Por que antiamericanismo ?


Por Frank Herles Matos

O muro de Berlim ruiu, o comunismo Soviético desmoronou, o comunismo Chinês se capitalizou, a Guerra Fria acabou mas, nos bastidores do mundo desocupado e invejoso uma já conhecida antítese política ganha novo folego no cenário internacional: o antiamericanismo {1}.

Após a ruína final do “império” francês, aos poucos a França foi conquistando a fama de ser um dos países mais antiamericanos da Europa – idéias infladas pelas invejosas elites culturtal-militar-política francesas e apoiadas quase que incondicionalmente pelos marxistas e comunistas europeus e da América Latina.

Não obstante a França e parte de sua sociedade continuarem apoiando, incentivando e divulgando o antiamericanismo pelo mundo afora, vez ou outra surge um cidadão francês que faz uma avaliação isenta de xenofobismo e provincialismo, a exemplo de Alexis de Tocqueville, autor do livro Democracia na América – rico em detalhes e comparações de diferenças básicas entre França e EUA, explicando por que há maior igualdade de condições na América, porque os americanos avançavam tão mais rápido.

Atualmente detecta-se antiamericanismo em alguns poucos países europeus – liderados pela tradicional França, claro -, na América Latina e em praticamente todos os regimes totalitários árabes do Oriente Médio.

No passado o antiamericanismo foi artificialmente mantido pelo inacreditável desejo de estar deliberadamente desinformado! Mas como e por que isto aconteceu ?

Entre a primeira e a segunda guerra mundial a América emergiu e se consolidou com como potência econômica, militar e cientifica, suplantando seculares “potências” européias. Em conseqüência o inglês substituiu o francês como idioma internacional e a cultura americana ganhou o mundo. Em reação a essas transformações globais alguns países, a exemplo da Inglaterra, reforçaram suas alianças com a América; outros, preferiram sentarem-se em cima de glórias passadas – a exemplo da França – ou trilhar caminho próprio – a exemplo da Rússia stalinista.

Após a segunda guerra mundial, não obstante o sangue, a bravura e o dinheiro americano ter desempenhado imprescindível papel na estabilização sóciopolítica e reerguimento econômico do velho mundo {2}, produções {3} norte-americanas começaram a ser combatidas por saudosistas, comunistas e socialistas europeus – liderados por franceses, acompanhados à distância por fechados e teocráticos Estados árabes e seguidos por latinos americanos!

Nessa nova onda de antiamericanismo o que impressiona não é mais o desejo de estar deliberadamente desinformado, mesmo porque com a globalização das comunicações isto é praticamente impossível – não obstante diversos países continuarem censurado informações, a exemplo da china, Cuba e maioria dos países árabes. O que impressiona hoje são as manipulações das informações divulgadas {4}, divulgações de meias verdades, omissões de partes de verdades, a profissionalização e sofisticação da mentira {5}.

Os antiamericanistas da atualidade usam com freqüência os mesmos assuntos para criticar o que eles denominam de “império” americano. Vejamos alguns exemplos:

1. Único país do mundo a usar a bomba atômica em uma guerra. Isto é um fato histórico e humanamente condenável. Mas como julgar o passado com informações do presente ? Os Estados Unidos entraram em guerra exatamente pelo ataque japonês a Pael Harbor (07/12/1941) e especialistas militares da época afirmaram que “o uso da bomba atômica antecipou o fim da guerra em pelos menos dois anos e evitou batalhas corpo-a-corpo que poderiam ter produzido mais mortes do que a própria bomba, já que o imperador Hiroíto (na época uma espécie de deus para os japoneses) tinha convocado cada homem, mulher e criança do Japão para a defesa do país”.

2. Guerra do Vietnã. Outro fato histórico. Mas, propositadamente esquecem de mencionar que essa guerra foi causada por fracassos militares da França que, não desejando abrir mão da Indochina como colônia, acabou levando à intervenção americana. Omitem também o fato dessa guerra ter matado quase um milhão de pessoas em 18 anos de batalhas, enquanto o regime comunista de Ho Chi Minh que lá se instalou quando os EUA saíram, matou mais de três milhões em 9 anos.

3. Guerra ideológica. Num passado recente tínhamos um mundo bipolar onde os Estados Unidos representava o capitalismo liberal e a União Soviética o socialismo planejado. Com a dissolução da União Soviética, a derrubada da cortina de ferro, a queda do comunismo na Rússia e a capitalização econômica da China os comunistas e socialistas do mundo perderam suas principais identidades e ficaram envergonhados com o surgimento de suas atrocidades, com mais de 100 milhões de mortes no currículo. Agora, por questões meramente ideológicas acham que devem “provar” a qualquer custo que o capitalismo também falhou! Nessa passional guerra ideológica tudo vale: mentiras, manipulações de fatos, ocultações de verdades, inversões de causalidades, sofismas, propaganda enganosa, etc. O objetivo é destruir o capitalismo liberal e seu maior ícone, os Estados Unidos da América !

4. Ideologia dos tolos. Um falso argumento marxista comumente repetido entre os menos esclarecidos diz que “…para o rico ficar mais rico, o pobre tem que ficar mais pobre.” Em conseqüência, como os EUA foi o país que mais prosperou economicamente nos últimos 50 anos, conclui-se automaticamente que o mundo pagou o preço! Esta lógica da ignorância é refutada com a mais simples observação empírica. Infelizmente a mentira, quando sustentada pela ideologia e protegida pela ignorância, cresce e torna-se verdade entre ignorantes.

5. Causas passionais. Estas são muitas e geralmente motivadas por falsos arrogos de patriotismos, provincialismos, xenofobismos, populismo, etc. Aqui também vale tudo, de mentiras à distorções e inversões de verdades tudo é permitido. Um exemplo disto foi a patética decisão de um juiz brasileiro que retaliou {6} uma decisão norte-americana de fotografar e tirar digitais dos brasileiros que entram nos Estados Unidos, comparando essa decisão aos “…piores horrores cometidos pelos nazistas”! Por estar em guerra declarada contra o terrorismo o governo americano teve que tomar decisões na área de segurança interna, como identificar os estrangeiros que entram na América. A decisão desse juiz – depois oficializada pelo governo brasileiro – foi de identificar somente os norte-americanos que entram no Brasil!

6. Apoio ao sionismo. Chegam ao absurdo de afirmar que “… lobes judaicas têm o governo americano nas mãos…”, como se fosse possível controlar sistematicamente o Congresso, Senado e a Casa Branca. O que de fato acontece nessa área é que Israel é a única democracia no Oriente Médio, com governos pró-América e política e militarmente confiáveis. Ao contrário dos países árabes cujos governos não são confiáveis, os regimes políticos são teocracias, monarquias feudais ou simplesmente ditaduras, com poucas liberdades individuais, limitados direitos civis e baixíssimos níveis de redistribuição de rendas que afronta os bilhões de dólares mensais com as exportações de petróleo

Ao contrário do que argumentam a maioria dos antiamericanistas os Estados Unidos não representam os ideais liberais. Aqui o Estado também é um monstro que suga 35% da riqueza privada em nome do “bem-estar social”. No entanto, atualmente, é o que o mundo têm de melhor em termos de liberdade individual, justiça rápida e geralmente eficiente, acesso instantâneo aos serviços públicos de educação, saúde e outros, serviços privados de qualidade e competitivos, sistema capitalista que permite que cada um vá em busca de oportunidades que deseja e para quais possue qualificação, etc. E é exatamente a soma de todos estes fatores a causa do relativo sucesso da América.

A história nos mostra que as nações vêm e passam. Todos sabemos que as nações atuais também não serão excessões; portanto, compete a nós seres humanos, vivermos o melhor que pudermos, tendo como objetivo principal à comunhão com Deus e à vida espiritual que é eterna.

Notas

{1} Antiamericanismo – termo usado por Jean-François Revel, renomado escritor membro da Academia Francesa de Letras, em seu novo livro.

{2} Através do Plano Marshall (1947) os Estados Unidos investiram (a fundo perdido) 13 bilhões de dólares na reconstrução da Europa após a segunda guerra mundial. Hoje (2004) estes recursos equivaleriam a 118 bilhões de dólares.

{3} Produções em geral, especialmente: culturais, econômicas e militares.

{4} E pasmem: alguns meios de comunicações norte-americanos (em nome da velocidade de produção e divulgação de acontecimentos ?), muitas vezes reproduzem (assinado por alguma agência internacional de notícias) informações distorcidas, com meias verdades e meias mentiras plantadas!

{5} Escola iniciada por Nicolau Maquiavel (1469-1527 – autor de O Príncipe) na idade média, aperfeiçoada por Paul Joseph Goebbels (1897-1945 – ministro da propaganda e publicidade de Adolfo Hitler) e suplantada por publicitários atuais. Existe uma frase atribuída a Goebbels que diz: “Assim como água em pedra dura tanto bate até que fura, a mentira repetida à exaustão poderá se tornar realidade”!

{6} Um juiz federal do interior do Brasil, em retaliação à decisão do governo norte-americano de identificar estrangeiros que entram na América, ordenou que todos os americanos que chegam ao Brasil sejam sujeitos ao mesmo tratamento. Em sua justificativa o juiz descreveu a medida americana como “uma ameaça aos direitos humanos, xenofóbica e comparável aos piores horrores cometidos pelos nazistas” ! Posteriormente, seguindo um estilo populista do sul o governo brasileiro oficializou o fichamento através de uma portaria, “… que estabelece procedimentos com objetivos de segurança (contra turistas norte-americanos ?), e com base no princípio de reciprocidade”, disse o Ministro do Exterior brasileiro, Celso Amorim, no Palácio da Alvorada.

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One Response to Por que antiamericanismo ?

  1. Tania says:

    Sou uma portuguesa a viver nos Estados Unidos e acredita que muitas das coisas que escreves aqui em relação a este país não são de todo verdade. De entre muitas, para não me alongar demasiado, dou-te como exemplos flagrantes o acesso à educação e à saúde. São direitos básicos dos quais qualquer ser humano deve beneficiar e no entanto isso não acontece de todo aqui. Acredita quando te digo que, nomeadamente em relação à saúde, os ‘crimes’ que são cometidos aqui com a negação de cuidados a adultos e crianças, roçam a violação dos direitos humanos que os EUA tanto criticam e esmiuçam noutros países de ‘terceiro mundo’.
    Em breve volto para a Europa e este foi definitivamente um dos factores que contribuiu para a minha decisão.

    Continua com as reflexões interessantes!

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