Dinheiro do “caso da mala era para Cristina”


France Press

Diário La Nación cita um dos investigadores do caso, Thomas Mulvhill. Procurador diz ter gravação na qual suspeito menciona a atual presidente.

Gravações de conversas em poder da Justiça dos Estados Unidos indicam que os US$ 790 mil (cerca de R$ 1,5 milhão) apreendidos na Argentina no “caso da mala” foram enviados pela Venezuela para ajudar a campanha da então candidata à Presidência Cristina Kirchner, diz uma reportagem desta sexta-feira (14) do diário portenho La Nación. Segundo o jornal, a informação foi passada pelo procurador-federal norte-americano, Thomas Mulvhill, que coordena as investigações do caso.

Ontem, Cristina Kirchner, que ganhou a eleição e tomou posse na última segunda-feira, negou relação com a mala de dólares apreendida. Disse que estava sendo vítima de uma campanha difamatória.

Segundo Mulvhill, a gravação é de uma conversa entre o empresário Guido Antonini Wilson, que foi detido com a mala de dólares em agosto deste ano no aeroporto internacional de Buenos Aires (ele vinha de Caracas), e o venezuelano Franklin Durán, dono de uma petroquímica.

Em um trecho da conversa, Durán diz que “a revelação do motivo e de quem receberia o dinheiro poderia resultar na perda da eleição”. Segundo o procurador, isso indica que o dinheiro ajudaria “a campanha de Cristina Kirchner”, eleita em 28 de outubro.

Segundo o jornal La Nación, todos os suspeitos do caso se recusam a revelar oficialmente quem receberia o dinheiro na Argentina.

Quatro meses após o flagrante, o “homem da mala” vive oculto em Miami e não responde a qualquer processo nos Estados Unidos.

Homem da mala

Guido Alejandro Antonini Wilson, um empresário venezuelano-americano que mora nos EUA, não foi acusado de nenhum crime após a prisão, na última terça-feira, de quatro pessoas que supostamente agiam em Miami como agentes encobertos do governo da Venezuela com a finalidade de ocultar a origem e o destino do dinheiro da mala, levada pelo próprio Antonini a Buenos Aires.

A denúncia de Mulvhill surgiu durante uma audiência judicial após a detenção em Miami de três venezuelanos e um uruguaio, acusados de atuar incógnitos como agentes da Venezuela nos EUA para ocultar a origem e o destino desse dinheiro.

Segundo a agência France Presse, Antonini Wilson pode ter se tornado agora um colaborador do FBI, como é possível concluir pelas palavras do subsecretário americano para a Segurança Nacional, Kenneth L. Wainstein, sobre “um plano do governo venezuelano para manipular um cidadão americano em Miami a fim de ocultar um crescente escândalo internacional”.

Reação

Além da própria presidente, que disse estar sendo vítima de uma ação difamatória e usou o termo “operaciones basura” (operação lixo, na tradução literal do espanhol), outros membros do governo reagiram às acusações.

O chefe de gabinete argentino, Alberto Fernández, reclamou da falta de colaboração das autoridades argentinas e disse que a Justiça “vai exigir enfaticamente que Antonini Wilson seja extraditado para a Argentina para explicar o que ocorreu”.

“É absolutamente incrível que o governo venezuelano tenha decidido enviar dinheiro deste modo. É algo dantesco (…) Me parece uma formidável operação de inteligência dos Estados Unidos tudo isso que está acontecendo. Tudo isso atenta contra a inteligência humana”.

O ministro da Justiça, Aníbal Fernández, afirmou que a acusação “é uma ‘canalhice’ que pretende enlamear a presidente”, em entrevista transmitida pela rádio portenha Diez.

Já o chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que a prisão dos três venezuelanos e do uruguaio em Miami é uma manobra da direita contra os governos progressistas da América do Sul.

“Esta é uma manobra que serviu às redes de televisão, aos partidos políticos midiáticos da direita internacional e da direita nacional para tentar provocar um dano, que não conseguiram no momento e não conseguirão”.

“Os Estados Unidos estão tomando o caminho da guerra judicial para tentar dar veracidade a sua guerra política, psicológica e midiática contra o governo bolivariano e a revolução da Venezuela, contra os governos progressistas do continente”, afirmou Maduro.

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