Plebiscito na Venezuela


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Contrariando certamente muitas expectativas – inclusive da agência Reuters, que deu uma barriga, como se diz no jargão jornalístico, e anunciou um falso resultado de boca-de-urna favorável ao – a proposta de alteração da Constituição formulada por Hugo Chávez perdeu ontem o plebiscito na Venezuela.

No último dia de campanha, Chávez vociferou em praça pública que quem votasse no “não” às reformas pretendidas estaria votando contra a Venezuela, contra ele próprio e a favor dos Estados Unidos e do imperialismo americano. Afirmou também que fecharia emissoras de TV, expulsaria jornalistas e suspenderia a exportação de petróleo aos Estados Unidos caso o referendo não fosse reconhecido, em caso de vitória do “sim”.

Na coletiva que concedeu após a divulgação do resultado do plebiscito, o presidente venezuelano reconheceu a derrota, felicitou os adversários, mas disse que o poder central estava pronto “para uma longa batalha” e que sua proposta de reforma constitucional “estava viva”.

O que Chávez quis dizer com isso é algo a se verificar nos próximos anos, até que termine seu segundo mandato e ele tenha que honrar seu auto-proclamado respeito ao resultado do referendo. No entanto, como vem tocando a cantilena do podem tirar o cavalinho da chuva, que daqui eu não saio, daqui ninguém me tira, não é de se espantar que promova algum ardil, daqui para lá, para ficar mais algum tempo no poder. O que se tem de concreto, neste momento, é que o povo venezuelano não topa mantê-lo eternamente na presidência, à frente da revolução bolivariana, e que tal vontade popular é legítima.

A pequena diferença que separa os votos de “sim” e “não” à reforma constitucional poderia implicar na conclusão precipitada de que o país estaria dividido. Porém, é sintomático que quase 50% dos eleitores tenha simplesmente se abstido de votar e, com isso, tenha negado a legitimidade pretendida por Hugo Chávez, na eventual vitória de sua proposta. Neste caso, como de resto em vários outros, a abstenção é uma forma de voto negativo aos donos do poder.

Ainda pesa nesta salada o fato de Chávez ter chamado para si grande parte da atenção do planeta, anunciando inimigos entre país de ultramar e da própria América Latina. Aos observadores internacionais e à opinião pública global não influenciada por seus petrodólares, Chávez terá que demonstrar que realmente é um democrata, como se jacta sê-lo.

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