Intentona Comunista. Por que lembrar?


Por Luiz Carlos Loureiro*

A fundação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) data de 1922, como a Seção Brasileira da Internacional Comunista, obediente aos requisitos impostos pelo centro irradiador do comunismo, a  antiga União Soviética. O Brasil da época era um país não industrializado e ainda uma jovem república envolta em crises políticas polarizadas pelo domínio oligárquico de chefes de partido, principalmente nos estados de São Paulo e Minas Gerais. A revolução de 1930 trouxe ao poder Getúlio Vargas e, apesar de terem sido eliminadas algumas práticas da chamada ‘República Velha’, o governo vivia acuado e a instabilidade era a tônica daqueles tempos.

A conversão do ex-capitão Luis Carlos Prestes e sua mudança acompanhado da família para Moscou, em 1931, assinala o início dos preparativos do homem que chefiaria o levante no Brasil. A partir de então, realizou cursos de capacitação política e forneceu dados e análises sobre o Brasil que hoje, passados 72 anos, não se tem dúvidas de que foram equivocadas dado o fracasso do movimento, cujo objetivo era o de implantar o comunismo no Brasil.

Um dos graves erros de avaliação era de que a classe militar, principalmente a jovem oficialidade, estaria comprometida com a revolução pretendida. Do insuspeito livro ‘Olga’ de Fernando Morais, editado em 1986, destaco a resposta do então 1º tenente Silvio Frota (mais tarde ex-ministro do Exército) aos seus aliciadores os tenentes Lauro Fontoura, Edwar Prado e Ilcon Cavalcante, dentro do quartel do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), no Rio de Janeiro. Ao perceber que pediam sua adesão, Frota bateu na sua pistola e disse furioso: ‘Olha, Fontoura, comunismo comigo é questão de vida ou morte. Aqui no CPOR, se tentarem fazer baderna vocês serão recebidos à bala. Enquanto eu estiver vivo, comunista não entra no CPOR’. Com efeito, apenas se sublevaram no Rio de Janeiro o 3º Regimento de Infantaria e a Escola de Aviação Militar.

A pronta resposta do Exército pós fim a primeira tentativa de tomada do poder pelo movimento comunista no Brasil. Mostrou também de forma indelível a aversão dos militares brasileiros a uma ideologia contrária aos ideais de liberdade, democracia e paz tão caros a uma nação. Sem medo de errar afirmo que: quantas vezes tentarem, tantas vezes sucumbirão!

Os episídios ocorridos entre 23 e 27 de novembro de 1935 devem ser lembrados também como contraponto do revisionismo histórico intencionalmente dirigido para transformar assassinos em heróis e premiá-los com recompensas financeiras. As centenas de vítimas da revolta fracassada não tiveram, até hoje, qualquer tipo de reparação por parte do Estado.

Por fim, registro que o Exército voltou a homenagear seus heróis realizando cerimônias cívicas em várias cidades e, principalmente, no monumento erguido na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, numa demonstração inequívoca de que o fato histórico jamais será esquecido.

*Luiz Carlos Loureiro, Coronel da Reserva.

Nota

Matéria originalmente publicada em Ternuma, regional Brasília

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