Liberdade aos cativos


A Terapia Emergente do Tratamento de Possessões Espirituais

Por Louise Ireland-Frey *

Entidades não-humanas

Não é raro – talvez uma vez a cada dez ou doze clientes – ao verificar a natureza das entidades parasitárias dentro deles, eu descobrir que estou em contato com uma entidade que reivindica nunca ter sido humana. A pergunta é: “Você já teve seu próprio corpo físico humano?” Esse é o teste sugerido por Baldwin e por nós usado na diferenciação. Quando a resposta é um simples “não” (em geral feito com o dedo), eu aceito a resposta. Se a resposta for algo do tipo: “Sim, este aqui,” um interrogatório adicional poderá mostrar que a entidade não é uma segunda personalidade ou fragmento do cliente, e sim um espírito não-humano tentando fingir que possui seu corpo.

Dos vários tipos de entidades não-humanas relacionadas por Baldwin em sua abrangente obra (veja Bibliografia) incluo aqui somente os que encontrei pessoalmente em um ou mais clientes. Lembrem-se de que durante uma sessão de liberação, nem o cliente nem eu sabemos com o que vamos nos deparar, tampouco com que tipo de entidade poderemos entrar em contato, e cabe a mim decidir a classificação da entidade, depois de considerar as informações. As entidades não vêm já convenientemente rotuladas! Por conseguinte, é possível que eu tenha colocado o rótulo errado em alguns dos casos seguintes.

 

Tipos de Entidades Não-humanas Obsedantes

Parecem dividir-se em duas categorias principais: os seres individuais, e as criadas por humanos. As últimas aparentemente não são “entidades,” talvez, mas as técnicas eficazes para lidar com elas são quase idênticas às utilizadas com autênticas entidades vivas. Portanto, relaciono algumas delas aqui, embora vá deixar algumas para um capítulo posterior. Os quatro primeiros tipos são criados por seres humanos.

1. Formas-pensamento Criadas no plano mental pelos pensamentos das pessoas. Quando fortes, adquirem vida própria, mas são desprovidas de “personalidade” ou “alma” exceto o pensamento original. São capazes de pensar e falar, dentro de certos limites; não têm conceito de certo ou errado e seu único objetivo é seguir as instruções da(s) pessoa(s) que as criaram. Mais será dito sobre elas abaixo.

2. Formas de emoção  – Semelhantes às formas-pensamento, baseando-se, contudo, em emoções, semelhantes a porções fragmentárias personificadas do próprio caráter da pessoa ou dessa outra pessoa. Elas dizem que se chamam “Medo,” “Raiva,” “Dor,” ou até “Morte.” Quase todas são elementos negativos indesejáveis, embora o hipnotista provavelmente pudesse também invocar elementos tais como “Honestidade,” “Coragem” ou “Sabedoria.” Apenas os negativos causam problemas. Converso com todos eles com simplicidade como se cada qual fosse um ser vivo dotado de entendimento.

3. Votos e feitiços jurados ou invocados no passado – Alguns podem ser antigos, de vidas passadas de muito tempo atrás. Eles chegam a ter vida própria duradoura, como as formas-pensamento, quer positivos ou negativos – embora até mesmo os “positivos” apresentem aspectos negativos, como desejo de controle, de posse ou de superproteger. Talvez compreensíveis, até mesmo adequados em certa ocasião, esses votos amorosos ou protetores encerram-se profundamente no subconsciente com a passagem das vidas.

4. Falsos protetores Em forma de animal (termo de Baldwin), rosnam, rugem, ameaçam. Alguns (ou todos?) podem ser formas-pensamento. Essas entidades se apresentam como protetores do hospedeiro. Não encontrei guias animais dos tipos xamânicos em forma de entidades invasoras e obsedantes. Seres que desejam ajudar não invadem.

5. Alma Animal Em pouquíssimas ocasiões encontrei uma alma de animal na forma de entidade obsedante – um lobo num caso, um cordeiro em outro, o último provoca no cliente um medo terrível de lobos.

6. Espíritos da natureza – Incluindo os descritos por várias religiões: espíritos de árvores, de pedras, de nuvens, e assim por diante. Até agora, não encontrei muitos desse tipo, mas aparentemente incluem os “pequeninos” descritos ao longo dos séculos por muitas pessoas dotadas de visão astral como duendes, fadas, gnomos, aqueles anões do folclore escandinavo, etc.

7. Vírus espirituais ou elementos concordantes – Aparentemente os mesmos que Baldwin chama “mente de grupo” ou “influência familiar de grupo.” Essas entidades encontramos várias vezes. Agente infeccioso passivo presente no nível psicoespiritual, essa entidade pode se difundir por toda uma família no correr das gerações, como uma maldição, ou pode passar a outras pessoas, infectando-as. Esses elementos nos dizem que é possível inativá-los mas não matá-los.

8. Elementais e legiões Seres não-físicos invisíveis bastante limitados intelectualmente. Podem ou não ter nomes. Não intrinsecamente maus, mesmo assim em geral pertencem ao lado sombrio e precisam ser tratados como crianças teimosas, de forma bondosa mas muito firme. Parece haver certa sobreposição entre estas entidades e entidades demoníacas secundárias, pelo menos em minhas tentativas de classificação.

9. Seres demoníacos – Definitivamente pertencem ao lado sombrio. Alguns reivindicam ser seguidores de uma força sombria mais poderosa, tal como Satanás. Os seres secundários talvez digam que não têm nome. Eles são relativamente fracos, embora possam no princípio tentar apresentar uma bombástica fachada ameaçadora. As entidades sombrias fortes, como sempre, são depravadas, inteligentes e astutas, tendo profundo ódio e desprezo pelos seres humanos. Ao tentar transformar a fase obsedante em posse total, podem fazer com que o cliente tenha convulsões ou se mostre violento.

10. Seres extraterrestres. Até hoje encontrei apenas um número moderado de entidades que reivindicam ter vindo de outro sistema planetário; mas outros terapeutas tiveram contacto com mais. Algumas são entidades que – sem invadir o ser humano – oferecem recomendações e conselhos à raça humana. Aqueles com o quais lidamos pertencem aos tipos inferiores, os invasores, os manipuladores ou então, os meramente curiosos.

O relato seguinte acerca da breve liberação de um jovem servirá de introdução às entidades não-humanas.

 

Cody

Este jovem, “Cody,” disse ter problema com bebida e ataques de fúria e comportamento irracional desde a idade de 12 anos. Seus movimentos de dedo mostravam haver uma entidade que o obcecava. Quando invocada, a entidade, expressando-se por intermédio do cliente, começou a rosnar e assobiar, mostrando os dentes. Disse que seu nome era “Casterlai,” assobiando o nome por entre os dentes e fazendo todo o corpo do cliente tremer tenso.

Coloquei minha mão no peito do cliente e disse: “Fique calmo…assim,” o corpo gradualmente relaxou um pouco.

Casterlai disse ter entrado no cliente quando Cody tinha seis anos, mas ficou mais “interessado” nele quando o menino tinha 12 anos.

– Você já foi humano?

– Nâo.

– Você pertence ao lado sombrio?

– O que você acha?! perguntou sarcasticamente.

– Peço que os Seres Resplandecentes coloquem uma rede de luz a seu redor – o calor à toda sua volta. Está sentindo? Sente minha mão quando a coloco no braço de Cody, e sabe que me importo com você. Ter alguém que se importe com você não é melhor do que ficar só?

– Sim, ele murmurou.

– Acho que você não quer ficar só.

– Não, ele disse, sua linguagem bombástica desaparecera.

Ele disse não ter sido “criado” por ninguém, que não era um ser “individual” e que não era “um espírito das trevas.” Quando lhe disse para olhar bem fundo dentro de si mesmo, no seu âmago, ele achou que estava frio; quando lhe disse que olhasse dentro do frio, ficou deitado de olhos abertos, passivo, sem responder.

Prossegui, “Existe calor bem no seu âmago. Afaste-se da escuridão e do frio. Sinta o calor – sinta o calor dos Resplandecentes. Abra seu coração à sua luz e calor. Está sentindo? Olhe nos olhos dos Seres Resplandecentes, veja a expressão em seus olhos. Você vê raiva? Vê ódio?”

– Não, respondeu ele.

– Vê bondade, brandura?

– Sim.

– Acho que eles o mandariam embora se você fosse ter com eles?

– Nâo.

– Resplandecentes – dirigi-me a eles -, levem este ser cansado a seu devido lugar, onde ele possa descansar e se transformar silenciosamente, milagrosamente, num novo ser por meio de sua energia e luz. Casterlai, dê sua mão aos Resplandecentes. Você tomou a decisão de se voltar à luz e à bondade…. Cody, o que você vê?

Houve uma pausa. Quando perguntei se Casterlai e os Seres Resplandecentes se tinham ido, Cody respondeu: “Sim.”

Creio que estas entidades nâo-humanas são mais ou menos masculinas, embora na verdade não tenham sexo; e por força de hábito antigo, tendo a pensar nelas como tendo forma mais ou menos humanas, embora na descrição dos clientes, ou das próprias entidades, frequentemente apareçam termos como “informe,” “parecido com uma bolha cinza,” e assim por diante. Eu falo do “coração” e da “mão” delas e ocasionalmente uma entidade talvez me corrija: “Não tenho coraçao; não tenho mãos.” Então, passo a usar expressões como “bem no seu âmago,” “estender,” e então espero até o cliente recobrar sua plena consciência e escuto o que o ele viu: “A entidade era como uma ameba e estendia para fora de si uma presa….”

Suponho que Casterlai deva ser classificado como forma de emoção, não “criado” como forma-pensamento, não um “ser individual” nem um espírito das trevas, um tipo demoníaco, e sim mais uma personificação da raiva desamparada de uma criança cobrindo a profunda sensação de frieza, de não ser amada, dessa criança.

Uma segunda entidade, que era humana feminina, também foi encontrada em Cody. Depois da ajudá-la a entrar na Luz, comecei a fazer a contagem regressiva para que Cody voltasse à consciência normal. Ele estava murmurando baixinho. Ele pensou que era ele mesmo cantando, mas fiquei pensando se não seriam também Casterlai ou a pobre “Betty” cantando afinal. Como se vê, entidades tanto humanas como não-humanas podem estar presentes, obcecando o mesmo cliente.

 

Formas-Pensamento – Formas de Emoção

O pensamento é extremamente forte. “Pensamentos são coisas, concordam muitas fontes; e o pensamento repetitivo pode produzir realidade – rapidamente nos reinos invisíveis, de maneira mais gradual e lenta, contudo segura, neste lado da morte.

Os pensamentos e conceitos combinados de muitas pessoas no decorrer dos séculos criaram muitas formas-pensamento poderosas que foram representadas tanto visualmente, em retratos artísticos e imagens esculpidas, como em estereótipos mentais/verbais. Alguns são tremendamente poderosos por terem sido crenças aceitas durante eras por milhares de pessoas, podendo ser nobres ou terríveis, perversos ou bons. Os bons e nobres podem por vezes ficar visíveis a pessoas sérias na forma de visões. Os maus ou terríveis podem influenciar seres humanos na forma de pesadelos, perseguindo-os como medos, raivas opressivos, etc., ou podem invadir como entidades obsedantes.

Os pensamentos de uma pessoa individualmente também criam formas-pensamento, em sua maioria evanescentes, mas quando deliberadamente criados por uma ou mais pessoas em rituais e enviados para cumprir um propósito determinado, contém o poder dos pensamentos, desejos e instruções concentrados dos criadores. Existe tanto a magia negra como a branca. Estas formas-pensamento passam a ter vida própria, mas são limitadas. Em geral elas sentem não ter livre-arbítrio nem objetivo, exceto seguir suas instruções, sem conceito de bem ou mal. Elas pensam de forma limitada e sabem falar.

 

Formas-Pensamento Criadas

As formas-pensamento que encontro ao executar liberações são em geral de natureza negativa. Muitas se mostraram criações de humanos, inclusive adolescentes, usando antigos rituais de magia contidos em antigos livros que estão sendo atualmente republicados. Algumas destas pessoas começaram com magia branca, cujo objetivo é fazer o bem; mas, tentadas pela sensação de poder, passaram à “magia cinzenta” (usando o poder para propósitos egoístas) e em seguida à “magia negra” (usando o poder para controlar, manipular e até mesmo prejudicar outras pessoas e animais). Eu chamo estas formas-pensamento e falo com elas quase exatamente como com psiques presas à terra, mas em vez de usar a idéia de amor para abrandar a resistência, a idéia de felicidade é muitas vezes a chave para uma entidade não-humana.

 

Jock – 1

“Jock-1” era um jovem muito talentoso e inteligente, desempregado na ocasião. Passara por várias fases de azar e sentia que forças negativas tinham sido orientadas contra ele, dois anos antes, quando estava segurando nos braços uma criança, e meditava para curar-lhe a febre. O pai da criança veio para casa, bateu na mulher por permitir que Jock segurasse a criança e mandou que ela: “Nunca o deixasse tocar o menino!”

Em estado de hipnose, ele respondeu rapidamente a meu chamado quando pedi que a entidade mais forte ali presente emergisse. A entidade disse seu nome era Mikedor; que nunca tivera um corpo próprio e entrara em Jock “para destrui-lo.”

– Você é energia “conjurada” por um mago negro?

– Eu simplesmente sou. Fui criado por uma pessoa para destruir esta aqui.

– Por que esta pessoa queria destruir Jock?

– Nâo sei. A fonte da qual vim me mandou; meu propósito é despedaçar e destruir a mente e corpo desta pessoa aqui.

– Você está feliz por realizar esta tarefa?

Houve uma pequena pausa. “Não.”

– Parece-me que foi um mau negócio, você ser controlado, não ter liberdade, nem prazer.

– Não foi um “negócio.” Não tenho vontade própria.

– Mikedor, vou explicar. Há forças de destruição e também forças de crescimento, forças positivas. Você tem vontade própria. Você pode ser feliz. Estou chamando algumas entidades Resplandecentes. Agora você só precisa se virar para elas; simplesmente se volte para que a luz delas brilhe no seu rosto, só isso. Você pode optar entre descer às trevas para sempre – e nunca aborrecer nenhuma criatura viva – ou se voltar para a Luz. Vou contar lentamente até três enquanto você pensa e faz sua escolha: um, dois, três…. O que decidiu?

– Seguir em frente – rumo aos desejos – passar à Luz.

Quando ocorre um momento assim sinto-me profundamente comovida. Nada há de superficial nem de falso nesses momentos. Também me sinto profundamente aliviada. Raramente uma entidade tomou a decisão contrária, mas a pausa durante a qual as coisas estão na balançaa é uma aflição.

Sugeri agora a Mikedor: “Por que você nâo vai ter com os Seres Resplandecentes e inclina a cabeça diante deles? Você não sente felicidade agora? Olhe-os no rosto e me conte as suas expressões.”

– Abertas e carinhosas.

– Alguma vez já viu alguém olhá-lo com carinho?

– Ninguém jamais me olhou.

Quando ele disse isto, senti a solidão daquela existência. “Mikedor, o caminho não é curto. Se você estiver disposto a ir ao Lugar de Aprendizado, dá a mâo a um dos Seres Resplandecentes.” Houve uma pausa. “Até agora nunca lhe permitiram tomar decisões? Certo, está pronto para entrar na Luz?”

Novamente ele respondeu afirmativamente; e Jock o viu partir com os Seres Resplandecentes, rumo aos “desejos.”

 

A Energia de Votos, Maldições e Feitiços – Não-humanos, “Não-entidades”

Estas influências, às vezes personificadas e às vezes não, podem continuar afetando as pessoas de uma geração para outra, seguindo a linhagem física, como num exemplo dado abaixo, ou seguindo a linhagem cârmica, a partir da vida de uma alma passando por vidas sucessivas. Quase sempre aqueles que nós encontramos foram negativos mesmo que originalmente tenham começado por “amor” ou “proteção” – sendo no fim mais uma questão de desejo de controle ou posse do “amado” do que a representação de uma ternura pura e desinteressada.

Às vezes o voto afeta o curso da vida, não apenas da vítima da maldição, mas também de quem fez o voto, como veremos abaixo. Às vezes o voto ou maldição encontra-se encerrado, por assim dizer, numa concha de intenção e pensamento fortes, sendo enviado para longe de seu criador na forma de uma entidade separada destinada à pessoa a ser influenciada. Os votos ou maldições do ùltimo exemplo são mais formas- pensamento. Parece haver considerável sobreposição dos tipos de perturbações e dos tipos de influências obsedantes ou molestadoras.

 

Jock-2

Um exemplo de um voto forte é o da entidade persa Baltar que descobri em seguida em “Jock.” Baltar falou da primeira entidade (que me dissera: “Fui criado por uma pessoa para destruir esta aqui,”) dizendo: “Sou diferente do outro, pois ele nunca foi, e eu fui. Minha mente está sobre este homem aqui. Ele me destruiu uma vez. Jurei destrui-lo. Meu voto não será quebrado.”

Então recitou uma longa história de intriga política. “Este maldito diante de você (o cliente) era meu irmão. Tentei controlá-lo e torná-lo subserviente. Eu sabia mais – tinha mais poder – contudo não conseguia subjugá-lo. Quanto mais tentava, mais fraco eu ficava. Ele permitiu que eu desperdiçasse meu tempo e esforço, e quando eu estava mais fraco, destruiu minha mente…. É verdade, encarnei várias vezes. Eu não esqueci. Eu tinha grande poder!”

– Baltar, seu pecado foi grande. Controlar qualquer pessoa e um pecado de arrogância e egoísmo. Você escolheu o Caminho da Esquerda do mal. E este homem?

– Ele estava no Caminho da Direita até que me destruiu.

– Baltar, os que tentam controlar os outros são chamados manipuladores, enganadores ou destruidores. Você é um destruidor. Mas esta é uma era de mudança. Você mudará, como Mikedor?

– Você não deve falar comigo desta maneira. Eu tenho um propósito. Meu propósito é destruir. Ele fez comigo o que lhe contei e o segui para destrui-lo. Ele já não desejava lutar. Estava angustiado por causa do que tinha acontecido. Não queria usar seu poder. Escarneceu de meu poder.

– Não, não escarneceu. Ele somente se defendeu de seu poder….Vou chamar os Seres Resplandecentes que chamei antes. Que Grande Ser existia no mundo quando você e seu irmão lutavam?

– Zaratustra.

– Peço-lhe que venha, Zaratustra, cuidar desta alma cheia de ódio e raiva. Baltar, peço-lhe que olhe para Zaratustra.

Baltar virou a cabeça e murmurou: “Não posso olhar. Separei-me de minha origem.

– Não para sempre! Você veio do Fogo sagrado de Ahura-Mazda. Se a Centelha perder o brilho, simplesmente a aproximaremos outra vez da Luz, do Grande Fogo, respondi, usando os termos e imagens da religião persa de Baltar. A visão de Zaratustra, o Ser Resplandecente, ainda o prendia.

– Eu irei – devo ir para a Luz – para a área acima de mim…. Meu juramento: Por todo o mal que causei, levarei o bem a este homem que aqui está, levar-lhe-ei clareza. Vou levar-lhe clareza que o rodeará. Você tem razão. Tudo o que disse está certo. – Acabaram-se sua raiva, sede de vingança e orgulho.

– Estou tão feliz por você, Baltar. Apenas não o restrinja por meio de suas ações com intenção de fazer o bem. Antes de ir, se você vir qualquer coisa no corpo dele que precise ser curada, você a curarà?

– Não sou eu, nem minhas ações nem vontade, que causam o problema pulmonar. é a presença de meu ser que traz grande tristeza para ele.

– Mas grande felicidade por sua liberdade agora. Você é livre, e ele é livre. Vâ com nossas bênçõos.

Depois, dei comigo a sorrir: Baltar não conseguiu ficar sem fazer outro voto!

 

Jock-3

Na mesma sessão com Jock, depois de neutralizar o antigo voto de Baltar e libertar aquela antes amargurada alma humana, descobri uma terceira entidade. Ela disse: “Não tenho nome nem forma. Nunca tive meu próprio corpo humano. Venho dos pensamentos, ações e vontade dos outros.”

– Você é uma forma-pensamento? perguntei.

– Isto não sei. Eu sou. Estou aqui porque sou atraído para cá. é meu destino.

– Quem o atrai?

– Muitas pessoas; por meio de sua vontade elas atraem-me, me reunindo. Meu propósito é acabar com a vontade desta pessoa, minimizar seus esforços, e dar sua vontade aos que me enviaram.

– Você tem noção de certo e errado?

– Não, trata-se apenas de cumprir a tarefa. Sou a ligação entre ele e quem me enviou. Não tenho desejo; não lhe desejo mal; não passo de um portador. Venho de minha “personalidade.”

– Acho que entendi. Se aqueles dos quais você veio são sombrios, você é sombrio, também.

– Não sou sombrio nem luminoso. Não me sinto bom nem ruim. Quando tiver cumprido minhas ordens – quando a vontade deste aqui se dissolver – voltarei a eles para ser reabastecido.

– Esta é uma época de mudanças: mudanças de propósito, de instruções. Você parece um tipo de robô…. Vou chamar o técnico Blackie: Blackie, pode vir aqui, por favor? Como técnico você sabe eliminar obstruções para que os “pontos” fiquem limpos, os “circuitos” abertos. Que palavras preciso usar para lidar com esta entidade?

Blackie respondeu, por meio da voz de Jock: “Volte a seus mestres.”

Eu hesitei. “Isso não lhes devolveria a força deles?

– Eles já estão debilitados. Receberão uma forma enfraquecida. Estão livres para “conjurar” novamente – nada pode deter isso. “Devolva ao remetente,” como uma carta recusada. Devolver não os fortalecerá nem os debilitará.

Agradeci a Blackie, o técnico, por suas sugestões e perspicácia, contente de tê-lo chamado. Mandei o “impulso” de volta a seus criadores, sem que “dissolvesse a vontade” de Jock, contente por saber que Jock estava livre desse invasor, mesmo sendo um invasor debilitado.

* Louise Ireland-Frey, Médica formanda como Phi Beta Kappa (sociedade norte-americana de estudantes universitários que atingem o mais alto nível em seus estudos) obtendo o grau de bacharel em ciências humanas na Universidade do Colorado em Boulder, de mestre em ciências humanas no Mount Holyoke College em Massachusetts, e diploma de médica na Universidade Tulane.

 

Nota

Matéria publicada originalente em Português pela revista AMALUZ

 

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One Response to Liberdade aos cativos

  1. Rita says:

    Parabéns pelo seu blog adorei mesmo. Muito objetivo e interessante. Continue sempre assim. Seja bem vindo também se quiser a conhecer meus sites de psicoterapia e plantão psicológico http://www.prontosocorrodaalma.com.br .
    Seu blog é nota 10!!!
    beijos

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