O álcool danifica do cérebro de forma permanente. Este fato, que até agora havia sido apenas sugerido por exames psicológicos, foi finalmente demonstrado pelo neurocirurgião Roberto Augusto Campos, em tese de doutorado defendida na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp – Escola Paulista de Medicina).
Campos investigou 32 pacientes, com idades variando entre 30 e 50 anos, que bebiam em média de 1 a 1,5 litro de aguardente por dia, com no mínimo 15 anos de dependência. E aplicou os mesmos testes num grupo-controle, formado por 10 pessoas abstêmias.
A pesquisa foi feita em duas etapas. Na primeira, os indivíduos foram submetidos a entrevistas e exames psicológicos e psiquiátricos, para verificar seu estado mental – o que já revelou grandes alterações no perfil dos dependentes, em comparação ao que pode ser considerado um padrão de normalidade. Na segunda etapa, foi medida a atividade elétrica dos cérebros dos pesquisados. E, aqui, os resultados foram conclusivos. “Em 70% dos dependentes, não detectamos nenhum tipo de resposta cerebral ao estímulo”, revela Campos. A área afetada foi aquela responsável pelas funções cerebrais superiores: percepção, raciocínio lógico, capacidade de abstração, inteligência e memória.
Nota
Matéria publicada originalmente na Revista Galile, Brasil


Neste estudo levou-se em conta também o consumo moderado, abaixo dos níveis avaliados, ou apenas dependentes e abstêmios?