A Essência e a Finalidade da Religião


Por Rabbi Yehuda Ashlag *

Qual é a essência da religião? A onde podemos alcançar os objetivos almejados – neste mundo ou no outro? Para o benefício de quem existe a religião? Do Criador ou das suas criaturas?

Muitos, e muitos fiéis não obtiveram durante seu período de vida uma resposta adequada à estas perguntas. Por isso, nos últimos 200 anos, distanciaram-se cada vez mais da religião.

Os Kabbalistas que eventualmente alcançam e compreendem a intenção do Criador pressentem que esta é inexoravelmente boa. Eles explicam que “Ele não pode causar o mais ínfimo sofrimento a quem quer que seja neste mundo”. Nele o “desejo de receber” está totalmente ausente. Quando fazemos algo de mau à qualquer outra pessoa, o fazemos a fim de obter algo para nós mesmos, pois de alguma forma sentimos a falta deste algo. Se este sentimento de querer algo para nós mesmos não se fizesse presente tão amiúde, em animais ou gente, as coisas seriam diferentes. A raiz das causas de todos os males no mundo, desapareceria. Normalmente, pensamos no Criador como algo inteiro e completo. A ausência do Seu desejo “de obter, de ganhar” trás embutido a total ausência de qualquer tipo de mal. Para nós, Ele aparenta ser uma entidade inteiramente boa – algumas vezes, durante momentos de alegria, de satisfação, quando nada nos faz falta, conseguimos vivenciar este mesmo sentimento. Tudo o que sentimos vem do Criador. Porém este fato não quer dizer que todas as suas criações deveriam sentir somente o que é compassível, o que é bom.

Toda a natureza que nos circunda é constituída por quatro elementos: não vivos, plantas, animais e homem. Em cada um destes tipos podemos observar um desenvolvimento objetivo. É lento, gradual, mas aparente. Assim como uma fruta que cresce numa árvore que somente fica boa e pronta ao final do processo de amadurecimento. Porém, quantos estágios intermediários devem ser transpostos até que esta fruta de chegue ao final de seu crescimento? E estes estágios intermediários não nos indicam nada sobre como será o eventual estágio final da fruta. Não sabemos absolutamente nada de quão doce ou macia será! Pelo contrário, melhor a fruta em seu estágio maduro, mais dura e amarga nos anteriores, durante o amadurecendo (tal como na estória do patinho feio)

Os mesmos exemplos se aplicam ao mundo animal. O animal poderá ser até mentalmente limitado em seu estágio adulto, mas isso não é aparente durante as fases de crescimento. Por exemplo, num bezerro de um dia já podemos ver todas as qualidades e características do futuro touro. Em outras palavras, o bezerro pouco se desenvolve após seu primeiro dia.

Neste sentido, o homem é uma criatura radicalmente diferente. Em sua plenitude, é um ser desenvolvido e inteligente, porém nos seus primeiros anos de vida é incapaz e compassível. As diferenças entre esses exemplos são surpreendentes. Teoricamente, se aparecesse um cientista que desconhecesse nosso mundo, e observasse as duas criaturas recém nascidas, provavelmente chegaria a algumas conclusões surpreendentes. Em toda a probabilidade diria que o bebê humano não chegaria à muito, enquanto que o bezerro… o bezerro seria, no futuro, no mínimo um novo Napoleão!

Os estágios intermediários como uma regra geral são o oposto do que eventualmente será o resultado final. Somente aquele que já sabe qual será o resultado final não ficará surpreso ao ver os estados lastimáveis durante as fases de desenvolvimento. Por isso que tão freqüentemente chegamos a conclusões precipitadas e errôneas sem predizer acuradamente o efetivo resultado final.

Desta forma podemos ver que as maneiras com as quais o Criador controla este mundo são objetivas porém se mostram somente ao final do processo. As atitudes do Criador para conosco são dirigidas somente para bem. O objetivo desta condução é ajudar o nosso desenvolvimento e nos permitir receber ao final, todo o bem e de positivo que está a nossa espera. Sem dúvida, de acordo com seus planos, estes objetivos serão alcançados.

Ha dois caminhos possíveis que podemos seguir para nos guiar na direção correta. Um deles é através o sofrimento (sabendo o que é o bem e o que é o mal e então escolhendo o bem por necessidade). O outro caminho, mais curto e sem dor, é a completa obediência as leis da Torah (e por seguir estas leis chegar ao estágio de desenvolvimento necessário).

O objetivo das leis da Torah é desenvolver a compreensão do bem e do mau dentro de nós. Deveríamos naturalmente abominar qualquer coisa que seja perniciosa e má.

O seguir todas a leis da Torah poderá nos livrar de tudo que é mau. A diferença de desenvolvimento em diferentes pessoas manifesta-se somente até o ponto em que a pessoa sinta o mau e o funesto dentro de si mesma. Manifesta-se nos desejos, mais fortes ou mais fracos, desta perversidade dentro de si próprio.

As bases para tudo que ha de mau em nosso egoísmo é porque é oposto a natureza do Criador que nos quer somente para o bem. Tudo o que sentimos como agradável vem diretamente d’Ele. Desta forma quando “próximos”ao Criador nos sentimos agradavelmente bem e quanto mais nos distanciamos mais sofrimento teremos que agüentar. O Criador abomina o egoísmo. É por isso, que dependendo do seu estágio de desenvolvimento o homem também o odeia. Numa pessoa subdesenvolvida o egoísmo passa como um sentimento natural. Ela pode usá-lo em total desrespeito a vontade dos outros (até o ponto de roubo e assassinato). Uma pessoa um pouco mais desenvolvida ainda poderá valer-se de seu egoísmo na prática, porém sentindo-se envergonhada e embaraçada. A pessoa totalmente desenvolvida não sentirá nada a não ser aversão pelo egoísmo.

Desta forma agora já podemos formular as respostas para as perguntas com as quais começamos:

1. A essência da religião é permitir a humanidade alcançar o a mais alto nível de desenvolvimento. Isto deveria ser alcançado de uma forma boa e sem dor, e não pelo sofrimento.

2. O objetivo almejado, alcançar o mais alto nível (depende da quantidade de trabalho que a pessoa fez em si própria) é uma possibilidade que existe em nosso mundo.

3. Religião foi nos dada não como um meio de prazer e benefícios. É um caminho que nos conduz pelos caminhos do autodesenvolvimento.

*Rabbi Yehuda Ashlag (1884-1954), proeminente Kabalista nascido na Polônia e que viveu em Jerusalém entre 1922 e 1954. Autor de diversos livros, comentários e instruções sobre a Kabbalah.

Para ler mais sobre este assunto: www.kabbalah.info

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