Lateralização Cerebral


Por Frank Herles Matos

O Cérebro

A Neurociência ou Neurobiologia vêm desenvolvendo estudos e pesquisas que aos poucos estão aumentando nossa compreensão sobre o cérebro humano.

Esta massa cinzento cor-de-rosa já nos é materialmente conhecida, podendo ser definida, visualizada, tocada e manipulada. Encontra-se protegida dentro do crânio e localizada na extremidade superior do cabo spinal (conjunto de neurônios – de 10 à 100 bilhões por pessoa – e glias que ligam o cérebro à espinha dorsal, passando pela garganta). É composto de substâncias químicas, enzimas e hormônios que podem ser medidos e analisados.

Apesar desta evolução a ciência ainda desconhece os processos físicos e químicos (e energia anímica ?) que produzem a atividade cerebral: a mente, aquela que vai além das definições acadêmicas, situada entre as fronteiras da neurociência, psicologia e parapsicologia; cujos produtos como pensamentos, sonhos, fantasias, premonições, projeções astrais e outros, ainda não podem ser visualizados, tocados, manipulados ou mensurados em laboratórios.

O Cerebelo

O cerebelo é uma divisão do cérebro também lateralizada: redes neurais conecta seu lado direito ao esquerdo do cérebro e seu lado esquerdo ao direito do cérebro.

Estudos e pesquisas comprovam que o cerebelo é responsável pelo contrapeso, postura e coordenação dos movimentos humanos, mas trabalhos metafísicos afirmam que o cerebelo também é nosso subconsciente, a porta de entrada de conhecimentos abstratos como intuições, pressentimentos, premonições e outras! {1}.

Processamento das informações

As informações que recebemos entram pela lado direito do cérebro (inclusive as oriundas do cerebelo) que as processa, salva, apaga ou transmite para o lado esquerdo. Estima-se que de 20 à 40% das informações salvas sejam sedimentadas no hemisfério direito; as demais são repassadas para o esquerdo onde, após serem analisadas e classificadas por critérios lógicos, são deletadas ou gravadas em forma de conhecimento/habilidade.

Quando informações são gravadas (aprendidas) instantaneamente, significa que já existia uma microrede neural receptiva, sendo tão somente ativada. Quando é necessário repetir várias vezes as mesmas informações para serem gravadas, significa que uma nova microrede neural teve que ser formada (ou recuperada/reestruturada) {2} para que o novo conhecimento pudesse ser sedimentado. Por outro lado, da mesma forma que uma microrede neural é ativada (pela absorção de novas informações) ou formada (pela persistência no aprendizado) ele pode ser desativada e eventualmente desaparecer se o conhecimento/atividade cair no desuso.

É o tipo de conhecimento/habilidade que determinará qual área cerebral irá executar o trabalho e quem armazenará as informações a exemplo de idiomas distintos que ativam diferentes áreas do cérebro: “Quem fala inglês trabalha mais com a região frontal esquerda e a temporal inferior, e quem fala italiano usa mais a região temporal superior” {3}.

A lateralização

Em 1836 o médico francês Marc Dax sugeriu pela primeira vez que o cérebro humano possuía dois hemisférios com funções distintas {4}. Esse fato não despertou interesses da área científica por vários anos, quando foi confirmado por outro francês, o cientista Pierre Broca, ao descobriu que o centro motor de comando da linguagem falada encontra-se no hemisfério esquerdo (hoje denominado área de Broca). Posteriormente descobriu-se que a percepção da fala e estruturas geométricas, escrita, criatividade, e diversas outras funções também são lateralizadas.

Hoje sabemos que uma fissura longitudinal divide o cérebro nos hemisférios esquerdo e direito, conectados entre si e a outras partes do corpo humano por redes neurais. Essa lateralização inicia do 3º ao 5º mês do feto e é concluída 12 ao 14 anos após o nascimento, quando os hemisférios assumem diversas funções distintas. Pesquisas realizadas pelo Dr. Roger W. Sperry e seus alunos {5}, confirmam de forma irrefutável essa lateralização.

Independente do volume, níveis e características de suas respectivas funções, não existe hemisfério superior ao outro. São perfeitos em si e completam-se em equilíbrio, harmonia e potencial, formando “a mais complexa estrutura existente na terra: cérebro/mente humana.”

Funções Predominantes dos Hemisférios

Esquerdo

Direito

Gravador – Absorve, analisa, grava ou deleta informações lógicas, referênciadas ou confirmadas por dados que já possui.

Receptor – Portal das informações; grava ou deleta impressões, imagens, sons, cores, estruturas geométricas e dados abstratos.

Comunicador Verbal – Domina (em 95 à 98 % das pessoas) a fala, leitura, escrita, matemática, álgebra.

Comunicador Visual – Especializado em percepção e construção de comunicações visuais e emocionais.

Analítico – Absorve, avalia, constrói e encaminha questões de forma seqüencial, convergente, lógica, organizada.

Sintético – Analisa tudo como um todo, sintetizando-os em conjuntos isolados; ou seja: cada imagem é uma sentença.

Temporal – É objetivo e prático, situa-se no tempo considerando a ordem e sucessão, seja passado, presente e futuro.

Atemporal – Abstrai-se do tempo, que para si não tem muita importância. Vê as coisas como se apresentam no momento.

Não Espacial – Como interpreta dados não encadeadas como ilógicos, não desenvolveu habilidades espaciais.

Espacial – Identifica, interpreta e constrói relações e interrelações espaciais em conjuntos independentes.

Lógico – Tudo segue uma ordem racional, seja uma questão matemática, uma tese bem elaborada ou outras.

Intuitivo – Trabalha com impressões, sensações, imagens, sons, informações incompletos ou não encadeadas.

Linear – Trabalha de forma seqüencial, computacional, detalhando e unindo os conhecimentos pela lógica.

Holista – Vê tudo como se fosse uma imagem, sintetizando-a e utilizando esse conhecimento de forma livre, variada, divergente e em alguns casos, conflitante.

Dependente – Agi de forma lógica. Faz interpretações literais do que vê, ouve ou sente, nomeando e classificando por categorias, funções e objetivos.

Independente – Independe da lógica, é livre para agir. É irresponsável com procedimentos e não reconhece regras, barreiras ou limitações.

Crítico – É autocrítico, avalia o que fez, faz e fará conforme objetivos racionais, abalizados por dados lógicos.

Acrítico – Não leva críticas a sério; suas avaliações são subjetivas, imparciais, inocentes.

Orgulho – Como domina o intelecto, a razão, a lógica, normalmente é orgulhoso e hospedeiro o ego.

Humildade – Como não leva críticas à sério, deletando ‘ofensas’, normalmente é humilde e altruísta.

Segurança – Prefere navegar em mares conhecidos, do definido pela lógica; mas quando necessário, sabe fingir e mentir.

Risco – Adora se arriscar, se aventurar. É responsável pelas emoções, sinceridade, autenticidade e inocência.

Não Criativo – Limita-se entre barreiras e fronteiras (informações armazenadas ao longo da vida por ele mesmo) lógicas.

Criativo – Sonha, inventa, inova, cria e recria; é livre e voa nas asas de sua imaginação.

3ª Dimensão – Só aceita o comprovável; interpreta os dados de forma literalmente lógica. Reconhece letras, palavras (alfabeto silábico ocidental), números.

4ª Dimensão – Percebe músicas e sons dos animais, segundas intenções de quem fala, configurações e estruturas globais. Entende metáforas.

Insensível – A tudo que não possuir explicações lógicas.

Sensível – Afetivo, humano, compassivo,idealista, eterna criança;sensível às artes.

Comunicações Interemisférica

Mesmo com funções distintas um lado grava informações que constantemente são utilizadas pelo outro lado para concluir tarefas ditadas pelo mestre do cérebro: a mente, acionada pelo firme desejo (livre arbítrio/vontade) de cada um.

Quantidade e percentuais de funções e níveis de comunicações interemisférica são relativos e em padrões individuais. Mesmo após concluída a lateralização diversas funções continuam sendo compartilhadas (como detecção e ativação dos sentidos, por exemplo) e contínuo intercâmbio de dados mantêm e potencializa seus desempenhos individuais e global.

Esse natural intercâmbio de informações entre os hemisférios cerebral (intenso em crianças com até 6 ou 8 anos de idade) normalmente é bloqueado (interrompido) na infância/adolescência por conceitos socioculturais que condicionam o ser humano a fazer isto e não aquilo, a agirem deste e não daquele modo, a pensarem desta e não daquela forma. Talvez a predominância de funções do lado esquerdo do cérebro e a falta dum maior nível de comunicação (especialmente no homem) entre os dois hemisférios se dê exatamente por esse condicionamento.

O pouco uso (conscientemente) do hemisfério direito e sua possível (saudável e recomendada) possibilidade de comunicação com o hemisfério esquerdo, não é uma característica neurofisiológica e neuroanatômica, mas frutos de condicionamentos psico-sócioculturais seculares (?). Na verdade, baixos níveis de comunicação entre os hemisférios pode provocar distúrbios de balanço e fluxo interemisféricos e anormalidades como depressão monopolar {6}.

Não é por acaso que uma maior interligação dos hemisférios cerebral em crianças com menos de 12 ou 14 anos (somados à boa acuidade auditiva e maior flexibilidade muscular do aparelho articulatório de sons, embora esses 2 últimos fatores possam ser de ordem cognitiva, e não biológica) fazem com que elas aprendam idiomas com mais rapidez e perfeição do que os adultos.

Portanto, estimular o lado direito significa potencializar as comunicações entre os dois hemisférios. Essa interligação torna a pessoa mais imaginativa e comunicativa, apta a resolver questões com mais facilidade, melhor perceber e compreender o que a cerca, a desenvolver habilidades até então desconhecidas.

Conflitos de Funções

Quando os hemisférios cerebrais tentam trabalhar ao mesmo tempo em atividades que lhes são próprias, acaba gerando confusão, a exemplo da fala, cujo domínio é do hemisfério esquerdo: quando o direito tenta entrar na conversa, produz a gagueira {7}. “É como se houvesse um disputa dos dois lados para saber quem de fato vai produzir a fala.”

Esta gagueira de conflito é comum entre estudantes de idiomas com mais de 25 anos, eloqüentes e/ou que possuem amplo vocabulário em sua língua nativa – nas primeiras fases de conversações: ao replicar uma questão o hemisfério esquerdo, tentando formular uma resposta tão sofisticada como se fosse em seu idioma mãe, demora um pouco; isto faz com que o direito entre na conversa, produzindo a gagueira ou frases empacadas.

Nova Hipótese de lateralidade

Estudos e pesquisas iniciais indicam que a mulher, mesmo com as respectivas predominâncias de lateralidade, usa de forma inconsciente, natural e espontânea (possivelmente ativado por questões hormonais que altera o metabolismo) muito mais o lado direito do que o homem. “…Apesar da fala ser comandada pelo lado esquerdo, uma maior interligação com o lado direito resulta numa maior capacidade de comunicação, com a remoção de diversas barreiras, especialmente de ordem psico-socioculturais.” Talvez isto explique o fato das mulheres se comunicam e se expressam melhor que os homens, conseguindo com isto, absorver e usar as informações de maneira mais livre e múltipla, embora divergentes em alguns aspectos.

Não é por acaso que a maioria das mulheres consegue desenvolver a capacidade de múltipla ação: podendo, ao mesmo tempo que atende ao telefone, observar um quadro que está na parede, pensar na comida que pós no microondas e responder a uma pergunta do filho que está na sala ! Nós homens, por sua vez, somos unidirecionais na maioria dos casos; se estamos assistindo um jogo que gostamos, lendo um livro ou no computador, esqueçam… Por isto a mulheres costumam dizer que os “homens possuem sérias limitações na área de múltipla atenção”.

Conclusão

A grande lição que tiramos dos estudos e pesquisas da área neural só confirma o que escolas iniciaticas falam a séculos: “…nosso desejo firme e persistente modula a mente que é o senhor do cérebro.” Com isto, “…peças e terás, bata e as portas se abrirão…”

Através de técnicas já disponíveis como a PNL – Programação Neurolingüística (ver Programe-se para Vencer), método Betty {8} e outras, podemos potencializar conscientemente os dois hemisférios (especialmente o direito, pouco usado pela maioria das pessoas, em especial pelos homens) de forma harmônica (cada um com suas características), permitindo uma evolução individual e um maior intercâmbio de informações. Usando músicas, meditações e relaxamentos apropriados (hipnose, autohipnose e projeções astrais para níveis mais elevados) podemos desbloquear nosso lado criativo, artístico, idealizar novos objetivos, peregrinar por novas fronteiras. Isto pode e deve ser aplicado em qualquer fase da vida, especialmente por escolas e educadores para potencializar e diversificar a capacidade humana além dos horizontes hoje conhecidos.

Fontes

1. Ramachandran, V.S. – Phantoms in the Brain: Probing the Mysteries of the Human Mind.

2. John, S. Barlew – Hardback, Cerebellum and Adaptive Control

3. Restak, Ricard – Brian, www.worldbookonline.com, 2004-01-02

4. Carneiro, Celeste – Lateralidade, Percepção e Cognição – cel5@terra.com.br

5. Edwards, Betty – Desenhando com o Lado Direito do Cérebro – Ediouro, 1984.

6. Springer & Deutsch – Left Brain, Right Brain – W.H. Freeman & Co. NY, 1989.

7. Cury, Gilberto Craidy – Cérebro pode ajudar a formar um campeão – Folha de São Paulo, 18/7/97

Referências

{1} – McKorb J., Robert – Além da Fronteira das Ciências (1983). “… pelos caminhos que segue a ciência atual só iniciará a desvendar os mistérios da mente humana quando descobrir por completo os segredos do cérebro. Só aí então perceberão a importância do cerebelo, o nosso portal com o ‘além’, com o desconhecido; o receptor e transmissor do corpo/espírito…” pg 215).

{2} – “Cérebros que recuperaram-se de problemas/lesões acasionados por fatores internos (doenças, tumores, estados psicológicos, etc) ou externos (acidentes, drogas, etc.)”.

{3} – Usando o PET – Pósitron Emission Tomography – para medir o fluxo sanguíneo e monitorar a atividade cerebral de estudantes ingleses e italianos no momento em que liam em voz alto em suas respectivas línguas maternas, cientistas descobriram que idiomas diferentes acionam distintas regiões do cérebro. Ao contrário do idioma italiano o inglês não possui uma fonética perfeita; isto faz com que as pessoas que falam inglês tenham que usar partes distintas do cérebro para gerar fonemas de forma correta. How Native Language Affects Reading Strategies, www.neurosci.nature.com – 01/2000.

{4} – Observando pacientes com derrame cerebral, Dr. Marc Dax “notou que quando a lesão era no hemisfério esquerdo, o paciente ficava com o corpo paralisado do lado direito e sem a fala. Levou essas observações para um congresso, mas não houve interesse…”

{5} – “…pesquisando o cérebro (Sperry* e equipe) descobriram que uma das principais funções do corpo caloso (grosso fio nervoso composto por milhões de fibras) é a comunicação entre os dois hemisférios. Posteriormente os doutores Phillip Vogel e Joseph Bogen, tratando pacientes com alto grau de epilépcia, isolaram um hemisfério do outro, cortando o corpo caloso em cirurgias (comisurotamia) usadas como último recurso. Num primeiro momento observou-se que o comportamento dos pacientes não teve grandes mudanças, mas com a aplicação de testes apropriados, confirmaram a lateralização cerebral, com funções e autonomias próprias de cada lado…”

{6} – Pesquisas extensivas do professor Pierre Flor Henry.

{7} – “Em 1996, o neurocientista americano Peter Fox e equipe (Texas), usando imagens da atividade cerebral por tomografia de emissão de pósitrons, descobriu que quem gagueja tem os dois lados do cérebro ativos ao mesmo tempo na hora de falar. A técnica consiste em misturar pequeno volume de água ou glicose radioativa ao sangue de voluntários, e acompanhar o trajeto da radioatividade no cérebro enquanto a pessoa fala, ler em voz alta. Como o fluxo sangüíneo e o metabolismo aumentam nas áreas mais ativas do cérebro, a radioatividade se concentra nessas áreas, tornando-as visíveis aos sensores do tomógrafo – até que a pequena quantidade de radioatividade desapareça por completo, alguns minutos depois…”

{8} – “Estudando o cérebro humano e as inovadoras (na época) pesquisas do cientista Roger W. Sperry (*Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1981) e alunos do Instituto de Tecnologia da Califórnia, Betty Edwards, doutora em Artes e professora de desenho na Universidade Estadual da Califórnia, desenvolveu um método para diminuir o ritmo de atividade cerebral, distraindo o hemisfério esquerdo com exercícios que ele não gosta nem se sente habilitado para fazer, deixando livre o hemisfério direito para se manifestar e demonstrar suas qualidades e competências…”

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2 Responses to Lateralização Cerebral

  1. Naner says:

    Puts! Ora tenho características direita ora esqueda. Apesar disso 67% esquerdo, segundo a tabela. Logo, 33% direito. ‘-‘

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