Inglês – O idioma que abre portas


A cena está ficando cada vez mais comum nos processos de contratação: o candidato a uma vaga atende o telefone e, do outro lado da linha, escuta uma frase em inglês. Não se trata de interurbano. É o profissional do departamento de seleção de uma grande empresa que aproveita o primeiro contato para já colocar à prova a fluência do candidato no idioma. “Se a pessoa for incapaz de entabular um dialogo rápido, será desclassificada antes mesmo da primeira entrevista pessoal”, afirma o consultor João Rodrigues Canada Filho, vice-presidente do Grupo Foco, empresa paulista especializada em recrutamento. Nessa hora, não adianta mentir, enrolar ou prometer que o tempo perdido pode ser recuperado. Aos poucos, a lei de seleção natural do mercado vai deixando para trás os profissionais que só sabem se expressar em português. Caso ainda exista alguma duvida em relação a isso, basta olhar o que dizem as pesquisas mais recentes realizadas a respeito da importância do inglês na carreira.

– Metade dos empregos hoje exige que os candidatos falem o idioma, segundo levantamento do site Bumeran.com, um dos maiores serviços de recrutamento da internet.

– De acordo com um estudo do Grupo Catho, outra empresa especializada em colocação profissional, os anos de experiência pesam menos que o inglês como fator de aumento de salário.

– Um dos pontos em comum entre os universitários mais bem sucedidos dos exames do Provão é o bom domínio do inglês, de acordo com um trabalho divulgado na semana passada pelo Ministério do Educação.

O fenomeno da globalização colocou definitivamente o inglês na relação de ferramentas básicas da maioria dos profissionais. “Necessito estar preparada para apresentar reuniões, receber estrangeiros e escrever relatórios e e-mails nesse idioma”, afirma a secretária Soraya Machado, funcionaria da Cooperativa Central de Laticínios do Estado de São Paulo. Quem ainda sobrevive à custa das lições aprendidas na época do colégio tem cada vez mais dificuldades para se destacar e progredir no mercado. “Minha posição ficou difícil, pois preciso sempre conversar com estrangeiros e, nessas ocasiões, tenho de dar muitas voltas para me fazer entender”, afirma o engenheiro paulista Michelangelo de Souza Lima, 30 anos, empregado numa multinacional do setor de alimentos. Ele está deixando de falar um inglês macarrônico graças a um curso de imersão que o obriga a praticar o idioma oito horas por dia. “Num futuro não muito distante, um profissional sem inglês será considerado semi-alfabetizado no mercado, afirma Ricardo Schütz, que presta consultoria pedagógica de idiomas para grandes companhias.

No momento da admissão, as empresas costumam aplicar testes orais e escritos para checar o conhecimento dos candidatos nessa área. Até nos cargos hierárquicos médios, como os de gerente, por exemplo, o que as companhias desejam são pessoas capazes de se comunicar com razoável fluência no idioma. Ou seja, alguém que possa conversar ao telefone com um cliente estrangeiro, pesquisar na internet, ler manuais e trocar e-mails curtos em inglês, entre outras situações. Isso não significa que não seja preciso investir sempre para evoluir no domínio da língua. O grau de exigência cresce à medida que o profissional sobe alguns degraus na hierarquia da empresa. Nos postos de diretoria, os executivos precisam ser capazes de participar de longas reuniões ou apresentar palestras em inglês, tarefas que exigem pronuncia correta, para não dizer impecável, e completo domínio gramatical.

Existem hoje mais de 3000 escolas de idiomas no país. Somente os vinte maiores grupos de ensino reúnem aproximadamente 2 milhões de alunos. Grande parte deles são pessoas que se matriculam para se tornar fluentes em inglês por necessidade profissional. Com relação ao preço, não há mais desculpas para quem adia a decisão de estudar. A competição nesse mercado gerou redes de franquias que cobram mensalidades a partir de 65 reais por um curso básico. Os métodos pedagógicos também se modernizaram. Em vez de intermináveis aulas gramaticais, os cursos investem pesado na pratica da conversação. Instrumentos como internet, CD-ROM, DVD e datashow, entre outros, foram incorporados às aulas da imensa maioria das escolas para acelerar o processo de aprendizado. “Com uma carga semanal de três horas de aula e mais uma hora e meia de atividade em casa, uma pessoa pode conseguir boa fluência num prazo entre dois e três anos”, afirma o consultor Schültz.

Algumas escolas registram uma taxa de desistência de 20% dos alunos no primeiro ano. Na Cultura Inglesa, uma das redes mais tradicionais do Brasil, quatro em cada dez matriculados não concluem o curso. Segundo especialistas, a postura dos estudantes explica uma parte desse fenomeno. “Os brasileiros, de modo geral, tem afinidade com a língua, mas acreditam em milagres”, afirma o professor sul-africano Rajendra Rangi Singh, consultor para idiomas de grandes empresas. ” Muita acha que é só estar presente nas aulas para aprender”, completa ele. A escolha certa também ajuda a evitar percalços no caminho do aprendizado. “Uma parte considerável dos cursos funciona à base de um método pedagógico ultrapassado e com sérias deficiências, mas acaba prosperando porque domina a fórmula para o comercio desse serviço”, critica Singh. “Por isso, quando entra num desses cursos, o aluno desanima rápido”, assegura ele.

Na hora de definir a matrícula num determinado curso, os especialistas recomendam os seguintes conselhos:

– Cheque as credenciais dos professores. Para impressionar, alguns cursos fazem propaganda de que maior parte de seus mestres são nativos de países de língua inglesa. Isso não é fundamental. Importa, sim, se o corpo de instrutores tem experiência no exterior e diplomas de habilidade no idioma em boas universidades estrangeiras.

– Preste atenção na relação de alunos por sala de aula. Nenhum curso sério coloca duas dezenas de estudantes numa classe.

– Fuja das escolas que prometem ensinar inglês em menos de dois anos. Trata-se de propaganda enganosa.

Fonte

1. Revista Tudo

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