O significado da oração


Por Rabino Aryeh Kaplan *

O objetivo principal da oração é se aproximar de D’us.

Somos ordenados a servir a D’us todos os dias, como afirma a Torá: “E servireis ao Eterno, vosso D’us, e ele abençoará o teu pão e a tua água” (Êxodo 23:25). Da mesma forma que pão e água são necessidades diárias, o serviço de D’us também o é.

Embora possamos servir a D’us de muitas formas, a principal maneira que uma pessoa tem para servir a D’us está no culto, onde pode conversar intimamente com D’us com toda sua atenção e emoção. Com relação a isto a Torá declara, “E se obedeceres aos meus mandamentos que hoje vos ordeno, de amar ao Eterno e Servi-Lo de todo o vosso coração e com toda a vossa alma” (Deuteronômio 11:13).

Portanto, estamos ordenados a adorar a D’us todos os dias, e este mandamento se aplica tanto aos homens quanto para as mulheres da mesma forma. Porém, nem o número de orações, nem o tempo, e nem a forma, são prescritos pela Torá.

A adoração pode tomar muitas formas desde que forneça uma forte relação entre homem e D’us. Pode consistir em louvar a D’us, do ato de pedir para que nossas necessidades básicas sejam cumpridas, ou de agradecê-lo por estar passando bem.

A tradição judaica ensina que devemos louvar a D’us antes de pedir para que Ele satisfaça nossas necessidades, da mesma maneira que uma pessoa inicia uma conversação agradável com um amigo antes de discutir negócios. O rei Salomão então diz, “Atenta, pois para a oração de teu servo, meu D’us, para ouvires o clamor e a oração que faz hoje o teu servo diante de ti”.(1 Reis 8:28). Portanto, somos ensinados a agradecer a D’us por ter saúde depois de pedir por nossas necessidades, da mesma maneira que um empregado agradece seu patrão depois de receber sua parte.

É apropriado pedir a D’us coisas pequenas antes de pedir as maiores. Ainda que uma pessoa sinta que tem tudo o que precisa, esta deve sempre rezar a D’us para o futuro.

Há uma obrigação particular de rezar em tempo de dificuldade, como a Torá declara, “E quando estiverdes em guerra contra o adversário que vos oprime, tocareis retinindo as trombetas; e sereis recordados diante do Eterno, vosso Deus, e sereis salvos dos vossos inimigos” (Números 10:9). Por essa razão estava legislado que a comunidade jejue e reze sempre que alguma calamidade estivesse para acontecer…

Razões para rezar

Nós não rezamos, para lembrar a D’us de nossas necessidades, e sim para lembrar a nós mesmos de dependência que temos com Ele. Estamos então ordenados a rezar para D’us por tudo, embora Ele saiba nossos pensamentos e necessidades mais profundas, pois o ato de rezar eleva a consciência da pessoa por D’us e Sua providência, e deste modo faz com que a pessoa seja uma merecedora do bem que D’us quer dar. Era por essa razão que a oração era hábito dos Patriarcas, como também de todos os grandes homens e mulheres de Israel, desde os tempos mais antigos.

Embora todos os mandamentos beneficiem uma pessoa neste mundo e no próximo, a oração é o remédio universal que ajuda em todas as coisas. Ajuda a curar o doente, como encontramos, “Ouvi a sua oração e vi as suas lágrimas. Eis que eu lhe curarei” (2 Reis 20:5). Semelhantemente, oração pode ajuda a favor das crianças, a favor da chuva, para vitória em guerra, e até para se salvar de morte iminente.

A oração ajuda ao judeu e ao não judeu igualmente, como disse o Rei Solomão, “Também ao estrangeiro, que não for do teu povo Israel, porém vier de terras remotas, por amor de teu nome (porque ouvirão do teu grande nome, e da tua mão poderosa e do teu braço estendido) e rezar, voltado para esta casa, ouve tu nos céus, lugar da tua habitação e faze tudo o que o estrangeiro te pedir, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome, para te temerem como o teu povo Israel, e para saberem que esta casa, que edifiquei, é chamada pelo teu nome.” (1 reis 8:41-43).

A oração também pode levar uma pessoa aos mais altos níveis de perfeição espiritual e dons divinos. É assim que os tzaddikim alcançam grandeza.

A oração é a maneira essencial de buscar a D’us, como está escrito nos salmos. A reza que vem do fundo do coração humano e chama D’us das profundidades de Seu esconderijo, como o salmista diz, “Das profundezas do abismo clamo a Ti, ò Eterno” (Salmos 130:1).

É, portanto através da oração que literalmente nos conectamos a D’us, como está escrito, “Tende cuidado, porém de guardar com diligencia o mandamento e a lei que Moisés, vos ordenou, e O sirvais de todo o vosso coração e de toda vossa alma” (Josué 22:5). Numa oração verdadeira, expomos nossas almas diante de D’us, como está escrito, “despejo minha alma diante de D’us” (de 1 Samuel 1:15).

Chegando mais íntimo

Sendo D’us inerentemente perfeito, ninguém pode fazer nada por Ele. Servir a D’us então envolve cumprir o objetivo pelo qual fomos criados. Uma vez que este propósito é se aproximar Dele, qualquer coisa que traga o homem mais perto de D’us é considerado Seu serviço. Portanto, já que rezar faz com que uma pessoa reconheça sua dependência em relação a Ele e por meio disso nos aproxima Dele, é o serviço essencial de D’us. A oração é o serviço do coração. Sem intenção sincera é como um corpo sem alma ou uma fruta sem casca.

A oração é considerada o serviço de D’us de forma semelhante aos sacrifícios do Templo Sagrado. Deste modo, o salmista diz: “Como incenso chegue a Ti minha prece, e como uma oferenda vespertina sejam vistas minhas mãos que se elevam para Ti.” (Salmos 141:2). Da mesma forma que um sacrifício une o espiritual e o material, utilizando-se de um humilde animal como objeto para servir a D’us, então do mesmo jeito a oração une o espiritual e o material, fazendo do pedido de nossas necessidades materiais um serviço de D’us. É por essa razão que, quando é impossível trazer sacrifícios, a oração pode ser oferecida em seu lugar, como o profeta exclama: “Perdoa toda a iniqüidade, aceita o que é bom, e em vez de novilhos os sacrifícios de nossos lábios” (Oséias 14:3).

Deste modo, orações formais foram ordenadas no lugar dos sacrifícios diários efetuados no Templo em Jerusalém, estes mesmos eram acompanhados por oração e canção. Além disso, a oração de um coração sincero é melhor do que qualquer sacrifício, como o salmista diz: Em cânticos, então louvarei o nome do Eterno, e em meus agradecimentos O exaltarei. Serei mais prazeroso para o Eterno que a mais perfeita oferenda de todo o passado.”(Salmos 69:31-32).

O Mundo físico

Já que o objetivo da oração é pedir a D’us que faça mudanças no mundo físico, esta também serve para intensificar Sua relação com o mundo e assim unificar os planos espirituais e materiais. Este é o significado do ensino que a oração deve ter e penetrar nos mundos espirituais a fim de causar a bondade de D’us para fluir, unificar e nutrí-los. Cada oração tem o poder de desencadear cadeias de eventos que envolvem a criação de muitos mundos espirituais, e até orações semelhantes terão efeitos diferentes devido às circunstâncias em que são expressos.

É por essa razão que a oração é tão importante diante de D’us, e parece permanecer nos mais altos reinos espirituais. É por essa razão também que as rezas e louvores dos humanos têm preferência diante das orações dos mais importantes seres celestiais…

Ainda que D’us queira nosso bem, a oração ainda é necessária, desde que todo bem é concedido para isto. Deste modo, por exemplo, mesmo que fosse para D’us decretar que um determinado fazendeiro deva ter uma boa temporada, ele terá que arar e plantar a fim de possuir uma boa colheita. Da mesma forma, o esforço que uma pessoa coloca em rezar é freqüentemente o pré-requisito para compreender qualquer bem que D’us decretou.

Rezando reconhecemos nossa dependência absoluta por D’us. Podemos então chegar mais perto Dele e tirar todas as barreiras que poderiam ter nos prevenido de receber o bem que Ele deseja nos dar. O mal, por outro lado, é a maior barreira entre homem e D’us, e é exatamente o resultado de separação do homem e D’us. O mal, deste modo nos impede de receber o bem que D’us deseja dar. A oração é o modo mais eficaz e significativo a nossa disposição para remover o mal e aliviar seus bens.

* Rabino Aryeh Kaplan, filosofo, escritor, um dos eruditos mais importantes, prolificos e criativos da geração passada – largou-nos imensa obra ao falecer, em 1983.

Nota

1. Matéria originalmente publicada em Português pela Aish Brasil

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One Response to O significado da oração

  1. Graciele says:

    Me Deus. Me ajuda a conseguir um serviço… Estou precisando muito, o Senhor saber disso. Em outubro, na Otica, eles vão chamar as pessoas inscritas para entrevistas…Espero que consiga esse serviço de Secretaria; é um bom serviço…
    Obrigada pela a orações que fizerem por mim…

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