O povo Escolhido


Por Rabino Shraga Simmons*

Apreciando uma idéia freqüentemente mal compreendida: A nação judaica é freqüentemente chamada de “O Povo Escolhido”. Muitas pessoas (inclusive os judeus) se sentem desconfortáveis com esta idéia. Eles entendem o conceito de um “Povo Escolhido” como racista e conectado ao conceito nazista de uma suprema nação ariana.

O que parece contradizer o ideal ocidental aceito por todas as pessoas de que todos são iguais perante D-us. Será o conceito judaico de “escolhido” racista? Quando a Torá se refere ao povo judeu como “escolhido”, não está de forma alguma afirmando que os judeus são racialmente superiores.
Americanos, asiáticos, russos, europeus, escandinavos e etíopes e, além disso, caucasianos, negros e orientais – são todos parte do povo judeu. É impossível definir escolhido como qualquer coisa relacionada à raça, desde de que os judeus são diversos racialmente. Enquanto o termo “Povo Escolhido” (Am Nivchar – Deuteronômio 7:6) não significa racialmente superiores, escolhido implica uma singularidade especial. O que é esta singularidade? Historicamente voltemos para Abraão. Abraão viveu em um mundo de idolatria, que ele concluiu ser contraditório pela realidade da natureza. Abraão investiu anos de dedicação e esforço para ser representante de D-us. Então, Abraão começou a acreditar num só D-us, e colocou sobre si a responsabilidade de ensinar para os outros este ideal monoteísta. Abraão estava até disposto a sofrer perseguições por suas crenças. Depois de anos de esforço enorme, dedicação e a disposição para se tornar representante de D-us em seu mundo, D-us mesmo escolheu ele e seus descendentes para serem os professores que iam passar este ideal, esta mensagem monoteísta.

Em outras palavras, não é que D-us escolheu os judeus e sim os judeus escolheram a D-us (através de Abraão). Sermos escolhidos não era parte do “plano original” de D-us. Inicialmente toda a humanidade tinha o papel de ser mensageira de D-us, mas depois do pecado de Adão a humanidade perdeu este privilégio e só Abraão escolheu tomar esta responsabilidade. Se outros quisessem, e foi oferecida a eles a escolha, teriam se juntado a este pacto especial que foi selado com a entrega da Torá no Monte Sinai. Se um privilégio é oferecido para alguém que está disposto a pagar o preço necessário, ninguém pode protestar que aquele que estava disposto a fazer o esforço extra, estava sendo favorecido. Por exemplo: é razoável que um empregado que concorde em trabalhar horas extras, em freqüentar seminários de treinamento e administrar projetos especiais, deveria ter um bônus pela sua performance – particularmente se cada empregado recebesse a mesma oportunidade e não a utilizasse.

A essência de ser escolhido significa responsabilidade. É uma responsabilidade de mudar o mundo – não convertendo todo mundo para o Judaísmo, mas vivendo como uma comunidade modelo, apoiada por ética, moralidade e convicções de um único D-us. Deste modo nós podemos influenciar o resto da humanidade. Sendo então uma “luz entre as nações” (Isaias 42:6). O Judaísmo é Universal. Ademais, o Judaísmo não é exclusivo. Um ser humano não precisa ser judeu para alcançar um nível espiritual mais alto. Enoch “caminhou com D-us”, e Noé teve um nível bastante alto de relação com D-us. Porém, nenhum deles era judeu. Nossa tradição é a de que todas as 70 nações devam funcionar juntas e desempenhar seu papel integral nesta existência chamada de: humanidade.

De acordo com o Judaísmo (Talmud – Sanhedrin 58b), qualquer pessoa pode alcançar um lugar no Mundo Vindouro observando fielmente as sete leis fundamentais de humanidade. Estas sete leis são chamadas as “Leis de Noé”, partindo de que todos os seres humanos são descendentes de Noé: 1) Não assassine. 2) Não roube. 3) Não adore deuses falsos. 4) Não seja sexualmente imoral. 5) Não coma o membro de um animal vivo. 6) Não amaldiçoe D-us. 7) Instale tribunais e traga ofensores para a justiça.

O Templo era o centro universal de espiritualidade, onde todas as pessoas eram bem vindas para que trouxessem oferendas. A Torá é para toda humanidade. O rei Salomão construiu o Templo em Jerusalém, e pediu a D-us para dar atenção à oração de não judeus que vinham para lá (Reis 8:41-43). O Templo era o centro universal de espiritualidade, que o profeta Isaias chamava de “uma Casa de oração para todas as nações”. Os não judeus eram bem recebidos quando traziam oferendas para o Templo. O serviço no Templo, durante a semana de Sucot, apresentou um total de 70 oferendas de touro, que correspondia a cada uma das 70 nações do mundo. De fato, o Talmud diz que se os romanos tivessem percebido o quanto eles estavam se beneficiando do Templo, eles nunca o teriam destruído!

A maioria das outras religiões diz que os descrentes são condenados à maldição eterna. Até os sistemas do calendário do Cristianismo e do Islã refletem uma filosofia de exclusão; cada uma delas começa com o nascimento de sua respectiva religião. O calendário judaico, por outro lado, começa com a criação de Adão, o primeiro homem, nos ensinando, assim, o intrínseco valor de todo ser humano, mesmo antes da religião judaica nascer. Por essa razão judeus não estão à procura de convertidos, pois segundo o Judaísmo todos merecem um lugar no céu sem ser necessária nenhuma conversão. Conversão: Um componente importante da abordagem de não-exclusão do Judaísmo é o de que qualquer pessoa – não importando de onde venha ou a que religião pertença – pode escolher aceitar a Torá e se tornar parte da nação judaica. Realmente, alguns dos maiores nomes da história judaica – Ruth, antepassada de Rei David, e Onkelos, o Sábio do Talmud – eram convertidos. Os requisitos para conversão se assemelham à experiência judaica no Monte Sinai. De acordo com o Código de Leis Judaicas (o “Shulchan Aruch”), existem três requisitos para uma conversão válida (se assemelhando à experiência do Povo Judeu no Monte Sinai): 1) Mitzvot – O convertido deve crer em D-us e na divindade da Torá, assim como também aceitar observar todas as 613 mitzvot (comandos) da Torá. Estes incluem a observância do Shabat, Kashrut, etc, como detalhado no Código de Leis Judaica, que é a fonte autorizada para observância judaica; 2) Milá – Convertidos devem fazer uma circuncisão com um “Mohel” qualificado; 3) Mikve – Todos os convertidos devem submergir na Mikve, um banho ritual ligado a um reservatório de água de chuva. Todo os requisitos acima devem ser feitos perante um tribunal rabínico haláchico válido e perante três homens judeus que crêem em D-us, aceitem a divindade da Torá e observem as mitzvot.

*Rabino Shraga Simmons passou sua infância em Buffalo, Nova York. Trabalhou nos campos do jornalismo e relações públicas, e recebeu sua ordenação rabínica do Rabino Chefe de Jerusalém. Ele é o editor do site Aish.com, e vive com sua esposa e filhos na região de Modi’in, em Israel . É especialista em judaísmo ortodoxo.

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