Gaza – Um Campo de Prisioneiros


Por Nonie Darwish *

“Condições em Gaza ‘Mais Baixas em 40 Anos’” foi a manchete da BBC na semana passada. Raramente uma semana se passa sem que um político ou organização lamente a situação humanitária na Faixa de Gaza. Mas eu não ouço ninguém falando das raízes de sua causa: 60 anos de política árabe objetivaram manter os Palestinos como refugiados sem pátria para pressionar Israel.

Eu morei em Gaza quando criança nos anos cinqüenta quando o Egito conduzia operações no estilo guerrilha contra o Israel a partir de Gaza, então sob seu controle. Meu pai comandou estas operações, levadas a cabo por “Fedayeens” (que significa ‘auto sacrifício’). Isto se tornou a linha de frente da Jihad Árabe contra Israel. Meu pai foi morto por Israel em um assassinato seletivo em 1956.

Hoje a Faixa de Gaza, agora sob controle do Hamas, se tornou o campo de prisioneiros de Gaza para 1.5 milhões de Palestinos e continua servindo como base de lançamento de ataques contra cidadãos Israelenses.

Este é o legado da política para refugiados Palestinos do mundo Árabe, iniciada há 60 anos, quando a Liga Árabe implementou leis especiais relativas a Palestinos que todos os países Árabes tiveram que aceitar e executar. Países Árabes não puderam absorver Palestinos. Mesmo se um Palestino casasse com um cidadão de um país Árabe este Palestino não poderia se tornar um cidadão do país do seu ou de sua cônjuge. Um Palestino pode nascer, viver e morrer em um país Árabe, mas nunca ganhar sua cidadania. Mesmo agora eu recebo e-mails de Palestinos me dizendo que eles não podem ter um passaporte Sírio, por exemplo, e têm que permanecer Palestinos apesar deles nunca terem pisado na Cisjordânia ou em Gaza. É intencional a idéia de forçar a identidade Palestina sobre eles para assim perpetuar o estado de refugiado Palestino. Os Palestinos têm sido usados e maltratados por nações Árabes, e por terroristas Palestinos, com o propósito de destruir o Israel.

Os 22 estados Árabes, certamente não têm escassez de terras. Muitas áreas Árabes adjacentes, como a Península do Sinai, Jordânia, Arábia Saudita, são escassamente povoadas. Mas absorvendo os Palestinos terminariam o estado de refugiado deles e o seu desejo maior de afligir Israel.

A riqueza Árabe que está aumentando dramaticamente por causa dos constantes aumentos dos preços do petróleo, não é usada para melhorar as vidas, a infra-estrutura e a economia das pessoas na Cisjordânia e em Gaza. Ao invés disto, esta riqueza apóia grupos terroristas que rejeitam a existência e se opõem a paz com Israel. As pessoas comuns de Gaza têm oportunidades de melhores empregos quando se unem ao Hamas.

A violação dos Gazans no posto de fiscalização do Egito em janeiro, orquestrada pelo Hamas, é resultado da política de refugiados Palestinos. Os postos de fiscalização no lado árabe de Gaza não puderam manter seus ocupantes no lado de dentro. O plano Árabe de superpovoar Gaza explodiu na direção errada. Depois desta explosão, Suleiman Awad, um porta-voz do governo Egípcio disse, “O Egito é um estado respeitado, suas fronteiras não podem ser violadas e seus soldados não devem ser intimidados com pedras”. Em outras palavras, o Egito não é como Israel que é um estado desrespeitado. Os Gazans não devem dirigir a violência para o Egito, mas apenas contra Israel. Esta é a sabedoria Árabe convencionada.

No último mês o Hamas ameaçou levar 40,000 Palestinos, principalmente crianças e mulheres, à fronteira de Gaza com Israel para protestar contra as restrições impostas por Israel em Gaza. Alguns líderes do Hamas indicaram que enviariam estes insurgentes para violar a fronteira, demonstrando mais uma vez que os terroristas Palestinos não têm nenhum receio sobre arriscar as vidas de pessoas inocentes – Israelenses ou Palestinas. Felizmente, apenas 5,000 apareceram.

Mas o Hamas obteve sucesso dois dias depois matando um Israelense: um homem de 47 anos, pai de quatro durante um ataque de foguete de Gaza quando ele estava sentando no seu carro próximo a Faculdade de Sapir perto de Sderot. Duas semanas antes, dois irmãos Israelenses, Osher e Rami Twito, de 8 e 19 anos, foram seriamente feridos por um foguete de Gaza quando compravam um presente de aniversário para seu pai. A perna esquerda de Osher teve de ser amputada.

Israel retirou-se completamente de Gaza em agosto de 2005. Em maio e junho de 2007, o Hamas empreendeu uma guerra contra seus irmãos Palestinos do Fatah para ganhar o controle de Gaza. O Hamas intensificou seus ataques de foguetes contra cidades Israelenses, forçando Israel a tomar medidas econômicas e militares contra Gaza. O Hamas se tornou um perigo, não só para Israel, mas para Palestinos e para os países Árabes vizinhos também. Não obstante, o mundo Árabe ainda se recusa a reconhecer o seu papel na criação deste monstro. Difícil achar uma situação semelhante na história da humanidade: a criação intencional de um status de refugiados para um milhão e meio de pessoas, sustentado por 60 anos. O objeto de vingança criado pelo mundo Árabe virou-se contra ele próprio.

O mundo precisa compreender que esta perigosa confusão começou quando 22 países Árabes concordaram em criar uma prisão humana chamada Faixa de Gaza. Os Árabes afirmam que amam o povo Palestino, mas eles parecem mais interessados em sacrificá-los. Está na hora do mundo Árabe abrir o seu lado das fronteiras e absorver os Árabes da Cisjordânia e de Gaza que desejarem ser absorvidos. Está na hora do mundo Árabe ajudar verdadeiramente os Palestinos, ao invés de os usarem.

*Nonie Darwish, egipcia que viveu em Gaza quando criança e adolescente, mora atualmente nos Estados Unidos e é a autora do livro “Agora Eles me Chamam de Infiel”.

Notas

1. Tradução: Ivan Kelner

2. Artigo originalmente publicado em inglês pelo Ruffington Post

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