mesma, atrair sobre ele nenhuma influência restauradora poderosa; e se o sangue dos animais (sacrificados) não tivesse sido substituído pelo do homem (na circuncisão) ele teria permanecido pela vida na mesma privação e escravidão.

Ao mesmo tempo, como já dissemos, esta circuncisão não era inútil, já que era uma espécie de iniciação nas etapas que o Homem ainda não podia apreciar. Mas, precisamente por ser uma iniciação, era necessário que o tornasse capaz de receber seus frutos progressivos, e isto acontecia realmente, na medida em que abria seu sangue a todas a influências regulares que os sacrifícios dos animais pudesse lhe trazer.

Assim, quando a autoridade divina consagrava este princípio, que talvez já fosse até usado entre outros povos (embora não usado com este mesmo objetivo) e ordenado como uma das leis sagradas do povo judeu, esta cerimônia era estritamente recomendada. Todos aqueles que não eram circuncidado eram excluídos dos sacrifícios porque as influencias regulares, que aqueles sacrifícios atraíam, não encontrando nenhum caminho aberto para atingir seu princípio de vida, poderia atuar forçadamente e com violência contra aqueles que não cumpriam a lei e exterminá-los no meio do povo.

Antes e Depois do Dilúvio

Como a circuncisão parece ter sido praticada após o Dilúvio, todos os sacrifícios, feitos anteriormente a este evento, devem ter sido inúteis. Ora, se não temos provas que esta prática estava em uso antes do Dilúvio, também não temos nenhuma prova do contrário; admitindo que ela tenha tido início após o Dilúvio, todas as dificuldades desaparecem quando refletimos sobre as diferenças de estados em que a humanidade se encontrava nestas diferentes épocas: reflexão que também se aplica aos animais.
Antes do Dilúvio, o Homem desfrutava de todos os poderes de sua natureza corporal animal; esta roupagem temporária que lhe foi dada como um órgão para as influencias e virtudes superiores, que é tão útil a ele, estava mais de acordo com o plano traçado para a sua restauração, estando, conseqüentemente, mais aberto as influências salutares, ele podia não recorrer a circuncisão para que elas tivessem acesso ao Homem.

Por outro lado, como os animais desfrutavam de um tempo de vida maior do que jamais haviam tido, seu sangue era mais eficaz, o que poderia fazer com que a assistência da circuncisão fosse menos necessária do que se tornou no segundo período, quando todas as coisas foram mudadas. Toda a natureza tinha sido torturada e alterada pela calamidade do Dilúvio. Os crimes da humanidade afundaram no Dilúvio e está se tornou muito mais presa pelas correntes da matéria; os próprios animais perderam suas virtualidades na renovação de suas espécies, que vieram menores do que eram antes desta explosão de vingança da Justiça Suprema. Em resumo, a que reflexões não levariam aqueles enormes esqueletos?

Se a Sabedoria não tivesse provido ao homem meios de remediar este fatal resultado da justiça, ele teria continuado sem caminho algum de retorno ao seu Princípio, e o plano do Amor divino em favor da humanidade teria sido irrealizável, já que a primeira iniciação neste caminho não teria ocorrido. Ora, de tudo o que temos visto, a circuncisão parece ter sido o meio que supriu, após o Dilúvio, as vantagens que os homens e os animais desfrutavam antes daquela catástrofe.

Talvez mesmo se o povo tivesse sinceramente observado as leis e instrumentos que Noé transmitiu a eles, na qualidade de eleito e escolhido de Deus, ele tivesse continuado sob condições poderosas suficientes para que este novo meio fosse desnecessário.

Mas, através da ofensa de Ham e Canaã, e pelas abominações cometidas nas planícies do Shinar, eles acrescentaram mais correntes àquela que o Dilúvio colocou sobre eles, e agravaram os obstáculos que já os posicionaram contra a reunião com sua Fonte. Não é de se admirar que o amor que os criaram os seguiu até ao abismo em que afundaram, lhes oferecendo uma nova rota através da qual poderiam retornar a Ele.

Vamos retomar os três períodos, e os veremos retratados em menor escala, na importância dada à circuncisão entre os Hebreus.

A circuncisão Judaica: o primeiro período, durante a época de Abraão

É durante a época de Abraão que pela primeira vez encontramos algo sobre circuncisão nas Escrituras; o Senhor confirma ali sua aliança com ele e sua posteridade. Sob quais circunstâncias esta circuncisão foi ordenada pelo Senhor? Foi quando Ele deu um novo nome a Abraão, e também à sua esposa, adicionando a seus nomes antigos, uma única letra do nome sagrado através da qual Ele se tornou conhecido a Moisés pela primeira vez. Foi quando Abraão tinha noventa e nove anos, logo após Deus ter feito um pacto com ele, prometendo-lhe a terra de Canaã; em resumo, foi quando Deus escolheu para Si, pela primeira vez, um povo de quem todas as gerações devem ser abençoadas.

Tudo isto mostra, mais uma vez, que a circuncisão tinha uma virtude iniciatória, onde todas as virtudes que Deus preparou para seu povo não teriam efeito algum se Ele não tivesse aberto este caminho para que se cumprissem. Abraão havia recebido, contudo, auxílios divino previamente a esta cerimônia; ele foi tirado de sua própria terra, que havia sido invadida pela iniqüidade; ele havia erigido altares ao Senhor em Bethel, e invocado seu nome; ele havia sido abençoado por Melchizedeck e no sacrifício de sangue que ele ofereceu por ordem de Deus, recebeu evidências da presença do Espírito; mas isto contradiz os princípios que estabelecemos.

Abraão foi eleito do Senhor, embora tenha nascido entre os idólatras e de alguns o acusarem de ter comerciado ídolos. Seu coração pode ter permanecido puro, embora seu espírito possa ter sucumbido as mesmas trevas que cubriam seus contemporâneos. Assim, os auxílios divinos podem ter encontrado acesso a ele, sem os meios secundários da circuncisão.

Além disso, é preciso fazer uma distinção essencial entre os meios empregados por Deus para manifestar uma eleição, e aqueles usados para fazer com que esta eleição se cumpra.

Veremos sempre estes diferentes meios formarem duas classes em todas as eleições e épocas subseqüentes; temos uma prova real disto na eleição de Abraão, já que, apesar de todos os auxílios que ele havia recebido, antes de sua circuncisão, foi somente após a sua obediência a esta lei, assim como a de todos os seus familiares, que ele recebeu a visita de três anjos; que a época para o nascimento de Isac foi claramente fixada; e que, no final do ano recebeu seu Filho prometido, através de quem o pacto iniciado com Abraão, deveria ser realizado e completado.

Nada mais é preciso para nos convencer de que, na época em que se começou a falar sobre circuncisão, ela era entendida como iniciação em todos os benefícios prometidos na eleição, e assim sendo, tem uma sensível relação com o que dissemos sobre a Páscoa, ou o primeiro período do retorno dos Hebreus à terra prometida.

O Segundo Período, durante a época de Moisés

A segunda vez em que a circuncisão é mencionada nas Escrituras é em Moisés (Ex.IV.25), de onde se conclui que esta cerimônia tinha sido negligenciada, sendo a causa da fúria do anjo, além do mais a circuncisão é novamente recomendada assim como todas as outras leis e decretos da montanha (LV.XII.3); isto nos leva a considerar a lei da circuncisão, dada na montanha, e aquela realizada no filho de Moisés, como um único e mesmo período.

O tempo em que esta lei reapareceu é notável pela sua conformidade com aquilo que se passou no período de Abraão. Foi após Moisés ter visto a sarça ardente e recebido a promessa de Deus de que o povo seria libertado; foi após ele próprio ter sido escolhido o instrumento desta libertação, e recebido os mais extraordinários sinais de sua missão, que a vingança divina, prestes a cair sobre seu filho, foi detida pela submissão de Séfora; finalmente, foi no momento do retorno de Moisés ao Egito para iniciar sua missão que esta cerimônia foi realizada em seu filho.

Esta comparação mostra claramente que a cerimônia era como uma iniciação dos frutos da libertação prometida, da mesma forma que na época de Abraão era como uma iniciação aos frutos de sua eleição; nenhuma delas pode ser realizada sem o derramamento de sangue. Não se deve dar importância ao fato de o sangue do filho, no caso de Moisés, é que foi derramado e não o do próprio patriarca, pois embora fossem dois indivíduos distintos, o sangue deles pode ser considerado como um; além disso, há sob este véu inumeráveis relações de outras verdades, que os olhos observadores irão descobrir sem dificuldade.

Assim, sem minha interferência na exposição destas verdades, se verificará, num período mediano, uma dupla circuncisão, uma comemoração do sacrifício do filho de Abraão, e a profecia de um outro sacrifício, sobre o qual ainda não é hora de falar a respeito. Devemos ficar satisfeitos com a observação de que a eleição de Moisés, e a circuncisão ocorrida visavam os primeiros frutos vivificantes da promessa feita a Abraão, conectá-los quase que naturalmente com o segundo período, ou com o segundo festival Hebraico, no qual a terra ofereceu sua primeira produção, e o povo recebeu os primeiros frutos do Espírito, que era a Lei; pois, nestas comparações, nunca se deve esquecer que todo ternário de épocas forma um círculo, e que todo círculo precedente é um grau menos elevado do que seu sucessor.

Circuncisão, terceiro período, durante a época de Josué: suas correspondências

Finalmente, a terceira vez em que o ritual da circuncisão aparece nas Escrituras, é durante a época de Josué, quando o povo esta prestes a entrar na terra prometida (Js.V.2). Este ritual não havia sido realizado durante os quarenta anos em que o povo viajou no deserto; e aqueles que haviam sido circuncidado no Egito tinham todos perecido; assim, Deus reviveu este ritual para todos aqueles que permaneceram não circuncidados, a fim de que “todo o opróbrio do Egito pudesse ser extraído do povo”; e todo o povo foi circuncidado em Guilgal.

Não se pode evitar de notar o momento em que esta circuncisão apareceu novamente, e as numerosas maravilhas que se seguiram. Foi por ocasião da entrada na terra prometida, assim como a circuncisão de Abraão foi na ocasião de sua entrada no pacto da eleição e aquela do filho de Moisés no momento de seu ingresso no caminho da lei e do trabalho; e a este respeito, este período está conectado com o terceiro dos festivais hebraicos, que foi aquele da abundância, da festa celebrada após a colheita, a realização de todos os seus trabalhos.

Este período está tão conectado com as comemorações na ordem temporal e terrestre, porque representa o futuro repouso que o povo deve desfrutar depois de destruir ou subjugar os habitantes de Canaã, apenas profeticamente, pois sua entrada na terra da promessa os admitem unicamente nas batalhas que devem travar ali; e as vitórias que eventualmente possam se seguir tinham sido indicadas por aquelas conquistadas sobre o povo do deserto.

Não é demais observar que foi no primeiro mês que ocorreu esta entrada na terra prometida; assim como foi no primeiro mês que o Êxodo do Egito, ou a libertação, ocorreu; isto porque aqui os dois círculos retornam ao mesmo ponto, embora o segundo seja relativo a uma ordem das coisas, muito maior e mais ativa que o primeiro.

Mas o que realmente indica o quão vantajosa era a circuncisão naquela ocasião é que após a cerimônia, o maná deixou de cair, e o povo começou a comer dos frutos da terra; que Josué entrou sob a proteção direta do Príncipe visível dos exércitos do Senhor; que as trombetas do Júbilo se tornaram as principais armas do povo, e ao seu som, acompanhado por aquele do Verbo, ou palavra (parole), os muros de Jerico foram derrubados, e cada homem foi capaz de entrar na cidade seguindo a este som; tudo isto é um modelo daquilo que está reservado ao Homem nos períodos subseqüentes, e do que nos espera quando estivermos fora de nosso confuso e terrestre círculo.

Eficácia dos Sacrifícios ao longo da destruição de Jerusalém

Verificamos aqui o poder e eficácia dos sacrifícios, pois todas as maravilhas que mencionamos foram precedidas não somente pela circuncisão mas também pelos sacrifícios ígneos da Páscoa que o povo celebrou em Guilgal, e provavelmente também aqueles que Moisés e os anciãos recomendaram por ocasião em que deveriam entrar na terra prometida (Dt. XXVII.), e sobre quais o livro de Josué não menciona antes da conquista de Hai (VIII.30), mas que se acredita terem sido oferecidos após a passagem do Jordão, como Moisés havia ordenado.

Não iremos recapitular o que já dissemos a respeito da eficácia destes sacrifícios, confirmada pelo sucesso maravilhoso que se seguiu a eles; é suficiente já ter estabelecido uma vez os sacrifícios como um princípio de relação que o sangue tem com influências regulares (ações) e que estas possuem com influências mais elevadas, para compreender as vantagens que o homem ou o povo escolhido pode extrair destas cerimônias, com relação à sua libertação e progresso com relação ao cumprimento de sua verdadeira liberdade.

Deveríamos observar no mesmo espírito todos os sacrifícios oferecidos pelos hebreus, desde sua entrada na terra prometida até a destruição de seu último templo pelos Romanos; é desnecessário seguir a linha histórica e as épocas, pois todas derivam de um princípio reconhecido, precisamente o princípio ou a chave universal com a qual devemos atuar; completamente convencidos de que isto é derivado da verdade, irá então solucionar nossas dificuldades.

Iremos, assim, passar a um outro tipo de observação com relação a estes sacrifícios, a saber, como que a sua instituição veio a ser estabelecida por todo o mundo, sob tão variadas formas e, às vezes, de forma tão contrária à razão e até mesmo de forma criminosa.

* Louis Calude de Saint Martin, filósofo e teólogo francês – 1743-1803.

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